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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2019

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc058395
Banca
FCC
Órgão
RIOPRETOPREV
Ano
2019

[Aprendizes da alegria]


      Fico comovido toda vez que ouço o finalzinho da canção que o Chico Buarque escreveu para a filha recém-nascida, dizendo ser este o seu melhor desejo: “e que você seja da alegria sempre uma aprendiz”. Haverá coisa maior que se possa desejar?

      A felicidade é voltar a ser criança. As crianças sabem muito bem disto: que o propósito maior da vida é o prazer. Santo Agostinho, de ortodoxia inquestionável, também sabia disso, e dizia que as coisas da vida se dividem em duas classes: coisas para serem usadas e coisas para serem usufruídas. As coisas para serem usadas são aquelas que não são um fim em si mesmas, como uma panela, um violão, um serrote.

      Bom mesmo não é a panela, mas a moqueca que se cozinha nela. Moqueca é objeto de fruição; um pouquinho de felicidade. Bom mesmo não é o violão, mas a música que se toca nele. Pois a música é alegria, objeto de fruição. E bom mesmo não é o serrote, mas a casinha de boneca que se faz com ele, e que faz os olhos da menina brilharem. Felicidade são os olhos da menina...

      O objetivo do trabalho não é a simples função do que constrói: o objetivo do trabalho é o prazer do jardim que se planta, a casa que se constrói ou o livro que se escreve. Pensamos que a felicidade é coisa grande, barulhenta, talvez inalcançável... Ao contrário: é discreta, silenciosa e frágil, como uma bolha de sabão. Ela se vai muito rápido, mas deixa a lição de que se podem soprar muitas outras.

(Adaptado de: ALVES, Rubem. Tempus fugit. São Paulo: Paulus, 1990, p. 41-43, passim) 

De acordo com o autor do texto, entre Chico Buarque e Santo Agostinho há um ponto comum: ambos
  1. Alembram que a toda alegria corresponde uma alta dose de privações.
  2. Bconsideram a felicidade como a fruição maior a ser alcançada na vida.
  3. Cacham que a alegria está entre os dons concedidos para o uso humano.
  4. Ddefendem a tese de que a alegria é para os poucos que logram merecê-la.
  5. Eveem a felicidade como um sentimento que não tem um fim em si mesmo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — consideram a felicidade como a fruição maior a ser alcançada na vida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Aprendizes da alegria

Gabarito: letra B. O texto explicita que Chico Buarque deseja que a filha seja "da alegria sempre uma aprendiz" (fruição/gozo) e que Santo Agostinho divide as coisas em "usadas" e "usufruídas", sendo a felicidade o propósito maior – prazer. Ambos convergem ao considerar a felicidade/fruição como o objetivo supremo da vida.

"Haverá coisa maior que se possa desejar? A felicidade é voltar a ser criança. As crianças sabem muito bem disto: que o propósito maior da vida é o prazer." "Santo Agostinho, de ortodoxia inquestionável, também sabia disso, e dizia que as coisas da vida se dividem em duas classes: coisas para serem usadas e coisas para serem usufruídas."

A alternativa B parafraseia corretamente essa ideia central.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação de que "a toda alegria corresponde uma alta dose de privações" não tem amparo no texto. Em momento algum o autor associa alegria a privações. Erro: extrapolação (fora_do_escopo).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Conforme demonstrado, tanto Chico ("aprendiz da alegria") quanto Santo Agostinho ("coisas para serem usufruídas") tratam a felicidade como a fruição maior, o prazer como fim último. Paráfrase fiel do texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O texto distingue "uso" de "fruição". A alegria é fruída, não usada. Dizer que a alegria é "para o uso humano" contradiz a classificação de Santo Agostinho, que coloca a fruição (alegria) como fim e o uso como meio. Erro: troca de conceito (troca_termo).

Alternativa D — ❌ Incorreta

O texto não menciona que a alegria é privilégio de poucos ou que depende de merecimento. Pelo contrário, as crianças como exemplo mostram que o prazer é acessível a todos. Erro: extrapolação (fora_do_escopo).

Alternativa E — ❌ Incorreta

O texto defende que a felicidade é um fim em si mesma ("objetos de fruição"), e não que "não tem um fim em si mesmo". A alternativa inverte o sentido, pois a felicidade é exatamente um fim. Erro: contradiz o texto (troca de sentido).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "uso" e "fruição" (alternativa C) e inverte a conclusão sobre finalidade (alternativa E). Fique atento aos pares antônimos e à classificação dicotômica feita pelo autor.

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