Uma opção fundamental da economia é o regime de câmbio que será empregado, definido como o preço da moeda estrangeira em unidades da moeda doméstica. Acerca dos regimes de câmbio fixo e flutuante, é correto afirmar que
Aum aumento da taxa de juros doméstica, coeteris paribus, reduz a taxa de câmbio fixo, se não houver mobilidade de capitais.
Bum aumento da taxa de juros doméstica, coeteris paribus, aumenta a taxa de câmbio fixo, se não houver mobilidade de capitais.
Cuma redução da taxa de juros doméstica, coeteris paribus, aumenta a taxa de câmbio flutuante, se houver mobilidade de capitais.
Duma redução da taxa de juros doméstica, coeteris paribus, reduz a taxa de câmbio flutuante, se houver mobilidade de capitais.
Eindependentemente do nível da taxa de juros doméstica, coeteris paribus, a taxa de câmbio fixo sofrerá pressão para valorização, se for liberada a mobilidade de capitais.
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GabaritoC — uma redução da taxa de juros doméstica, coeteris paribus, aumenta a taxa de câmbio flutuante, se houver mobilidade de capitais.
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Regimes cambiais: fixo × flutuante e a relação com a taxa de juros
Gabarito: letra C. Em um regime de câmbio flutuante com mobilidade de capitais, uma redução da taxa de juros doméstica torna os ativos nacionais menos atraentes, provocando saída de capitais (fuga de divisas). Essa saída aumenta a demanda por moeda estrangeira, depreciando a moeda nacional e, portanto, aumentando a taxa de câmbio (mais reais por dólar). É exatamente o que a alternativa C afirma.
A questão exige compreender a mecânica de transmissão entre juros e câmbio, que depende crucialmente do regime cambial adotado. No regime flutuante, a taxa de câmbio é determinada livremente pelo mercado de divisas, sem intervenção do Banco Central. Nesse contexto, a taxa de juros doméstica influencia os fluxos de capitais: juros mais altos atraem capital estrangeiro (aumentando a oferta de divisas e valorizando a moeda nacional), enquanto juros mais baixos repelem capital (aumentando a demanda por divisas e desvalorizando a moeda nacional).
No regime fixo, o Banco Central se compromete a manter a taxa de câmbio em um nível predeterminado, comprando e vendendo moeda estrangeira para equilibrar o mercado. Nesse caso, a taxa de câmbio não flutua livremente em resposta aos juros; a política monetária fica subordinada à defesa da paridade cambial. A distinção entre os regimes é o ponto central que a banca explora.
A pegadinha da questão está em inverter a relação entre juros e câmbio, ou em aplicar a lógica do regime flutuante ao regime fixo (e vice-versa). O candidato que não domina a mecânica de transmissão pode facilmente cair nas alternativas A, B e D, que apresentam relações invertidas ou aplicadas ao regime errado.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que um aumento da taxa de juros doméstica reduz a taxa de câmbio fixo, se não houver mobilidade de capitais. O erro é duplo: primeiro, sem mobilidade de capitais, a taxa de juros não afeta os fluxos de divisas e, portanto, não pressiona a taxa de câmbio. Segundo, mesmo com mobilidade, em um regime fixo a taxa de câmbio é determinada pelo Banco Central, não pelo mercado. A alternativa confunde a lógica do regime flutuante com a do regime fixo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que um aumento da taxa de juros doméstica aumenta a taxa de câmbio fixo, se não houver mobilidade de capitais. O erro é o mesmo da alternativa A: sem mobilidade de capitais, não há fluxo de divisas para pressionar a taxa de câmbio. Além disso, em um regime fixo, a taxa de câmbio é administrada pelo Banco Central, não responde diretamente aos juros. A alternativa inverte a relação e aplica a lógica errada ao regime errado.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que uma redução da taxa de juros doméstica aumenta a taxa de câmbio flutuante, se houver mobilidade de capitais. Isso está correto: com mobilidade de capitais, juros domésticos menores que os externos tornam os ativos nacionais menos atraentes, provocando saída de capitais. Os investidores vendem a moeda nacional e compram moeda estrangeira, aumentando a demanda por divisas e depreciando a moeda doméstica. A taxa de câmbio (R$/US$) sobe, ou seja, a moeda nacional se desvaloriza. A alternativa espelha exatamente a mecânica de transmissão descrita.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que uma redução da taxa de juros doméstica reduz a taxa de câmbio flutuante, se houver mobilidade de capitais. O erro está na direção do efeito: uma redução dos juros provoca saída de capitais, aumentando a demanda por moeda estrangeira e depreciando a moeda nacional, o que aumenta a taxa de câmbio, não a reduz. A alternativa inverte o sentido da relação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que, independentemente do nível da taxa de juros doméstica, a taxa de câmbio fixo sofrerá pressão para valorização, se for liberada a mobilidade de capitais. O erro está na generalização: a pressão sobre a taxa de câmbio fixo depende do diferencial de juros entre o país e o exterior. Se os juros domésticos forem maiores que os externos, haverá entrada de capitais e pressão para valorização; se forem menores, haverá saída de capitais e pressão para desvalorização. A alternativa ignora o papel dos juros na determinação dos fluxos de capitais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os regimes cambiais. No regime flutuante, os juros afetam a taxa de câmbio via fluxos de capitais; no regime fixo, a taxa é administrada pelo Banco Central. As alternativas A, B e D aplicam a lógica do regime flutuante ao regime fixo ou invertem a direção do efeito. A alternativa E generaliza indevidamente, ignorando o papel do diferencial de juros. Compreender a mecânica de transmissão é a chave para não cair nessas armadilhas.
PEGA ESSA DICA!
Para resolver questões sobre juros e câmbio, siga o fluxo: (1) identifique o regime cambial (fixo ou flutuante); (2) verifique se há mobilidade de capitais; (3) determine o efeito dos juros sobre os fluxos de capitais (juros altos atraem, juros baixos repelem); (4) no regime flutuante, entrada de capitais valoriza a moeda (câmbio cai) e saída desvaloriza (câmbio sobe). No regime fixo, a taxa é administrada pelo Banco Central, que intervém comprando ou vendendo divisas para manter a paridade.