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Questão de Português — Pontuação — FCC 2019

PortuguêsPontuação
Código
fc053932
Banca
FCC
Órgão
MPE-MT
Ano
2019
Cargo
Promotor de Justiça Substituto

                                 [Nossa quota de felicidade]


      Os últimos 500 anos testemunharam uma série de revoluções de tirar o fôlego. A Terra foi unida em uma única esfera histórica e ecológica. A economia cresceu exponencialmente, e hoje a humanidade desfruta do tipo de riqueza que só existia nos contos de fadas. A ciência e a Revolução Industrial deram à humanidade poderes sobre-humanos e energia praticamente sem limites. A ordem social foi totalmente transformada, bem como a política, a vida cotidiana e a psicologia humana.

      Mas somos mais felizes? A riqueza que a humanidade acumulou nos últimos cinco séculos se traduz em contentamento? A descoberta de fontes de energia inesgotáveis abre diante de nós depósitos inesgotáveis de felicidade? Voltando ainda mais tempo, os cerca de 70 milênios desde a Revolução Cognitiva tornaram o mundo um lugar melhor para se viver? O falecido astronauta Neil Armstrong, cuja pegada continua intacta na Lua sem vento, foi mais feliz que os caçadores-coletores anônimos que há 30 mil anos deixaram suas marcas de mão em uma parede na caverna? Se não, qual o sentido de desenvolver agricultura, cidades, escrita, moeda, impérios, ciência e indústria?

      Os historiadores raramente fazem essas perguntas. Mas essas são as perguntas mais importantes que podemos fazer à história. A maioria dos programas ideológicos e políticos atuais se baseia em ideias um tanto frágeis no que concerne à fonte real de felicidade humana. Em uma visão comum, as capacidades humanas aumentaram ao longo da história. Considerando que os humanos geralmente usam suas capacidades para aliviar sofrimento e satisfazer aspirações, decorre que devemos ser mais felizes que nossos ancestrais medievais e que estes devem ter sido mais felizes que os caçadores-coletores da Idade da Pedra. Mas esse relato progressista não convence.

(Adaptado de HARARI, Yuval Noah. Sapiens – Uma breve história da humanidade. Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre, RS: L&PM, 2018, p. 386-387) 

A supressão da vírgula altera efetivamente o sentido da frase:
  1. AA ideia mesma de felicidade parece ter bem pouca relevância, no curso da caminhada da civilização.
  2. BAo longo dos últimos cinco séculos, ocorreram revoluções cruciais na história da humanidade.
  3. CPara muitos homens, não faz sentido indagar sobre o teor de felicidade que deveria acompanhar o progresso.
  4. DA pouca gente ocorre indagar sobre o sentido do progresso, que atinge uns poucos privilegiados.
  5. ENa argumentação do autor, o sentido de progresso civilizacional merece ser amplamente discutido.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — A pouca gente ocorre indagar sobre o sentido do progresso, que atinge uns poucos privilegiados.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso da Vírgula – Efeito na Oração Adjetiva

Gabarito: letra D. A supressão da vírgula na frase da alternativa D altera o sentido porque transforma uma oração adjetiva explicativa (comentário adicional) em restritiva (especificadora). Nas demais alternativas, a vírgula é facultativa e sua retirada não modifica substancialmente o significado.

A questão exige identificar em qual frase a vírgula desempenha função distintiva de sentido.

  1. 1Vírgula presenteExplicativa
  2. 2Vírgula suprimidaRestritiva
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A vírgula separa o adjunto adverbial "no curso da caminhada da civilização", posposto. Sua supressão não altera o sentido, apenas elimina uma pausa estilística. O adjunto permanece como complemento do verbo "ter relevância".

Alternativa B — ❌ Incorreta

Coma após adjunto adverbial deslocado "Ao longo dos últimos cinco séculos". Sua retirada é perfeitamente aceitável sem prejuízo semântico. A frase continua clara.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Novamente, vírgula após adjunto adverbial "Para muitos homens" — facultativa, sem alteração de sentido.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A pouca gente ocorre indagar sobre o sentido do progresso, que atinge uns poucos privilegiados." A vírgula antes do "que" indica que a oração é explicativa: o progresso (em sua totalidade) atinge poucos privilegiados – é uma informação adicional. Sem a vírgula, a oração passa a ser restritiva, delimitando qual progresso: apenas aquele que atinge poucos privilegiados. A alteração é efetiva, pois muda a referência do termo "progresso".

Alternativa E — ❌ Incorreta

Adjunto adverbial antecipado "Na argumentação do autor" – vírgula facultativa. A supressão não modifica o sentido, apenas torna a leitura mais contínua.

Conclusão: Somente na letra D a vírgula é indispensável para manter o caráter explicativo da oração adjetiva. As demais são casos de vírgula facultativa.

Gabarito: letra D

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