Respeitam-se as normas de concordância verbal numa forma da voz passiva na frase:
ATanto à Cecília Meireles como ao autor do texto assaltam o medo de morrer,
BO autor sente que rios e árvores, tudo o que é da natureza habitam seu corpo.
CPelo vento frio das tardes jamais serão agraciados os seres a que falta um corpo.
DAs alegrias que houverem no outro mundo já não terão raízes em nosso corpo.
ESão das alegrias materiais que o autor se ressentirá caso o destinem ao paraíso.
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GabaritoC — Pelo vento frio das tardes jamais serão agraciados os seres a que falta um corpo.
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Concordância verbal na voz passiva: o sujeito paciente manda no verbo
Gabarito: letra C. A única frase que respeita as normas de concordância verbal numa forma da voz passiva é a C, pois o verbo "serão agraciados" concorda corretamente com o sujeito paciente "os seres a que falta um corpo". A concordância na voz passiva segue a mesma regra da ativa: o verbo concorda com o sujeito — aqui, o sujeito paciente, que recebe a ação. Como se lê no texto-base, "espíritos, seres etéreos que, ao que consta, não sofrem os efeitos da gravidade" — são esses "seres" que "serão agraciados" pelo vento frio, e o plural está correto.
O comando pede que você identifique a frase em que a concordância verbal está correta numa forma da voz passiva. Isso significa que você deve, primeiro, reconhecer a estrutura passiva (verbo ser + particípio) e, depois, verificar se o verbo concorda em número e pessoa com o sujeito paciente. Não basta a frase "soar bem" — é preciso analisar sintaticamente.
No texto, o autor fala de seu medo do céu, onde não haveria "barcas e gaivotas", nem "a alegria animal" do mergulho. Os "espíritos, seres etéreos" são descritos como incapazes de sentir prazer físico: "A alegria animal esta vedada aos espiritos, seres etereos que, ao que consta, nao sofrem os efeitos da gravidade". É exatamente essa ideia que a alternativa C retoma: os seres sem corpo (os espíritos) não serão agraciados pelo vento frio.
A técnica para resolver é direta: na voz passiva analítica, o verbo auxiliar "ser" concorda com o sujeito paciente. Identifique o sujeito de cada frase e veja se o verbo está no plural ou singular correto. A pegadinha clássica da banca é inverter a lógica: fazer o verbo concordar com um termo que não é o sujeito, como o agente da passiva ou um complemento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura voz passiva com outros desvios de concordância. Em A, o verbo "assaltam" concorda com "o medo" (singular) em vez de "Cecília Meireles e o autor" (plural). Em B, o verbo "habitam" concorda com "tudo" (singular) em vez de "rios e árvores" (plural). Em D, o verbo "houverem" está no plural, mas o verbo "haver" no sentido de existir é impessoal e fica no singular. Em E, o verbo "destinem" está no plural, mas o sujeito é "o autor" (singular).
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Tanto à Cecília Meireles como ao autor do texto assaltam o medo de morrer."
O verbo "assaltam" está no plural, mas o sujeito é "o medo de morrer" (singular). A frase deveria ser "assalta o medo de morrer". O erro é de concordância verbal — o verbo não concorda com o sujeito. A banca tenta confundir fazendo o verbo concordar com "Cecília Meireles e o autor", que são objetos indiretos (introduzidos por "a"), não o sujeito.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"O autor sente que rios e árvores, tudo o que é da natureza habitam seu corpo."
Aqui, o núcleo do sujeito da oração "habitam seu corpo" é "tudo" (singular), apesar de vir acompanhado de "rios e árvores". A concordância correta seria "tudo o que é da natureza habita seu corpo". O erro é de concordância verbal — o verbo deveria concordar com o pronome indefinido "tudo", que é singular.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Pelo vento frio das tardes jamais serão agraciados os seres a que falta um corpo."
Esta é a voz passiva analítica: serão agraciados = verbo ser (futuro do presente) + particípio de agraciar. O sujeito paciente é "os seres a que falta um corpo" (plural). O verbo "serão" concorda corretamente com o sujeito plural. A concordância está perfeita. Note que "a que falta um corpo" é uma oração adjetiva que se refere a "seres", e o verbo "falta" concorda com "um corpo" (singular), o que também está correto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"As alegrias que houverem no outro mundo já não terão raízes em nosso corpo."
O verbo "houverem" está no plural, mas o verbo "haver" no sentido de existir é impessoal e deve ficar na 3ª pessoa do singular: "As alegrias que houver no outro mundo". O erro é de concordância verbal com verbo impessoal. A banca explora a confusão entre o "haver" existencial (impessoal) e o "haver" como auxiliar (que pode flexionar).
Alternativa E — ❌ Incorreta
"São das alegrias materiais que o autor se ressentirá caso o destinem ao paraíso."
O verbo "destinem" está no plural, mas o sujeito é "o autor" (singular). A frase correta seria "caso o destinem" — não, na verdade, o sujeito de "destinem" é indeterminado (eles, alguém), mas o pronome "o" (que se refere a "o autor") é objeto direto. A concordância do verbo "destinem" com sujeito indeterminado (3ª pessoa do plural) está correta, mas a frase não está na voz passiva. O erro aqui é que a frase não apresenta uma forma de voz passiva, como pede o enunciado. Além disso, a construção "São das alegrias materiais que" é uma ênfase (clivagem), não uma passiva.
Conclusão: a regra de ouro é: na voz passiva, o verbo concorda com o sujeito paciente. Teste cada alternativa perguntando: "qual é o sujeito?" e "o verbo concorda com ele?". A única que acerta é a C, que faz o verbo "serão" concordar com "os seres".