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Questão de Odontologia — Saúde Bucal Coletiva — FCC 2019

OdontologiaSaúde Bucal Coletiva
Código
fc054981
Banca
FCC
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2019
Cargo
Cirurgião Dentista
Em uma tarde ensolarada e quente, paciente com 9 anos de idade, sexo feminino, foi trazida pela mãe à Unidade Básica de Saúde com queixa de “dor” nos dentes da região anterossuperior. A criança veste abrigo de moletom e camiseta de mangas longas, apesar do calor, e mostra-se retraída frente à abordagem da Equipe de Saúde Bucal. O exame clínico extrabucal mostra uma ferida superficial com sangramento no lábio superior, com sensação dolorosa intensa relatada pela paciente. O exame buco-dentário mostra deslocamento do dente 21 em direção lingual e o dente 11 apresenta mobilidade de cerca de 3 mm e sensibilidade ao teste de percussão. 
O Estatuto da Criança e do Adolescente (Brasil, 1990) instrui que “os casos de suspeita [...] de maus-tratos contra a criança ou o adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade”. A diferenciação entre lesões buco-dentárias acidentais e lesões intencionais produzidas no âmbito da violência contra a criança
  1. Anecessita a confirmação da presença de marcas de mordidas nas regiões corporais cobertas.
  2. Brequer a referência da criança a serviços de saúde mental a fim de utilizar ferramentas diagnósticas desse núcleo de conhecimento para detectar estigmas psíquicos.
  3. Cdeve basear-se no histórico, circunstâncias e características da lesão, além do comportamento da criança, do seu responsável ou de ambos.
  4. Dimplica a necessidade de uma escuta qualificada da queixa da criança, que será posteriormente divulgada na escola a fim de produzir empatia com seu sofrimento.
  5. Edispensa a participação da Equipe de Saúde, dada a gravidade do caso e a necessidade de imediata denúncia dos responsáveis.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — deve basear-se no histórico, circunstâncias e características da lesão, além do comportamento da criança, do seu responsável ou de ambos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diferenciação entre lesões bucais acidentais e intencionais na infância

Gabarito: letra C. O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990) determina a obrigatoriedade de comunicação de suspeita de maus-tratos ao Conselho Tutelar. Para essa diferenciação, o profissional deve considerar o conjunto de elementos: histórico do evento, circunstâncias, características da lesão e o comportamento da criança e de seu responsável – exatamente o que descreve a alternativa C.

A banca testa o conhecimento sobre o manejo clínico e legal de lesões suspeitas. O caso apresentado (criança com vestimentas incompatíveis com o calor, retraída, lesão no lábio e mobilidade dentária) sugere possível violência, mas o diagnóstico diferencial requer análise criteriosa.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que é necessário confirmar marcas de mordidas em regiões cobertas. Isso é restritivo demais: as lesões intencionais podem se manifestar de diversas formas (equimoses, queimaduras, fraturas, etc.), e a presença de marcas de mordida não é condição indispensável para a suspeita.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que a diferenciação requer referência a serviços de saúde mental para uso de ferramentas diagnósticas psíquicas. Embora o apoio psicológico possa ser necessário após a identificação, a diferenciação inicial é fundamentalmente clínica e baseada na história e exame físico, não dependendo de encaminhamento prévio.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está de acordo com a prática e a legislação. A avaliação deve englobar: (1) histórico detalhado do trauma; (2) circunstâncias (local, presença de testemunhas, coerência do relato); (3) características da lesão (tipo, localização, padrão); (4) comportamento da criança (medo, agressividade, retraimento) e do responsável (hostilidade, desinteresse, versões contraditórias). Esse conjunto norteia a decisão de comunicar ao Conselho Tutelar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Menciona escuta qualificada da queixa da criança, que seria divulgada na escola para gerar empatia. A escuta qualificada é importante, mas a divulgação na escola é inadequada (viola o sigilo e a privacidade). A comunicação da suspeita deve ser feita apenas aos órgãos competentes (Conselho Tutelar, autoridade policial, Ministério Público).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Dispensa a participação da equipe de saúde. Isso é absurdo: o profissional de saúde (cirurgião-dentista) é o primeiro a identificar a lesão e tem o dever legal de notificar. A gravidade do caso não exclui a atuação da equipe; ao contrário, exige ainda mais cuidado na documentação e no acolhimento.

PEGA ESSA DICA!

Na prática, sempre que houver suspeita de maus-tratos, registre em prontuário todos os detalhes (história, exame, fotografias, se possível) e comunique ao Conselho Tutelar da localidade, conforme o art. 13 do ECA. A simples suspeita já obriga a notificação – não é necessária a confirmação.

Gabarito: letra C.

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