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Questão de Português — Morfologia - Verbos — FCC 2019

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
fc057048
Banca
FCC
Órgão
SPPREV
Ano
2019
Cargo
Analista em Gestão Previdenciária

                             Mais vale prevenir do que remediar


      Os dicionários trazem lições fundamentais, quanto ao justo sentido das palavras: costumam revelar o seu sentido de origem e o de seu emprego atual. Os provérbios também são esclarecedores: numa forma sintética, formulam lições que nascem do que as criaturas aprendem de suas próprias experiências de vida.

      Veja-se, por exemplo, o que afirma o provérbio “Mais vale prevenir do que remediar”. Prevenir é “tomar a dianteira”, “antecipar”, tal como dispõe o dicionário. Uma palavra que serve de prima-irmã desse verbete é precaver: daí que previdentes e precavidos seriam aqueles que preferem tomar medidas para não serem surpreendidos por fatos indesejáveis e incontornáveis. Nesse campo conceitual, a ideia comum é a valorização de iniciativas que se devem assumir para administrar o nosso destino até onde for possível. Sabemos todos, no entanto, que nem tudo se previne, e nem tudo tem remédio: vem daí outro provérbio popular, “o que não tem remédio, remediado está”. Como se vê, admite que nem tudo tem solução, ao passo que o provérbio que dá o título deste texto insiste em valorizar toda ação pela qual se busca, justamente, evitar a etapa da falta de remédio: prevenir.

      Ainda caminhando pelos verbetes do dicionário e pelas falas dos provérbios, damos com a palavra providência, que tem o sentido comum de “decisão”, “encaminhamento”. Ocorre que se vier com a inicial maiúscula − Providência − estará fazendo subentender a ação divina, a expressão maior de um poder que nos rege a todos. Há quem confie mais na Providência divina do que em qualquer outra instância humana; mas é bom lembrar que há também o provérbio “Deus ajuda a quem cedo madruga”, no qual se sugere que a vontade divina conta com a disposição do nosso trabalho, do nosso empenho, da nossa iniciativa, para se dispor a nos ajudar. Não parece haver contradição alguma entre ter fé, confiar na Providência, e ao mesmo tempo acautelar-se, sendo previdente. A ordem providencial e a ordem previdenciária podem conviver pacificamente, num sistema de reforço mútuo, por que não? A diferença entre ambas está em que a segunda conta com a qualidade da nossa gestão, de vez que seremos responsáveis não apenas pelo espírito de cautela que nos anima, mas sobretudo pelas medidas a tomar para que se administre no presente o que deve ser feito com vistas à garantia de um bom futuro.

                                                                                (Júlio Ribas de Almeida, inédito) 

Há forma verbal na voz passiva em regular concordância com o sujeito em:
  1. ACaminha-se pelos verbetes de um dicionário aprendendo-se a significação que contém as palavras.
  2. BGarante-se o convívio harmonioso entre a previdência e a Providência quando se respeita o que é próprio de cada uma.
  3. CNão cabem aos descrentes recriminar os que depositam mais confiança na Providência do que na previdência.
  4. DA inicial maiúscula em certas palavras, tal como ocorre com Providência, são capazes de lhes dar um sentido mais específico.
  5. EReservam-se aos dicionários a decisão final quanto ao sentido de cada uma das palavras que neles se apresentam.
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GabaritoB — Garante-se o convívio harmonioso entre a previdência e a Providência quando se respeita o que é próprio de cada uma.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Voz passiva e concordância verbal

Gabarito: letra B. A alternativa B apresenta duas formas verbais na voz passiva sintética — "Garante-se" e "se respeita" — ambas em concordância regular com seus respectivos sujeitos. O comando pede a alternativa em que "há forma verbal na voz passiva em regular concordância com o sujeito". Vejamos cada opção.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Caminha-se pelos verbetes de um dicionário aprendendo-se a significação que contém as palavras."

  • "Caminha-se": verbo intransitivo + se = índice de indeterminação do sujeito, não voz passiva.

  • "Aprendendo-se": gerúndio, não é locução verbal passiva.

  • "Contém": voz ativa.

  • Erro: fora do escopo — não há forma verbal na voz passiva.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Garante-se o convívio harmonioso entre a previdência e a Providência quando se respeita o que é próprio de cada uma."

  • "Garante-se": voz passiva sintética (verbo garantir + se); sujeito "o convívio harmonioso" (singular) → verbo no singular "Garante", concordância regular.

  • "se respeita": voz passiva sintética (verbo respeitar + se); sujeito "o que é próprio" (singular) → verbo no singular "respeita", concordância regular.

  • Ambas as formas estão na voz passiva e concordam com seus sujeitos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Não cabem aos descrentes recriminar os que depositam mais confiança na Providência do que na previdência."

  • "Cabem" e "depositam" estão na voz ativa.

  • "Recriminar": infinitivo impessoal.

  • Erro: fora do escopo — nenhuma forma verbal passiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A inicial maiúscula em certas palavras, tal como ocorre com Providência, são capazes de lhes dar um sentido mais específico."

  • "São capazes": locução de verbo ser + adjetivo "capazes" — voz ativa, não passiva.

  • "Ocorre" e "dar" estão na ativa.

  • Erro: fora do escopo — nenhuma forma verbal passiva.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Reservam-se aos dicionários a decisão final quanto ao sentido de cada uma das palavras que neles se apresentam."

  • "Reservam-se": voz passiva sintética, mas o sujeito é "a decisão final" (singular) → o verbo deveria estar no singular "Reserva-se". Há erro de concordância (plural indevido).

  • "se apresentam": pode ser voz reflexiva ou passiva; sujeito "as palavras" (plural) → concorda, mas a primeira parte já invalida o item.

  • Erro: contradiz o texto (a concordância é irregular).

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca voz passiva sintética na alternativa E, mas com concordância errada (sujeito singular com verbo plural), tentando induzir o candidato a aceitar o "se" como passivo sem verificar a flexão.

PEGA ESSA DICA!

Na voz passiva sintética, o verbo concorda com o sujeito paciente. Identifique o sujeito perguntando "quem/o que é + verbo no particípio?" ou, na sintética, "o que é verbodo?" — se o sujeito for singular, verbo no singular; plural, verbo no plural.

Conclusão: apenas a alternativa B contém forma verbal na voz passiva com concordância regular.

Gabarito: letra B

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