Questão de Serviço Social — Proteção Social à Criança, ao Adolescente e à Família — FCC 2019
Serviço Social›Proteção Social à Criança, ao Adolescente e à Família
Código
fc057297
Banca
FCC
Órgão
TJ-MA
Ano
2019
Cargo
Analista Judiciário - Assistente social
A matricialidade familiar, como um dos seus eixos estruturantes das políticas sociais, deve ser compreendida a partir
Ado modelo idealizado de família no que se refere à sua composição e relações internas, tendo em vista as transformações políticas, econômicas e culturais que afetam a realidade.
Bda dimensão de vida privada e pública da família, a atenção ao seu desenvolvimento interno e ao protagonismo social, de modo que possa se tornar um espaço de ressonância das necessidades coletivas e de mobilização à participação social.
Cdos padrões já estabelecidos no trato com as famílias e expectativas quanto ao seu funcionamento e desempenho dos papéis paterno e materno, independentemente do lugar social que ocupam no sistema de classes e de estratificação social.
Dda responsabilização das famílias pelos seus problemas, dificuldades e condições de vulnerabilidade social, para que possam ser protagonistas da superação dos problemas sociais enfrentados.
Eda questão de gênero, levando em conta os estudos já realizados de que a mulher é uma boa gestora do lar e, portanto, deve ser o foco da intervenção, com a efetivação de ações socioeducativas para qualificar a administração da pobreza da família.
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GabaritoB — da dimensão de vida privada e pública da família, a atenção ao seu desenvolvimento interno e ao protagonismo social, de modo que possa se tornar um espaço de ressonância das necessidades coletivas e de mobilização à participação social.
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Matricialidade familiar nas políticas sociais
Gabarito: letra B. A matricialidade familiar, eixo estruturante da política de assistência social (LOAS/SUAS), deve ser compreendida a partir da articulação entre as dimensões privada e pública da família, reconhecendo seu desenvolvimento interno e seu protagonismo social como espaço de ressonância das necessidades coletivas e de mobilização à participação social (alternativa B). As demais alternativas distorcem o conceito ao idealizar, culpabilizar ou estereotipar a família.
A Lei Orgânica da Assistência Social (Lei 8.742/1993) estabelece como diretriz a centralidade da família, mas sem adotar modelos rígidos. O SUAS fundamenta-se no respeito à autonomia, à convivência familiar e comunitária, e na universalização dos direitos sociais. A matricialidade sociofamiliar pressupõe que a família seja vista como sujeito de direitos, capaz de se organizar coletivamente, e não como objeto de intervenção normativa ou culpabilização.
Matricialidade familiar (LOAS/SUAS)
1Eixo estruturante
Dimensão privada
Desenvolvimento interno
Apoio às potencialidades
Dimensão pública
Protagonismo social
Ressonância das necessidades coletivas
Mobilização à participação
2Princípios
Respeito à autonomia
Diversidade de arranjos
Família como sujeito de direitos
Não culpabilização
3O que NÃO é
Modelo idealizado
Padrões fixos de papéis
Responsabilização pelos problemas
Estereótipo de gênero
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Apresenta a família a partir de um modelo idealizado de composição e relações internas. A política social não parte de um padrão ideal, mas reconhece a diversidade de arranjos familiares e as transformações históricas. A LOAS/SUAS valoriza a família real, com suas potencialidades e vulnerabilidades, não um modelo abstrato.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Integra a dimensão privada (atenção ao desenvolvimento interno) com a dimensão pública (protagonismo social, ressonância das necessidades coletivas, mobilização à participação). Essa visão é coerente com os princípios do SUAS: a família é simultaneamente espaço de proteção e de exercício da cidadania, devendo ser apoiada para que se torne agente de transformação social.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Impõe padrões já estabelecidos e expectativas fixas quanto aos papéis paterno e materno, independentemente do lugar social da família. A matricialidade não pode reproduzir papéis tradicionais; ela deve considerar a diversidade cultural, de classe e de gênero, conforme diretriz de respeito à autonomia e à dignidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Culpabiliza a família ao responsabilizá-la pelos seus problemas e pela superação das vulnerabilidades. A política de assistência social tem o Estado como provedor de direitos, não transferindo a responsabilidade às famílias. O foco é a proteção e o fortalecimento, não a cobrança individual.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Reduz a matricialidade à questão de gênero de forma estereotipada, associando a mulher a uma "boa gestora do lar" e propondo ações socioeducativas para administrar a pobreza. Embora gênero seja relevante, a abordagem correta não é instrumentalizar a mulher como gestora da pobreza, mas sim reconhecer e enfrentar as desigualdades estruturais, promovendo autonomia e participação igualitária.
PEGA ESSA DICA!
A banca testa a compreensão crítica do conceito de matricialidade familiar no SUAS. Lembre-se: a família é sujeito de direitos, não objeto de controle ou culpabilização. A política de assistência social é não contributiva e deve fortalecer vínculos sem impor modelos. Sempre desconfie de alternativas que idealizam, culpabilizam ou estereotipam a família.