Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2019
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Código
fc053247
Banca
FCC
Órgão
Câmara de Fortaleza - CE
Ano
2019
Cargo
Revisor
O narrador recorre ao chamado discurso indireto livre no seguinte trecho:
ADisse mais que morava em Senador Camará, num sobradão assim assim, e lá se foi com o presente. (7º parágrafo)
BO rapaz entrou no café da rua Luís de Camões e começou a oferecer o filho de seis meses. (2º parágrafo)
CUns não o levaram a sério, outros não acharam interessante a doação. (2ºparágrafo)
D− Já tenho seis lá em casa, que mal faz inteirar sete? Moço, eu fico com ele. (6ºparágrafo)
E− Praquê fui dar esse menino? − interroga-se ele. (8º parágrafo)
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GabaritoA — Disse mais que morava em Senador Camará, num sobradão assim assim, e lá se foi com o presente. (7º parágrafo)
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Discurso indireto livre no texto de Drummond
Gabarito: letra A. O trecho "Disse mais que morava em Senador Camará, num sobradão assim assim, e lá se foi com o presente" é o único que exemplifica o discurso indireto livre, pois o narrador incorpora a fala da personagem sem travessão, mantém a expressão coloquial "assim assim" e utiliza o verbo no pretérito imperfeito ("morava"), característico da mescla de vozes.
"Disse mais que morava em Senador Camará, num sobradão assim assim, e lá se foi com o presente."
No discurso indireto livre, o narrador funde sua voz com a do personagem, reproduzindo-lhe o pensamento ou a fala de forma integrada ao texto narrativo, sem verbos dicendi explícitos ou travessão. Em A, a expressão "assim assim" é uma hesitação típica da senhora, e o verbo "morava" está no imperfeito, tempo que sugere a fala transposta, mas a manutenção do coloquialismo revela a origem no discurso direto original. Isso caracteriza o discurso indireto livre.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O trecho apresenta claramente a fusão narrador-personagem. Não há travessão; o verbo "disse" é um verbum dicendi no passado, mas a oração seguinte incorpora a fala da senhora com marcas de oralidade ("assim assim"). O pretérito imperfeito "morava" é típico do discurso indireto, mas a ausência de subordinação completa (a fala não é integralmente transposta) e a manutenção da expressão coloquial configuram o estilo indireto livre.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"O rapaz entrou no café da rua Luís de Camões e começou a oferecer o filho de seis meses."
É exclusivamente narração: o narrador relata ações, sem reproduzir fala ou pensamento de personagem. Erro: fora do escopo, pois não há qualquer tipo de discurso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Uns não o levaram a sério, outros não acharam interessante a doação."
Também é narração pura, descrevendo reações dos personagens de forma impessoal. Não há fala incorporada. Erro: fora do escopo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"− Já tenho seis lá em casa, que mal faz inteirar sete? Moço, eu fico com ele."
Discurso direto clássico: a fala da senhora é reproduzida literalmente com travessão, sem mediação do narrador. Erro: troca de conceito – confunde discurso direto com indireto livre.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"− Praquê fui dar esse menino? − interroga-se ele."
Discurso direto com verbo dicendi ("interroga-se") e travessão. Reprodução literal da fala do personagem. Erro: troca de conceito – confunde discurso direto com indireto livre.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a semelhança entre discurso indireto (com verbo dicendi) e indireto livre. A alternativa A possui o verbo "disse", o que pode levar o candidato a classificá-la como discurso indireto puro; no entanto, a manutenção da expressão coloquial "assim assim" e a integração à narrativa sem travessão são marcas do indireto livre.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar o discurso indireto livre, localize trechos em que a voz do personagem aparece sem verbos dicendi explícitos nem travessão, geralmente com verbos no pretérito imperfeito e marcas de oralidade (interjeições, perguntas, vocabulário coloquial). Compare sempre com os trechos de discurso direto (com travessão) e indireto (com que após verbo de dizer).