Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2019
- Código
- fc058382
- Banca
- FCC
- Órgão
- RIOPRETOPREV
- Ano
- 2019
Lá vem a “profeitura”
Por alguma razão, quando meninos falávamos (os da minha rua e cercanias) “profeitura”, em vez de prefeitura. Talvez o equívoco tenha sido motivado pelo medo: temíamos a passagem por nossa pracinha de uma caminhonete oficial do município que volta e meia levava nossa bola embora: era proibido jogar futebol ali. Era quando a gente gritava − “olha a profeitura!” − pra ver se ainda dava tempo de sair correndo e salvar nossa bola.
Logo aprendemos a palavra certa, mas daí não jogávamos mais bola na pracinha, nem tínhamos mais medo da chegada da “profeitura” − esta certamente ficara escondida no porão de algum castelo de monstros, pronta para fazer cumprir a lei, sair rápido da caminhonete e confiscar a bola de moleques teimosos.
As palavras não valem sempre pelo que são ou dizem, em seu real significado; valem também pela impressão que causam, e muitas só ganham intensidade na boca dos meninos que não conhecem bem todas elas e por isso inventam as que mais os impressionam.
(Dionísio Alvarenga, inédito)
- AComo era proibido jogar bola na pracinha, os meninos temiam que ela fosse confiscada.
- BOs meninos temiam que a bola jogada na pracinha fosse-lhes confiscada por ser proibida.
- CTemendo que lhes fossem confiscada, os meninos ainda assim jogavam bola na pracinha.
- DAinda que fosse proibido jogar bola na pracinha, os meninos temiam por seu confisco.
- EMesmo sendo proibido jogar bola na pracinha, os meninos eram temerosos de tal confisco.