Criminologia – Teorias preventivas da pena
Gabarito: letra C. A única alternativa correta descreve com precisão uma crítica doutrinária clássica à prevenção geral positiva em sua versão eticizada: o pressuposto de que todo delito afeta valores ético-sociais comuns, ignorando o pluralismo de valores nas sociedades multiculturais e podendo gerar uma “ditadura ética”. As demais alternativas incorrem em equívocos de conceito, atribuindo a uma teoria preventiva críticas que pertencem a outra ou distorcendo o conteúdo da prevenção.
As teorias preventivas da pena dividem-se em quatro vertentes principais: prevenção geral negativa (dissuasão pela ameaça), prevenção geral positiva (reforço da consciência jurídica coletiva – em versões normativa e eticizada), prevenção especial negativa (neutralização/incapacitação) e prevenção especial positiva (ressocialização). A questão cobra a habilidade de identificar a qual teoria cada crítica se aplica.
Teoria Preventiva | Crítica Correta (conforme doutrina) | Crítica Incorreta (confundida com outra teoria) |
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Prevenção Geral Positiva (versão eticizada) | Pressupõe valores ético-sociais comuns, ignorando o pluralismo multicultural, o que pode gerar uma "ditadura ética". | Legitimar punição para delitos refinados e abster-se de delitos de massa (crítica da criminologia crítica). |
Prevenção Geral Negativa | (Não há crítica correta listada na questão) | A medida da pena dependeria da periculosidade do agente (crítica da prevenção especial). |
Prevenção Especial Negativa | (Não há crítica correta listada na questão) | A criminalização e prisonização deterioram a personalidade, ao contrário da ideologia ressocializadora (crítica da prevenção especial positiva). |
Prevenção Especial Positiva | (Não há crítica correta listada na questão) | Reforçar a confiança da coletividade no sistema jurídico, usando o indivíduo como instrumento (crítica da prevenção geral positiva). |
Alternativa A — ❌ Incorreta
A crítica mencionada (legitimar punição para delitos “refinados” e abster-se dos delitos de massa) não é direcionada à prevenção geral positiva de Jakobs. Na verdade, essa seletividade é objeto de denúncia da criminologia crítica (teoria do etiquetamento e crítica ao sistema penal), não uma crítica específica à função preventiva geral positiva. A teoria de Jakobs foca na distinção entre cidadão e inimigo, não na seletividade econômico-social.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a prevenção geral negativa teria como crítica a falta de relação com a gravidade do fato, dependendo da periculosidade do agente. Isso é um erro: a periculosidade é critério central da prevenção especial (tanto negativa quanto positiva), não da prevenção geral negativa, que se baseia na gravidade do delito e na necessidade de dissuadir a coletividade.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A prevenção geral positiva eticizada sustenta que a pena reafirma os valores ético-sociais da comunidade. A crítica doutrinária aponta que essa visão pressupõe um consenso valorativo que não existe em sociedades multiculturais, correndo o risco de impor a ética de um grupo dominante – o que configuraria uma “ditadura ética”. A alternativa reproduz exatamente esse raciocínio.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A crítica descrita (prisionização deteriora a personalidade) é feita à prevenção especial positiva (ressocializadora), não à prevenção especial negativa. Esta última – neutralização/incapacitação – sequer propõe o melhoramento do indivíduo; seu objetivo é apenas impedir que o condenado volte a delinquir. Houve troca clara entre as duas modalidades de prevenção especial.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A função de “reforçar a confiança da coletividade no sistema jurídico” é própria da prevenção geral positiva, não da prevenção especial positiva. A prevenção especial positiva tem como escopo a ressocialização do apenado, e não a reafirmação normativa perante a sociedade. Portanto, a alternativa atribui à especial positiva uma finalidade que pertence à geral positiva.
Gabarito: letra C