Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2019

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc055912
Banca
FCC
Órgão
SABESP
Ano
2019
Cargo
Estagiário Ensino Médio Regular
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão

Ai, que vergonha... 

   Sou tímida. Já nasci assim, veio de algum gene que meus pais me transmitiram, o que não deixa de ser estranho, já que sou incomparavelmente mais tímida que os dois juntos. 
   Só quem é tímido − e não me refiro aí aos falsos tímidos, aqueles que têm uma timidezinha boba de vez em quando, por exemplo, ao chegar a uma festa sem conhecer ninguém − sabe a dificuldade de se dizer “não” a um amigo ou de cobrar alguma coisa de alguém. E só nós tímidos sabemos também o quanto nos custa entrar em uma loja e experimentar uma roupa. O verdadeiro tímido tem vergonha de tudo e de todos. 
   Hoje em dia, depois de anos de teatro e terapia, melhorei demais. Muita gente me afronta e diz que não sou tímida nada, que eu nunca subiria em um palco se minha timidez fosse de verdade. Eu digo que uma coisa não tem nada a ver com a outra. O palco possui uma parede invisível, e quando subo nele é como se não visse ninguém. Além disso, quando as pessoas vão a alguma das minhas apresentações, é esperado que eu cante. Muito diferente é ir a um churrasco e me pedirem para tocar violão. Morro de vergonha. As pessoas param de conversar e ficam me olhando, na expectativa. A minha voz nem sai direito, tamanha a vontade de desaparecer do recinto. 
   Os psicólogos dizem que timidez, na verdade, é orgulho. O tímido seria alguém com tal mania de perfeição que não se dá o direito de errar. Não concordo. Eu digo que o tímido é alguém que tem vergonha de errar, de acertar, de ser julgado ignorante, de ser considerado inteligente, de ser taxado de prepotente... 
  Eu tenho vergonha de tudo. Mas já descobri − até há bastante tempo − o antídoto da timidez. Quando gosto e quero realmente alguma coisa, vergonha nenhuma me impede. Aí eu finjo que sou uma outra pessoa, coloco uma base no rosto para disfarçar a vermelhidão e vou em frente. É assim inclusive com essas crônicas, que tenho vergonha de publicar, mas gosto demais de escrever para parar. 
(Adaptado de: PIMENTA, Paula. Disponível em: www.patio.com.br. 13/12/2006) 

Ao relacionar, no primeiro parágrafo, sua timidez a causas genéticas, a autora
  1. Amostra-se conformada diante do fato de ter se tornado, na vida adulta, mais tímida que os pais.
  2. Bassume um tom melancólico, insinuando ressentir-se de ter herdado a timidez dos pais.
  3. Cusa de humor para apresentar a timidez como um atributo que faz parte de sua natureza.
  4. Dsugere que sua timidez é um problema sem relação com questões de ordem comportamental.
  5. Edeixa subentendido que a criação recebida dos pais fez com que ela se tornasse tímida.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — usa de humor para apresentar a timidez como um atributo que faz parte de sua natureza.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A timidez como natureza: humor na origem genética

Gabarito: letra C. Ao relacionar sua timidez a causas genéticas, a autora emprega um tom de humor para apresentá-la como algo inato, fazendo parte de sua natureza. A passagem que comprova é o trecho inicial: "Ai, que vergonha... Sou tímida. Já nasci assim, veio de algum gene que meus pais me transmitiram, o que não deixa de ser estranho, já que sou incomparavelmente mais tímida que os dois juntos." A expressão "Ai, que vergonha..." e o contraste irônico entre a herança genética e a timidez muito superior à dos pais revelam um tratamento leve e bem-humorado.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A autora não se mostra conformada; pelo contrário, ela busca antídotos (terapia, teatro) e afirma que "quando gosto e quero realmente alguma coisa, vergonha nenhuma me impede." O tom é crítico e ativo, não passivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Não há tom melancólico ou ressentimento. A autora descreve a timidez com naturalidade e até ironia, como quando diz que "isso é estranho" por ser mais tímida que os pais. O tom é descontraído, não pesaroso.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A autora inicia o texto com uma exclamação e uma explicação genética, mas emenda com um contraste humorístico: ela herdou a timidez, mas é "incomparavelmente mais tímida" que os pais. Essa quebra de expectativa é típica de humor. Além disso, mais adiante ela diz que "o tímido tem vergonha de tudo", reforçando a ideia de que a timidez é um traço constitutivo, sem drama.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Embora ela cite causa genética, o texto também menciona influências comportamentais (terapia, teatro) e a descoberta de um "antídoto". Portanto, não se pode afirmar que a timidez seja "sem relação com questões de ordem comportamental".

Alternativa E — ❌ Incorreta

A autora atribui a timidez a genes, não à criação. Diz claramente "veio de algum gene que meus pais me transmitiram". A opção de "subentender que a criação a tornou tímida" é uma extrapolação sem respaldo no texto.

Conclusão: A única alternativa plenamente sustentada pelo texto é a C, que identifica o uso de humor ao tratar a timidez como característica natural. As demais ou contradizem o texto ou acrescentam informações não presentes.

Link permanente: /questoes/fc055912