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Questão de Português — Crase — FCC 2019

PortuguêsCrase
Código
fc055906
Banca
FCC
Órgão
SABESP
Ano
2019
Cargo
Estagiário Ensino Médio Regular
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão

Ai, que vergonha... 

   Sou tímida. Já nasci assim, veio de algum gene que meus pais me transmitiram, o que não deixa de ser estranho, já que sou incomparavelmente mais tímida que os dois juntos. 
   Só quem é tímido − e não me refiro aí aos falsos tímidos, aqueles que têm uma timidezinha boba de vez em quando, por exemplo, ao chegar a uma festa sem conhecer ninguém − sabe a dificuldade de se dizer “não” a um amigo ou de cobrar alguma coisa de alguém. E só nós tímidos sabemos também o quanto nos custa entrar em uma loja e experimentar uma roupa. O verdadeiro tímido tem vergonha de tudo e de todos. 
   Hoje em dia, depois de anos de teatro e terapia, melhorei demais. Muita gente me afronta e diz que não sou tímida nada, que eu nunca subiria em um palco se minha timidez fosse de verdade. Eu digo que uma coisa não tem nada a ver com a outra. O palco possui uma parede invisível, e quando subo nele é como se não visse ninguém. Além disso, quando as pessoas vão a alguma das minhas apresentações, é esperado que eu cante. Muito diferente é ir a um churrasco e me pedirem para tocar violão. Morro de vergonha. As pessoas param de conversar e ficam me olhando, na expectativa. A minha voz nem sai direito, tamanha a vontade de desaparecer do recinto. 
   Os psicólogos dizem que timidez, na verdade, é orgulho. O tímido seria alguém com tal mania de perfeição que não se dá o direito de errar. Não concordo. Eu digo que o tímido é alguém que tem vergonha de errar, de acertar, de ser julgado ignorante, de ser considerado inteligente, de ser taxado de prepotente... 
  Eu tenho vergonha de tudo. Mas já descobri − até há bastante tempo − o antídoto da timidez. Quando gosto e quero realmente alguma coisa, vergonha nenhuma me impede. Aí eu finjo que sou uma outra pessoa, coloco uma base no rosto para disfarçar a vermelhidão e vou em frente. É assim inclusive com essas crônicas, que tenho vergonha de publicar, mas gosto demais de escrever para parar. 
(Adaptado de: PIMENTA, Paula. Disponível em: www.patio.com.br. 13/12/2006) 

Observe a seguinte passagem:

as pessoas vão a alguma das minhas apresentações (3º parágrafo)

Considerando-se o emprego do sinal indicativo de crase, substitui corretamente a expressão sublinhada o que se encontra em:
  1. Aà qualquer uma das
  2. Bà maioria das
  3. Cà
  4. Dàs
  5. Eà todas as
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — às

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de expressão com crase

Gabarito: letra D. A única alternativa que, ao substituir a expressão sublinhada "a alguma das", emprega corretamente o sinal indicativo de crase é a letra D, pois "às" é a fusão da preposição "a" (exigida pelo verbo "ir") com o artigo feminino plural "as", que pode anteceder o possessivo "minhas apresentações". No texto original, não há crase porque "alguma" é pronome indefinido que não admite artigo. A substituição correta deve respeitar a regência e a possibilidade de crase – e, entre as opções, apenas "às" cumpre isso sem introduzir erro de concordância ou de uso do artigo.

"as pessoas vão a alguma das minhas apresentações" (3º parágrafo)

Alternativa

Expressão

Crase correta?

Motivo

A

à qualquer uma das

"Qualquer" é pronome indefinido e não admite artigo, logo a crase é proibida.

B

à maioria das

Embora a crase seja gramaticalmente possível, a substituição altera a estrutura partitiva original, sendo considerada inadequada pela banca.

C

à

"À" (singular) não concorda com "minhas apresentações" (plural); o correto seria "às".

D

às

Fusão correta da preposição "a" (regida por "ir") com o artigo feminino plural "as", que antecede o possessivo.

E

à todas as

"Todas" é pronome indefinido que, neste contexto, repele o artigo; o correto seria "a todas as", sem crase.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"à qualquer uma das" – O pronome indefinido "qualquer" não admite artigo feminino, portanto a crase é proibida. O correto seria "a qualquer uma das", sem acento grave. ❌ Erro: crase antes de palavra que não aceita artigo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"à maioria das" – Embora a crase em "à maioria" seja gramaticalmente correta (preposição + artigo feminino singular), esta opção não substitui adequadamente a expressão original no contexto pedido. A banca considera que "maioria" introduz uma nova quantificação e altera a estrutura partitiva original, enquanto "às" mantém a relação direta com "minhas apresentações". Além disso, a questão exige que a substituição preserve a mesma função sintática sem adicionar núcleo nominal extra. ❌ Erro: substituição incompleta/desviante da estrutura original.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"à" – Isoladamente, "à" (singular) não pode ser usado antes de "minhas apresentações" (plural feminino). O correto seria "às". ❌ Erro: discordância de número entre o artigo e o substantivo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"às" – A crase ocorre pela fusão da preposição "a" (exigida por "ir") com o artigo definido feminino plural "as", que pode anteceder o possessivo "minhas apresentações". A frase resultante – "vão às minhas apresentações" – é gramatical e semanticamente coerente, e o uso do acento grave é obrigatório. ✅ Substituição correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"à todas as" – O pronome indefinido "todas" não é precedido de artigo diretamente; a construção padrão é "a todas as" (sem crase). O acento grave antes de "todas" é erro crasso. ❌ Erro: crase antes de pronome indefinido.

Dica: Em questões de crase, identifique primeiro se a palavra seguinte admite artigo feminino. Pronomes indefinidos (alguma, qualquer, toda) e numerais (uma) geralmente não o admitem, portanto crase é proibida. Já substantivos femininos como "maioria" podem aceitar artigo, mas a substituição deve respeitar a estrutura sintática original.

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