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Questão de Português — Pontuação — FCC 2019

PortuguêsPontuação
Código
fc057047
Banca
FCC
Órgão
SPPREV
Ano
2019
Cargo
Analista em Gestão Previdenciária

                             Mais vale prevenir do que remediar


      Os dicionários trazem lições fundamentais, quanto ao justo sentido das palavras: costumam revelar o seu sentido de origem e o de seu emprego atual. Os provérbios também são esclarecedores: numa forma sintética, formulam lições que nascem do que as criaturas aprendem de suas próprias experiências de vida.

      Veja-se, por exemplo, o que afirma o provérbio “Mais vale prevenir do que remediar”. Prevenir é “tomar a dianteira”, “antecipar”, tal como dispõe o dicionário. Uma palavra que serve de prima-irmã desse verbete é precaver: daí que previdentes e precavidos seriam aqueles que preferem tomar medidas para não serem surpreendidos por fatos indesejáveis e incontornáveis. Nesse campo conceitual, a ideia comum é a valorização de iniciativas que se devem assumir para administrar o nosso destino até onde for possível. Sabemos todos, no entanto, que nem tudo se previne, e nem tudo tem remédio: vem daí outro provérbio popular, “o que não tem remédio, remediado está”. Como se vê, admite que nem tudo tem solução, ao passo que o provérbio que dá o título deste texto insiste em valorizar toda ação pela qual se busca, justamente, evitar a etapa da falta de remédio: prevenir.

      Ainda caminhando pelos verbetes do dicionário e pelas falas dos provérbios, damos com a palavra providência, que tem o sentido comum de “decisão”, “encaminhamento”. Ocorre que se vier com a inicial maiúscula − Providência − estará fazendo subentender a ação divina, a expressão maior de um poder que nos rege a todos. Há quem confie mais na Providência divina do que em qualquer outra instância humana; mas é bom lembrar que há também o provérbio “Deus ajuda a quem cedo madruga”, no qual se sugere que a vontade divina conta com a disposição do nosso trabalho, do nosso empenho, da nossa iniciativa, para se dispor a nos ajudar. Não parece haver contradição alguma entre ter fé, confiar na Providência, e ao mesmo tempo acautelar-se, sendo previdente. A ordem providencial e a ordem previdenciária podem conviver pacificamente, num sistema de reforço mútuo, por que não? A diferença entre ambas está em que a segunda conta com a qualidade da nossa gestão, de vez que seremos responsáveis não apenas pelo espírito de cautela que nos anima, mas sobretudo pelas medidas a tomar para que se administre no presente o que deve ser feito com vistas à garantia de um bom futuro.

                                                                                (Júlio Ribas de Almeida, inédito) 

A supressão da vírgula altera o sentido da frase:
  1. AAprende-se muito, ao caminhar pelos verbetes de um bom dicionário.
  2. BA cada vez que encontra uma palavra desconhecida, ele consulta um dicionário.
  3. CPode-se e deve-se confiar nos dicionários, cuja edição se faz com critério.
  4. DPor pura preguiça, ele se esquiva sempre de pesquisar palavras no dicionário.
  5. EAinda quando confiantes no sentido de uma palavra, devemos conferi-lo no dicionário.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Pode-se e deve-se confiar nos dicionários, cuja edição se faz com critério.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Supressão da vírgula e alteração de sentido

Gabarito: letra C. A única alternativa em que a retirada da vírgula transforma uma oração adjetiva explicativa em restritiva, alterando o alcance do termo antecedente.

Análise:

A supressão da vírgula só altera o sentido quando separa termos que, sem ela, passam a integrar-se de modo diferente na oração. O caso clássico é a oração adjetiva explicativa (com vírgula) vs. restritiva (sem vírgula).

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Aprende-se muito, ao caminhar pelos verbetes de um bom dicionário." — A vírgula isola um adjunto adverbial curto. Suprimida, a frase continua a mesma ideia: "aprende-se muito ao caminhar". Sem alteração de sentido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"A cada vez que encontra uma palavra desconhecida, ele consulta um dicionário." — A vírgula separa a oração subordinada temporal anteposta de sua principal. Sua supressão mantém a ordem e o sentido inalterados (a oração temporal continua com a mesma função).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Pode-se e deve-se confiar nos dicionários, cuja edição se faz com critério." — Com a vírgula, a oração "cuja edição se faz com critério" é explicativa: indica que todos os dicionários, por definição, têm edição criteriosa. Sem a vírgula, torna-se restritiva: apenas os dicionários cuja edição é feita com critério merecem confiança. Isso muda completamente a abrangência da afirmação. Portanto, a supressão altera o sentido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Por pura preguiça, ele se esquiva sempre de pesquisar palavras no dicionário." — O adjunto adverbial causal "por pura preguiça" está deslocado. A vírgula é facultativa; sua retirada não modifica o sentido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Ainda quando confiantes no sentido de uma palavra, devemos conferi-lo no dicionário." — A vírgula separa uma oração concessiva reduzida anteposta. Retirá-la não altera o sentido, apenas a pausa.

NÃO CAIA NESSA!

Muitos candidatos podem achar que a alteração ocorre em qualquer oração adjetiva, mas é preciso lembrar que a vírgula é obrigatória para marcar a explicativa. A banca explora exatamente essa diferença.

Gabarito: letra C.

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