Desconfiar da observação direta – Mário Quintana
Gabarito: letra B. O texto defende que o escritor deve evitar a observação direta, pois isso resulta em mera reportagem. A alternativa B é a única que capta a convicção do autor: a linguagem da imaginação e da invenção não se confunde com a de uma simples reportagem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O texto não sugere influência recíproca entre ficção e reportagem; na verdade, condena a observação direta por gerar apenas reportagens.
"Um romancista de lápis em punho no meio da vida – esse acaba fazendo apenas reportagens."
Portanto, a alternativa extrapola (fora do escopo).
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O autor afirma que a memória escolhe e recria, e o poeta inventa, chegando mais perto da verdadeira realidade. Isso implica que a linguagem da invenção é diferente da reportagem, que se limita ao registro imediato.
"Porque a memória escolhe, recria. [...] o poeta nunca se lembra, propriamente; inventa. E por isso é que ele fica muito mais perto da verdadeira realidade."
A alternativa parafraseia corretamente essa distinção.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A expressão "desconfiar da observação direta" é relativa, não absoluta. O texto não diz que o romancista não pode nunca confiar nos olhos ou nas experiências pessoais, mas que deve evitar a observação imediata. A alternativa generaliza indevidamente (generalização indevida).
Alternativa D — ❌ Incorreta
O texto contraria essa afirmação: diz que o poeta fica "muito mais perto da verdadeira realidade" que o romancista que se limita à reportagem. Logo, a alternativa contradiz o texto.
"Quanto ao poeta, este nunca se lembra, propriamente; inventa. E por isso é que ele fica muito mais perto da verdadeira realidade."
Alternativa E — ❌ Incorreta
O texto não aborda o "poder expressivo das palavras" nem estimula a qualidade pela desconfiança. O foco é a diferença entre observação direta (reportagem) e criação mediada pela memória/invenção. A alternativa está fora do escopo do texto.
Conclusão: A única alternativa que se sustenta inteiramente no texto é a B, que expressa a convicção do autor de que a linguagem da imaginação/invenção não se confunde com a da reportagem.