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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2019

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc057052
Banca
FCC
Órgão
SPPREV
Ano
2019
Cargo
Analista em Gestão Previdenciária

                             Mais vale prevenir do que remediar


      Os dicionários trazem lições fundamentais, quanto ao justo sentido das palavras: costumam revelar o seu sentido de origem e o de seu emprego atual. Os provérbios também são esclarecedores: numa forma sintética, formulam lições que nascem do que as criaturas aprendem de suas próprias experiências de vida.

      Veja-se, por exemplo, o que afirma o provérbio “Mais vale prevenir do que remediar”. Prevenir é “tomar a dianteira”, “antecipar”, tal como dispõe o dicionário. Uma palavra que serve de prima-irmã desse verbete é precaver: daí que previdentes e precavidos seriam aqueles que preferem tomar medidas para não serem surpreendidos por fatos indesejáveis e incontornáveis. Nesse campo conceitual, a ideia comum é a valorização de iniciativas que se devem assumir para administrar o nosso destino até onde for possível. Sabemos todos, no entanto, que nem tudo se previne, e nem tudo tem remédio: vem daí outro provérbio popular, “o que não tem remédio, remediado está”. Como se vê, admite que nem tudo tem solução, ao passo que o provérbio que dá o título deste texto insiste em valorizar toda ação pela qual se busca, justamente, evitar a etapa da falta de remédio: prevenir.

      Ainda caminhando pelos verbetes do dicionário e pelas falas dos provérbios, damos com a palavra providência, que tem o sentido comum de “decisão”, “encaminhamento”. Ocorre que se vier com a inicial maiúscula − Providência − estará fazendo subentender a ação divina, a expressão maior de um poder que nos rege a todos. Há quem confie mais na Providência divina do que em qualquer outra instância humana; mas é bom lembrar que há também o provérbio “Deus ajuda a quem cedo madruga”, no qual se sugere que a vontade divina conta com a disposição do nosso trabalho, do nosso empenho, da nossa iniciativa, para se dispor a nos ajudar. Não parece haver contradição alguma entre ter fé, confiar na Providência, e ao mesmo tempo acautelar-se, sendo previdente. A ordem providencial e a ordem previdenciária podem conviver pacificamente, num sistema de reforço mútuo, por que não? A diferença entre ambas está em que a segunda conta com a qualidade da nossa gestão, de vez que seremos responsáveis não apenas pelo espírito de cautela que nos anima, mas sobretudo pelas medidas a tomar para que se administre no presente o que deve ser feito com vistas à garantia de um bom futuro.

                                                                                (Júlio Ribas de Almeida, inédito) 

No segundo parágrafo do texto,
  1. Aos dois provérbios referidos devem ser entendidos como formas diferentes de enunciar uma mesma significação.
  2. Bexplora-se o sentido negativo do que seja uma “prevenção”, na acepção que ela pode ter de “atitude preconceituosa”.
  3. Ccita-se por inteiro um provérbio com o qual se pode relativizar o que afirma o provérbio que dá o título ao texto.
  4. Do autor insiste na ideia de que a sabedoria dos provérbios está em não se contradizerem em suas lições básicas.
  5. Eo conceito de “prevenir” é tomado no duplo sentido de antecipar o que é possível e de postergar o que é inevitável.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — cita-se por inteiro um provérbio com o qual se pode relativizar o que afirma o provérbio que dá o título ao texto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Gabarito: letra C. No segundo parágrafo, o autor cita integralmente o provérbio “o que não tem remédio, remediado está” para relativizar a ideia do provérbio-título (“Mais vale prevenir do que remediar”), mostrando que nem tudo se previne ou tem solução. Isso está explícito no trecho: “Sabemos todos, no entanto, que nem tudo se previne, e nem tudo tem remédio: vem daí outro provérbio popular, ‘o que não tem remédio, remediado está’. Como se vê, admite que nem tudo tem solução, ao passo que o provérbio que dá o título deste texto insiste em valorizar toda ação pela qual se busca, justamente, evitar a etapa da falta de remédio: prevenir.”

Alternativa A — ❌ Incorreta

Os dois provérbios expressam ideias opostas: um valoriza a prevenção; o outro aceita a falta de remédio. Não são “formas diferentes de enunciar uma mesma significação”. O texto os contrasta, não os iguala.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O texto não explora sentido negativo de “prevenção” nem menciona “atitude preconceituosa”. A definição dada é neutra: “tomar a dianteira”, “antecipar”. A alternativa extrapola informação ausente.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como visto, o autor cita por inteiro o provérbio “o que não tem remédio, remediado está” para contrapor e relativizar a máxima do título. A passagem citada comprova.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O autor não afirma que os provérbios não se contradizem; pelo contrário, mostra que um relativiza o outro. A palavra “insiste” é inadequada: ele apenas constata a coexistência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O texto não atribui a “prevenir” o sentido de “postergar”. A definição é apenas antecipatória. A alternativa tenta impor um duplo sentido inexistente no parágrafo.

Conclusão: a única alternativa ancorada no texto é a C. As demais ou contradizem o texto ou acrescentam dados estranhos a ele.

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