Valores da propaganda – Inferência da tese central
Gabarito: letra B. O texto supõe que a linguagem da propaganda é indiferente ao produto que se vende, pois o mesmo estilo e as mesmas técnicas são usados para qualquer conteúdo – de sabão a sinfonias. A passagem que ancora essa ideia está no trecho: “a mesma voz que prega sobre as coisas superiores da vida, tais como a arte, a amizade ou a religião, exorta o ouvinte a escolher uma determinada marca de sabão” e também “um redator hábil pode ter escrito qualquer um deles” (panfletos de aprimoramento pessoal e de laxativos).
O comando pede o que está suposto (inferido) no centro da argumentação. A tese do autor é que, na sociedade moderna, a propaganda homogeneizou a expressão, tornando-a um mero instrumento de mercado, indiferente ao valor intrínseco do que divulga.
Alternativa | Afirmação | Análise | Conclusão |
|---|
A | O aprendizado de técnicas de propaganda serve melhor à compreensão das artes. | O texto afirma que a arte está a serviço da propaganda, não o contrário. | ❌ Incorreta |
B | Para a linguagem da propaganda é indiferente o produto que se disponha a vender. | O texto mostra que a mesma voz e estilo são usados para qualquer produto (sabão, arte, religião). | ✅ Correta (Gabarito) |
C | Na venda de um produto de excelência a propaganda torna-se dispensável. | O texto afirma que até arte e religião são submetidas à lógica da propaganda. | ❌ Incorreta |
D | A eventual ineficácia de um produto é compensada pela eficácia da propaganda. | O texto não aborda essa relação de compensação. | ❌ Incorreta |
E | O trabalho dos publicitários modernos deve tudo ao que as grandes artes lhe legaram. | O texto não estabelece essa dívida ou herança. | ❌ Incorreta |
Alternativa A — ❌ Incorreta
“é o aprendizado de técnicas de propaganda que melhor serve à compreensão das artes.”
O texto jamais afirma que técnicas de propaganda ajudam a compreender as artes. Pelo contrário, ele diz que a arte é escrita tendo em vista “o seu valor de propaganda”, ou seja, a arte está a serviço da propaganda, não o inverso. Erro de extrapolação: a alternativa acrescenta uma relação de causa-efeito que não existe no texto.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“para a linguagem da propaganda é indiferente o produto que se disponha a vender.”
Essa é a tese central. O autor mostra que a mesma voz e o mesmo estilo são empregados para “coisas superiores” (arte, amizade, religião) e para sabão, para panfletos de autoajuda e para laxativos. O redator hábil pode escrever qualquer um, pois a expressão se tornou “instrumento a serviço do mercado”. Portanto, a propaganda trata todo produto (material ou espiritual) da mesma forma, indiferente ao que se vende.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“na venda de um produto de excelência a propaganda torna-se dispensável.”
O texto não diz que propaganda é dispensável para produtos excelentes. Ao contrário, ele afirma que até a arte e a religião (excelências) são submetidas à lógica da propaganda. Erro de contradição com o texto: a propaganda, no texto, é onipresente, não dispensável.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“a eventual ineficácia de um produto é compensada pela eficácia da propaganda.”
Não há discussão sobre eficácia de produtos ou compensação. O texto foca na homogeneização da linguagem, não na eficácia comparativa. Erro de extrapolação: introduz uma ideia de compensação que o texto não aborda.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“o trabalho dos publicitários modernos deve tudo ao que as grandes artes lhe legaram.”
O texto afirma o oposto: a arte agora é escrita considerando seu valor de propaganda, e um redator pode escrever tanto um romance quanto um anúncio de laxante. A relação de influência é da propaganda sobre a arte, não da arte sobre a propaganda. Erro de inversão do sentido: a alternativa inverte a direção da influência apresentada no texto.
Gabarito: letra B.