Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2019
Português›Interpretação de Textos
Código
fc058391
Banca
FCC
Órgão
RIOPRETOPREV
Ano
2019
Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto:
ASupõem-se que as alegrias que sentimos derivam da propriedade de lhes aceitarmos como puras fruições que são.
BNão é comum imaginar-se que a felicidade possa estar, discretamente, nas nossas pequenas e silenciosas alegrias.
CHá ferramentas em cujo valor não se dá por si mesmas, mas sim, pelo prazer que se pode proporcionar na medida do seu uso.
DSempre haverão os que dizem ser a felicidade um acúmulo máximo dos sentimentos que nos cabem usufruí-los.
EAo proclamar Chico Buarque e Santo Agostinho, o autor lhes considerou na medida que partilham uma tese sobre a alegria comum a ambos.
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GabaritoB — Não é comum imaginar-se que a felicidade possa estar, discretamente, nas nossas pequenas e silenciosas alegrias.
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Redação clara e correta – Paráfrase do texto
Gabarito: letra B. A única alternativa que apresenta redação gramaticalmente correta e fiel ao sentido do texto é a B, pois parafraseia a ideia de que a felicidade costuma ser imaginada como algo grande e barulhento, mas, na verdade, reside nas pequenas alegrias discretas e silenciosas.
"Pensamos que a felicidade é coisa grande, barulhenta, talvez inalcançável... Ao contrário: é discreta, silenciosa e frágil, como uma bolha de sabão."
O texto afirma que temos essa percepção equivocada (pensamos que é grande/barulhenta). Assim, "não é comum imaginar-se que a felicidade possa estar discretamente nas pequenas e silenciosas alegrias" é uma paráfrase coerente: de fato, é incomum essa ideia, porque a maioria pensa o oposto. A construção "imaginar-se" (impessoal) e o subjuntivo "possa estar" estão adequados.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Supõem-se que as alegrias que sentimos derivam da propriedade de lhes aceitarmos como puras fruições que são."
Erro: gramatical e semântico. O verbo "supor" no plural (supõem-se) exige sujeito plural claro, mas a oração subordinada funciona como sujeito – o correto seria "Supõe-se". Além disso, a expressão "propriedade de lhes aceitarmos" é confusa e não encontra amparo no texto. O texto não diz que a alegria deriva de aceitarmos algo como fruição, mas sim que as coisas devem ser usufruídas (fruição) e que a felicidade está nesse usufruto.
Alternativa B — ✅ Correta
"Não é comum imaginar-se que a felicidade possa estar, discretamente, nas nossas pequenas e silenciosas alegrias."
Fundamento: conforme passagem citada. Redação clara, sem erros de regência ou concordância. O advérbio "discretamente" está bem posicionado, e a oração subordinada está no subjuntivo corretamente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Há ferramentas em cujo valor não se dá por si mesmas, mas sim, pelo prazer que se pode proporcionar na medida do seu uso."
Erro: distorce o sentido do texto. O texto diz que as ferramentas (coisas de uso) não são um fim em si mesmas; o valor está no que se produz com elas (moqueca, música, casinha). A alternativa afirma que o valor está "na medida do seu uso", ou seja, no ato de usar, o que não é exato. Além disso, "por si mesmas" (plural) concordando com "ferramentas" quebra a concordância com "valor" (singular). Há também ambiguidade no pronome "seu".
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Sempre haverão os que dizem ser a felicidade um acúmulo máximo dos sentimentos que nos cabem usufruí-los."
Erro: gramatical e de conteúdo. "Haver" no sentido de existir é impessoal, invariável: o correto é "sempre haverá". Na oração "que nos cabem usufruí-los", há duplicação do objeto ("que" e "los"). Semanticamente, o texto nega que a felicidade seja um acúmulo máximo de sentimentos; ao contrário, é algo discreto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Ao proclamar Chico Buarque e Santo Agostinho, o autor lhes considerou na medida que partilham uma tese sobre a alegria comum a ambos."
Erro: regência e conteúdo. "Considerar" rege objeto direto ("os considerou"), não indireto ("lhes"). A expressão "na medida que" deveria ser "na medida em que". Além disso, o autor não "proclama" os autores, mas cita suas ideias. A redação é confusa e imprecisa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura erros gramaticais (concordância, regência) com desvios de sentido. Para acertar, verifique primeiro se a redação é gramaticalmente perfeita e, em seguida, se é fiel ao texto.