Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2019
Português›Interpretação de Textos
Código
fc055908
Banca
FCC
Órgão
SABESP
Ano
2019
Cargo
Estagiário Ensino Médio Regular
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão
Ai, que vergonha...
Sou tímida. Já nasci assim, veio de algum gene que meus pais me transmitiram, o que não deixa de ser estranho, já que sou
incomparavelmente mais tímida que os dois juntos.
Só quem é tímido − e não me refiro aí aos falsos tímidos, aqueles que têm uma timidezinha boba de vez em quando, por
exemplo, ao chegar a uma festa sem conhecer ninguém − sabe a dificuldade de se dizer “não” a um amigo ou de cobrar alguma coisa
de alguém. E só nós tímidos sabemos também o quanto nos custa entrar em uma loja e experimentar uma roupa. O verdadeiro tímido
tem vergonha de tudo e de todos.
Hoje em dia, depois de anos de teatro e terapia, melhorei demais. Muita gente me afronta e diz que não sou tímida nada, que
eu nunca subiria em um palco se minha timidez fosse de verdade. Eu digo que uma coisa não tem nada a ver com a outra. O palco
possui uma parede invisível, e quando subo nele é como se não visse ninguém. Além disso, quando as pessoas vão a alguma das
minhas apresentações, é esperado que eu cante. Muito diferente é ir a um churrasco e me pedirem para tocar violão. Morro de vergonha. As pessoas param de conversar e ficam me olhando, na expectativa. A minha voz nem sai direito, tamanha a vontade de desaparecer do recinto.
Os psicólogos dizem que timidez, na verdade, é orgulho. O tímido seria alguém com tal mania de perfeição que não se dá o
direito de errar. Não concordo. Eu digo que o tímido é alguém que tem vergonha de errar, de acertar, de ser julgado ignorante, de ser
considerado inteligente, de ser taxado de prepotente...
Eu tenho vergonha de tudo. Mas já descobri − até há bastante tempo − o antídoto da timidez. Quando gosto e quero realmente
alguma coisa, vergonha nenhuma me impede. Aí eu finjo que sou uma outra pessoa, coloco uma base no rosto para disfarçar a vermelhidão e vou em frente. É assim inclusive com essas crônicas, que tenho vergonha de publicar, mas gosto demais de escrever para
parar.
(Adaptado de: PIMENTA, Paula. Disponível em: www.patio.com.br. 13/12/2006)
O período O tímido seria alguém com tal mania de perfeição que não se dá o direito de errar (4º parágrafo) está reescrito corretamente, preservando-se a relação de causa e efeito entre as orações, em:
O tímido seria alguém com extrema mania de perfeição,
Atodavia não se dá o direito de errar
Bpor isso não se dá o direito de errar.
Calém disso não se dá o direito de errar.
Dem contrapartida não se dá o direito de errar.
Eou mesmo não se dá o direito de errar.
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GabaritoB — por isso não se dá o direito de errar.
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Reescrita do período sobre a timidez e a mania de perfeição
Gabarito: letra B. A alternativa B mantém a relação de causa e consequência presente no original: “O tímido seria alguém com tal mania de perfeição que não se dá o direito de errar”. A conjunção “que” (em “de tal modo que”) estabelece que a mania de perfeição causa a consequência de não se dar o direito de errar. A expressão “por isso” explicita essa consequência, preservando o sentido.
“O tímido seria alguém com tal mania de perfeição que não se dá o direito de errar” (4º parágrafo).
A reescrita correta precisa manter essa relação de causa e efeito entre a “mania de perfeição” (causa) e o “não se dar o direito de errar” (efeito/consequência).
❌ Alternativa A — todavia não se dá o direito de errar
“Todavia” é uma conjunção adversativa (indica oposição, contraste). O texto não estabelece oposição entre a mania de perfeição e o não se dar o direito de errar; ao contrário, um é consequência do outro. A troca quebra a relação lógica e, portanto, altera o sentido.
✅ Alternativa B — por isso não se dá o direito de errar ⟵ GABARITO
“Por isso” é uma conjunção conclusiva, que expressa consequência/efeito de algo dito anteriormente. No período original, a consequência é o não se dar o direito de errar, decorrente da mania de perfeição. A reescrita com “por isso” preserva exatamente essa relação, sendo a única opção que mantém a causa e efeito exigida pelo enunciado.
❌ Alternativa C — além disso não se dá o direito de errar
“Além disso” indica adição (acréscimo de ideia). O texto não soma duas informações independentes; há uma relação de consequência entre elas. O uso de “além disso” transforma a segunda oração em mero acréscimo, perdendo a relação causal.
❌ Alternativa D — em contrapartida não se dá o direito de errar
“Em contrapartida” expressa contraste ou compensação, similar a “por outro lado”. Não há contraste no original: a mania de perfeição leva ao não se dar o direito de errar, não se opõe a ele. A reescrita desvirtua o sentido.
❌ Alternativa E — ou mesmo não se dá o direito de errar
“Ou mesmo” pode indicar alternância ou inclusão (ou até mesmo). O período original não apresenta alternância ou inclusão, mas sim consequência. A relação lógica é quebrada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a conjunção consecutiva/ conclusiva por conectivos de outras relações (adversativa, aditiva, contrastiva, alternativa). O candidato deve reconhecer qual conectivo mantém a relação de causa e consequência — no caso, “por isso” (ou “portanto”, “assim”, “consequentemente”).
Conclusão: a única alternativa que preserva a relação de causa e efeito é a B, que emprega a conjunção conclusiva “por isso”, expressando a consequência da mania de perfeição.