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Questão de Português — Morfologia - Verbos — FCC 2019

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
fc057046
Banca
FCC
Órgão
SPPREV
Ano
2019
Cargo
Analista em Gestão Previdenciária

                             Mais vale prevenir do que remediar


      Os dicionários trazem lições fundamentais, quanto ao justo sentido das palavras: costumam revelar o seu sentido de origem e o de seu emprego atual. Os provérbios também são esclarecedores: numa forma sintética, formulam lições que nascem do que as criaturas aprendem de suas próprias experiências de vida.

      Veja-se, por exemplo, o que afirma o provérbio “Mais vale prevenir do que remediar”. Prevenir é “tomar a dianteira”, “antecipar”, tal como dispõe o dicionário. Uma palavra que serve de prima-irmã desse verbete é precaver: daí que previdentes e precavidos seriam aqueles que preferem tomar medidas para não serem surpreendidos por fatos indesejáveis e incontornáveis. Nesse campo conceitual, a ideia comum é a valorização de iniciativas que se devem assumir para administrar o nosso destino até onde for possível. Sabemos todos, no entanto, que nem tudo se previne, e nem tudo tem remédio: vem daí outro provérbio popular, “o que não tem remédio, remediado está”. Como se vê, admite que nem tudo tem solução, ao passo que o provérbio que dá o título deste texto insiste em valorizar toda ação pela qual se busca, justamente, evitar a etapa da falta de remédio: prevenir.

      Ainda caminhando pelos verbetes do dicionário e pelas falas dos provérbios, damos com a palavra providência, que tem o sentido comum de “decisão”, “encaminhamento”. Ocorre que se vier com a inicial maiúscula − Providência − estará fazendo subentender a ação divina, a expressão maior de um poder que nos rege a todos. Há quem confie mais na Providência divina do que em qualquer outra instância humana; mas é bom lembrar que há também o provérbio “Deus ajuda a quem cedo madruga”, no qual se sugere que a vontade divina conta com a disposição do nosso trabalho, do nosso empenho, da nossa iniciativa, para se dispor a nos ajudar. Não parece haver contradição alguma entre ter fé, confiar na Providência, e ao mesmo tempo acautelar-se, sendo previdente. A ordem providencial e a ordem previdenciária podem conviver pacificamente, num sistema de reforço mútuo, por que não? A diferença entre ambas está em que a segunda conta com a qualidade da nossa gestão, de vez que seremos responsáveis não apenas pelo espírito de cautela que nos anima, mas sobretudo pelas medidas a tomar para que se administre no presente o que deve ser feito com vistas à garantia de um bom futuro.

                                                                                (Júlio Ribas de Almeida, inédito) 

Todas as formas verbais estão corretamente flexionadas na frase:
  1. AEles reaveram sua credibilidade quando justificaram o sentido do termo que empregaram.
  2. BSe não lhe convir, esqueça o dicionário, mas depois não venha a se arrepender.
  3. CTudo o que ela propora inspirada naquele provérbio acabou sendo ignorado.
  4. DMesmo que requerêssemos nova revisão, a edição do dicionário sairia prejudicada.
  5. ETodos os esclarecimentos que lhes disporam os dicionários foram preciosos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Mesmo que requerêssemos nova revisão, a edição do dicionário sairia prejudicada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Verbos flexionados corretamente

Gabarito: letra D. A única frase em que todas as formas verbais estão de acordo com a norma culta é a apresentada na alternativa D: "Mesmo que requerêssemos nova revisão, a edição do dicionário sairia prejudicada." O verbo "requerer" conjuga-se no imperfeito do subjuntivo como "requerêsse, requeresses, requeresse, requerêssemos, requerêsseis, requeressem". A forma "requerêssemos" está, portanto, correta.

PEGA ESSA DICA!

Para verbos como requerer, reaver, convir, propor e dispor, a conjugação foge dos padrões regulares. Memorize as formas mais problemáticas ou consulte uma tabela de verbos irregulares.

1Reaver (defectivo)
"reaveram" (inexistente)
reouveram (como "houveram")
2Convir (como "vir")
"convir" no futuro do subj.
convier
3Propor (como "pôr")
"propora" (inexistente)
propôs
4Requerer (irregular)
requerêssemos (imperf. subj.)
5Dispor (como "pôr")
"disporam" (inexistente)
dispuseram
Verbos problemáticos
LEVELsoulevel.com.br
Verbos problemáticos: Reaver (defectivo) ("reaveram" (inexistente), reouveram (como "houveram")); Convir (como "vir") ("convir" no futuro do subj., convier); Propor (como "pôr") ("propora" (inexistente), propôs); Requerer (irregular) (requerêssemos (imperf. subj.)); Dispor (como "pôr") ("disporam" (inexistente), dispuseram)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O verbo reaver é defectivo e não apresenta todas as formas. O pretérito perfeito do indicativo na 3.ª pessoa do plural é reouveram (como houveram), e não reaveram. A forma reaveram não é aceita na norma culta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Na oração condicional "Se não lhe convir", o verbo convir está no futuro do subjuntivo, cuja forma correta para a 3.ª pessoa do singular é convier (como vier de vir). Convir é o infinitivo, inadequado para o contexto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O verbo propor tem pretérito mais-que-perfeito do indicativo propôs (3.ª pessoa do singular), e não propora. A forma propora não existe na conjugação padrão.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Requerer é um verbo irregular, mas a forma requerêssemos (1.ª pessoa do plural do imperfeito do subjuntivo) está de acordo com a gramática normativa: que eu requeresse, que tu requeresses, que ele requeresse, que nós requerêssemos, que vós requerêsseis, que eles requeressem.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O verbo dispor conjuga-se como pôr. O pretérito perfeito do indicativo na 3.ª pessoa do plural é dispuseram (como puseram), e não disporam.

Conclusão: Apenas a alternativa D apresenta todas as formas verbais flexionadas corretamente. As demais empregam conjugações que não existem ou não se aplicam na norma culta do português.

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