Compreensão do texto sobre a Carta de Kafka
Gabarito: letra A. Ao supor que a Carta seja uma construção ficcional, o autor não esvazia a possibilidade de o sofrimento e a humilhação expostos atingirem o leitor. A passagem decisiva confirma:
"Pode se tratar de uma construção ficcional ou um pai figurado, mais ou menos próximo do verdadeiro. Mas isso atenua o sofrimento do narrador? O leitor acredita na figuração desse pai. Em cada página, o que prevalece é uma alternância de sofrimento e humilhação, imposta por um homem prepotente e autoritário."
O autor levanta a hipótese da ficcionalidade, mas logo a relativiza: o fato de ser ou não real não atenua o sofrimento narrado, pois o leitor acredita na representação e é por ela afetado. A alternativa A capta exatamente esse raciocínio.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A frase "nem por isso esvazia a possibilidade de que o sofrimento e a humilhação nela expostos atinjam o leitor" é uma paráfrase fiel da dúvida retórica e da conclusão do texto. O autor não nega o impacto emocional; ao contrário, o reafirma.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"desse modo acentua o evidente exagero das páginas cruéis"
Erro: extrapolação (acrescenta opinião). O texto em nenhum momento qualifica o sofrimento como "exagero" nem diz que o autor o "acentua". O que há é uma alternância de sofrimento e humilhação, e o leitor acredita na figuração. A palavra "exagero" é um juízo de valor externo ao texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"ressalva assim o fato de que o narrador forjou inteiramente seus sofrimentos para ganhar a adesão emocional do leitor"
Erro: extrapolação (acrescenta intenção). O texto não afirma que o narrador "forjou" os sofrimentos nem que há a intenção de "ganhar adesão". A hipótese é de construção ficcional, mas o autor não atribui má-fé ou manipulação ao narrador. Além disso, o advérbio "inteiramente" é restritivo demais.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"lembra por isso que a literatura vive de invenções que pouco têm a ver com situações que se possam comprovar na vida real"
Erro: extrapolação (fuga ao tema). O texto discute este caso específico da Carta ao pai; não faz uma afirmação geral sobre a literatura. Dizer que as invenções literárias "pouco têm a ver" com a vida real é uma generalização que o texto não sustenta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"mostra com isso que nessa suposta carta, provinda de um impostor literário, não há mais que a projeção de um filho e de um pai hipotéticos"
Erro: extrapolação (redução do sentido). O texto não reduz a carta a mera "projeção" nem classifica o autor como "impostor literário". Ao contrário, o leitor acredita na figuração, o que implica que a carta tem força e verossimilhança, não sendo apenas hipotética.