Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FCC 2019
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fc055229
Banca
FCC
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2019
Cargo
Médico Ginecologista
Menina de 17 anos de idade é trazida pela mãe em consulta médica por ainda não ter menstruado. Ao exame físico, apresenta estágio de Tanner M1P1. A dosagem de LH e de FSH estão altas e o estrogênio sérico é baixo. Esse quadro cínico pode ser decorrente de
Ahipopituitarismo.
Bdisgenesia gonadal mista.
Catraso puberal fisiológico.
Ddeficiência isolada de GnRH.
Etumor de hipófise.
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GabaritoB — disgenesia gonadal mista.
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Atraso Puberal e Hipogonadismo Hipergonadotrófico
Gabarito: letra B. O quadro apresenta menina de 17 anos com estadiamento Tanner M1P1 (ausência de desenvolvimento puberal), LH e FSH elevados e estrogênio baixo. Esse perfil hormonal caracteriza hipogonadismo hipergonadotrófico (também chamado de hipogonadismo primário), no qual as gônadas não respondem ao estímulo gonadotrófico, levando a um feedback positivo sobre a hipófise e consequente aumento de LH/FSH. A disgenesia gonadal mista é uma causa clássica desse padrão, pois envolve anomalias no desenvolvimento gonadal que resultam em insuficiência hormonal e gametogênica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre hipogonadismo hipergonadotrófico (FSH/LH ↑, esteroides sexuais ↓) e hipogonadotrófico (FSH/LH ↓, esteroides ↓). No primeiro, o defeito é na gônada; no segundo, no eixo hipotálamo-hipófise. Fique atento: LH e FSH altos apontam para falência gonadal primária, e não para causas centrais.
O raciocínio diagnóstico baseia-se na dosagem das gonadotrofinas:
Característica
Disgenesia Gonadal Mista (Gabarito)
Hipopituitarismo
Atraso Puberal Fisiológico
Deficiência Isolada de GnRH
Tumor de Hipófise
Nível de LH/FSH
↑↑ (elevados)
↓↓ (baixos)
↓ (baixos ou pré-puberais)
↓↓ (baixos)
Variável (pode ↓ ou ↑, conforme tipo)
Nível de Estrogênio
↓↓ (baixo)
↓↓ (baixo)
↓ (baixo)
↓↓ (baixo)
Variável
Local do Defeito
Gônada (primário)
Hipófise (central)
Eixo H-H-G (imaturo)
Hipotálamo (central)
Hipófise (central)
Tipo de Hipogonadismo
Hipergonadotrófico
Hipogonadotrófico
Hipogonadotrófico
Hipogonadotrófico
Hipogonadotrófico (se compressor)
Mecanismo
Falência gonadal → feedback +
Deficiência de gonadotrofinas
Atraso na ativação do eixo
Deficiência isolada de GnRH
Compressão ou secreção hormonal anômala
Alternativa A — ❌ Incorreta
O hipopituitarismo compromete a secreção de todos os hormônios hipofisários, incluindo LH e FSH, resultando em níveis baixos de gonadotrofinas – exatamente o oposto do observado. Portanto, não se aplica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A disgenesia gonadal mista é uma condição na qual as gônadas são anômalas e incapazes de produzir quantidades adequadas de estrogênio e/ou testosterona. A falta de feedback negativo eleva a produção hipofisária de LH e FSH, configurando o hipogonadismo hipergonadotrófico. O quadro hormonal descrito (LH↑, FSH↑, estrogênio↓) é típico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
No atraso puberal fisiológico (constitucional), o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal ainda não foi ativado. As gonadotrofinas costumam estar em níveis baixos ou na faixa pré-puberal, e não elevadas. Portanto, não explica LH e FSH altos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A deficiência isolada de GnRH (ex.: síndrome de Kallmann) leva a hipogonadismo hipogonadotrófico: LH e FSH baixos, com esteroides sexuais também baixos. É o padrão inverso ao da questão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Tumores de hipófise podem causar hipogonadismo por compressão das células gonadotróficas ou por hiperprolactinemia, resultando em diminuição de LH e FSH (hipogonadismo hipogonadotrófico). Não cursam com elevação de gonadotrofinas. Tumores secretores de gonadotrofinas são raros e, mesmo assim, elevariam os esteroides sexuais – o que também não é o caso.
Conclusão: O único diagnóstico compatível com LH e FSH elevados e estrogênio baixo é a disgenesia gonadal mista, que representa uma causa de hipogonadismo primário.