Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2019
- Código
- fc058150
- Banca
- FCC
- Órgão
- Câmara de Fortaleza - CE
- Ano
- 2019
- AI e III.
- BI.
- CII.
- DIII.
- EII e III.
GabaritoA — I e III.
Gabarito: letra A (itens I e III). A reescrita dos itens I e III preserva o sentido original e está de acordo com a norma-padrão; o item II contém erro de concordância verbal que o torna inadequado.
Original: "A maioria dos escravos brasileiros" − afirmava ele − "descendia de escravos introduzidos no país por um tráfico não só desumano como criminoso."
Reescrita: "A maioria dos escravos brasileiros", afirmava ele, "descendiam de escravos introduzidos no país por um tráfico não só desumano como criminoso."
A banca considerou aceitável o uso de "descendiam" (plural) com o sujeito "a maioria dos escravos brasileiros", pois a concordância com a parte especificadora ("dos escravos") é admitida na norma culta. Além disso, a substituição dos travessões por vírgulas é um recurso válido para indicar o discurso direto. O sentido permanece idêntico: Torres Homem afirma que a maioria dos escravos descendia de tráfico criminoso.
Em expressões como "a maioria de", "grande parte de", a concordância pode ser feita com o núcleo singular (maioria) ou com o termo especificador (escravos); ambas são aceitas, embora a singular seja mais formal.
Original: "Nada pois mais justo que se tomassem medidas para acabar com a escravidão."
Reescrita: "Nada, pois, mais legítimo que se tomasse medidas para suprimir a escravidão."
Aqui, o erro está na concordância verbal: o sujeito da oração "se tomasse medidas" é "medidas" (plural), portanto o verbo deve estar no plural: "tomassem". A forma singular "tomasse" quebra a concordância com a norma-padrão. Embora "legítimo" e "suprimir" sejam sinônimos aceitáveis, o deslize gramatical torna a reescrita incorreta. O sentido até seria preservado, mas a regra é clara: exige-se também a correção gramatical.
O candidato pode se iludir com as palavras "justo" ↔ "legítimo" e "acabar com" ↔ "suprimir", mas o verdadeiro problema está na concordância do verbo "tomasse" com o núcleo plural "medidas".
Original: "Diziam ainda que, emancipando-se os filhos e mantendo os pais no cativeiro, criar-se-iam nas senzalas duas classes de indivíduos"
Reescrita: "Diziam ainda que, emancipando-se os filhos e mantendo os pais no cativeiro, duas classes de indivíduos seriam criadas nas senzalas."
A reescrita transforma a voz passiva sintética (criar-se-iam) em analítica (seriam criadas), mantendo o mesmo tempo (futuro do pretérito) e sentido. A inversão na ordem dos termos não altera a informação. Tudo conforme a norma-padrão.
A passagem de "verbo+se" (passiva sintética) para "ser + particípio" (passiva analítica) é sempre possível, desde que o verbo principal esteja no mesmo tempo/modo. Aqui, "criar-se-iam" (futuro do pretérito) vira "seriam criadas" (futuro do pretérito composto), perfeito.
Apenas os itens I e III atendem aos dois requisitos: não alterar o sentido do texto e respeitar a norma-padrão. Portanto, a alternativa que contém exatamente I e III é a letra A.
Gabarito: letra A
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