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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2019

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc058154
Banca
FCC
Órgão
Câmara de Fortaleza - CE
Ano
2019
Os debates travados na Câmara e pela imprensa em torno da Lei do Ventre Livre fizeram da emancipação dos escravos uma questão nacional. O projeto do governo foi apresentado à Câmara em 12 de maio de 1871. Para alguns, o projeto era avançado demais, para outros, excessivamente tímido. Os defensores do projeto usaram argumentos morais e econômicos. Argumentavam que o trabalho livre era mais produtivo que o escravo. Diziam que a existência da escravidão era uma barreira à imigração, pois que os imigrantes recusavam-se a vir para um país de escravos. A emancipação abriria as portas à tão desejada imigração. Usando de argumentos morais, denunciavam os que, em nome do direito de propriedade, defendiam a escravidão e se opunham à aprovação do projeto. Não era legítimo invocar o direito de propriedade em se tratando de escravos. “Propriedade de escravos” − dizia Torres Homem, político famoso, homem de cor e de origens modestas que chegara ao Senado depois de brilhante carreira – “era uma monstruosa violação do direito natural.” “A maioria dos escravos brasileiros” − afirmava ele − “descendia de escravos introduzidos no país por um tráfico não só desumano como criminoso. Nada pois mais justo que se tomassem medidas para acabar com a escravidão.” Em contrapartida, os mais arraigados defensores da escravidão consideravam o projeto uma intromissão indébita do governo na atividade privada. Argumentavam que o projeto ameaçava o direito de propriedade garantido pela Constituição. Segundo a prática, que datava do período colonial, o filho de mãe escrava pertencia ao senhor. Qualquer lei que viesse a conceder liberdade ao filho de escrava era, pois, um atentado à propriedade e, o que era pior, abria a porta a todas as formas de abusos contra esse direito. Acusavam o projeto de ameaçar de ruína os proprietários e de pôr em risco a economia nacional e a ordem pública. Diziam ainda que, emancipando-se os filhos e mantendo os pais no cativeiro, criar-se-iam nas senzalas duas classes de indivíduos, minando, dessa forma, a instituição escravista pois não tardaria muito para que os escravos questionassem a legitimidade de sua situação.(Adaptado de: COSTA, Emília Viotti da. A Abolição. São Paulo: Editora Unesp, 2010, p. 49-52)Considere as afirmações abaixo.I. De acordo com a autora, o texto do projeto apresentado à Câmara era ambíguo.II. Os defensores do projeto argumentavam que o direito à propriedade não era um direito legítimo.III. Os opositores do projeto argumentavam que este contrariava um direito assegurado pela Constituição.Está correto o que se afirma APENAS em
  1. AIII.
  2. BI.
  3. CII.
  4. DI e II.
  5. EII e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — III.

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Questão sobre a Lei do Ventre Livre – FCC 2019

Gabarito: A (apenas III). A questão cobra compreensão textual: localizar no texto as afirmações que são sustentadas explicitamente. Apenas o item III encontra correspondência literal no texto. Os itens I e II extrapolam ou restringem o que foi dito.

Análise do texto

O texto apresenta os debates em torno do projeto da Lei do Ventre Livre. Nele, há opiniões divergentes: "Para alguns, o projeto era avançado demais, para outros, excessivamente tímido." Os defensores usavam argumentos morais e econômicos; os opositores invocavam o direito de propriedade constitucional.

Item

Afirmação no texto

Correspondência literal?

Correção

I

O texto do projeto era ambíguo.

Não. O texto diz que havia opiniões divergentes sobre o projeto, mas não que o texto era ambíguo.

❌ Incorreta

II

Os defensores argumentavam que o direito à propriedade não era legítimo.

Não. A crítica era específica à propriedade de escravos, não ao direito de propriedade em geral.

❌ Incorreta

III

Os opositores argumentavam que o projeto contrariava um direito constitucional.

Sim. O texto afirma: "Argumentavam que o projeto ameaçava o direito de propriedade garantido pela Constituição."

✅ Correta

Item I — ❌ Incorreta

"De acordo com a autora, o texto do projeto apresentado à Câmara era ambíguo."

Erro: extrapolação. O texto afirma que havia opiniões divergentes sobre o projeto ("avançado demais" vs "excessivamente tímido"), mas isso não significa que o texto do projeto era ambíguo. Ambiguidade é uma característica do texto em si; aqui, as pessoas interpretaram diferentemente, mas o texto não é descrito como ambíguo. Nome do erro: fora_do_escopo (a informação de ambiguidade não está no texto).

Item II — ❌ Incorreta

"Os defensores do projeto argumentavam que o direito à propriedade não era um direito legítimo."

Erro: generalização indevida. O texto mostra que um defensor (Torres Homem) disse que "não era legítimo invocar o direito de propriedade em se tratando de escravos" e que "Propriedade de escravos era uma monstruosa violação do direito natural." Portanto, a crítica era específica à propriedade de escravos, não ao direito de propriedade em geral. A afirmação II generaliza, tornando-a falsa. Nome do erro: generalização.

Item III — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Os opositores do projeto argumentavam que este contrariava um direito assegurado pela Constituição."

Correta por compreensão literal. O texto afirma: "Argumentavam que o projeto ameaçava o direito de propriedade garantido pela Constituição." A frase é uma paráfrase fiel. A passagem que comprova:

"Argumentavam que o projeto ameaçava o direito de propriedade garantido pela Constituição."

Portanto, o item III está correto.

Conclusão

Apenas o item III é verdadeiro. Logo, a resposta é a alternativa A.

Gabarito: A

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