Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FCC 2019
MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
- Código
- fc055364
- Banca
- FCC
- Órgão
- Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
- Ano
- 2019
- Cargo
- Médico da Família e Comunidade
A alocação de recursos públicos em saúde é uma questão que trata dos recursos escassos. Ao compreender que os medicamentos são recursos escassos, a ideia de essencialidade dos medicamentos emerge como forma de considerar o uso racional deste insumo tendo-o como “meio” e não como “fim” da assistência direta. Assim, o médico de família precisa ter em mente, no ato da prescrição medicamentosa, que
- Aprescrever o medicamento de acordo com o diagnóstico do paciente, reconhecendo seus requisitos farmacológicos, é fundamental, assim como reconhecer que racionalizar o uso de medicamentos é problemático quando se trata de pacientes que, culturalmente, exigem do médico a prescrição como sinônimo de ‘boa prática médica’. Assim, é necessária uma adaptação do médico às expectativas socioculturais da população.
- Bnão basta, apenas, prescrever o medicamento de acordo com o diagnóstico do paciente reconhecendo seus requisitos farmacológicos, mas entender que racionalizar o uso de medicamentos é um ato de compreensão da lógica do trabalho interprofissional, da lógica integrada do sistemas de saúde, de minorar os interesses econômicos da indústria farmacêutica e ainda de humanizar o cuidado, evitando o ato de medicalização da vida do outro.
- Cnão basta reconhecer que a população exige o medicamento, tornando-o fetiche do encontro assistencial ‘profissional paciente’. Nessa relação clínica, o centro deve ser o médico e sua autoridade, retirando do medicamento a centralidade da relação. O poder do médico deve considerar o que é melhor para a vida do outro, destituindo o medicamento desta posição de objeto-fetiche.
- Dculturalmente, a população espera do médico que ele aponte soluções “mágicas” para seus problemas de saúde. Não à toa, a instituição “saúde” e “religião” sempre estiveram muito próximas, pois ambas apontam soluções para a vida do sujeito, desde problemas biológicos até os espirituais. Ao considerar que essas dimensões estão integradas, o médico deve, sob abrigo deontológico e ético, admitir que a “mágica” do medicamento é essencial e por isso deve prescrever o que, segundo a sua consciência, alivie o sofrimento físico e espiritual dos seus pacientes.
- Eé importante entender que os medicamentos, especialmente os essenciais, servem para os casos clínicos mais agudos e, por isso, racionalizar o uso destes medicamentos é necessário, pois os pacientes específicos de áreas de atenção primária são poliqueixosos e polifármacos. Neste sentido, justifica-se, tanto ética quanto deontologicamente, retirar-lhes todos os medicamentos que tomam diariamente da forma mais rápida possível e trocar por apenas um medicamento, considerado “o essencial”.