Questão de Pedagogia — Currículo (Teoria e Prática) — FCC 2020
Pedagogia›Currículo (Teoria e Prática)
Código
fc059025
Banca
FCC
Órgão
AL-AP
Ano
2020
Cargo
Analista Legislativo - Pedagogo
Considerando que o público das classes de EJA é de pessoas entre 20 e 75 anos de idade, fica evidente que o termo "folhinha" usado pela professora deve causar estranhamento ao grupo. Além disso, o uso do diminutivo relembra permanentemente ao aluno da EJA que o lugar que ele ocupa naquela classe configura uma distorção. A organização dos conteúdos a serem trabalhados e os modos de abordagem seguem as propostas desenvolvidas para as crianças do ensino regular, e a linguagem utilizada pelo professorado infantiliza pessoas que, se não puderam ir à escola, tiveram e têm uma vida rica em aprendizagens que mereceriam maior atenção.(Adaptado de: OLIVEIRA, I. B. "Reflexões acerca da organização curricular e das práticas pedagógicas na EJA". Educar, n. 289, pp. 83-100. Curitiba, 2007)De acordo com a situação problematizada no texto,
Aos alunos deveriam expor sua experiência de vida para as crianças do ensino regular.
Bo uso de uma linguagem infantil denota o desconhecimento do docente a respeito da seleção e organização de saberes para o seu público.
Ca centralidade dos conteúdos acadêmicos no currículo de EJA é motivada pela otimização do tempo: não ensinar o que os alunos já sabem.
Da distorção (linha 3) mencionada no texto se refere à dinâmica do currículo, ao não se adaptar aos saberes do aluno adulto.
Ea seleção dos saberes que devem compor um currículo precisa levar em consideração os indivíduos reais que são os sujeitos da aprendizagem.
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GabaritoE — a seleção dos saberes que devem compor um currículo precisa levar em consideração os indivíduos reais que são os sujeitos da aprendizagem.
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EJA e currículo: a necessidade de considerar os sujeitos reais
Gabarito: letra E. O texto de Oliveira critica a infantilização dos alunos da EJA, que são adultos com vasta experiência de vida, mas são tratados com linguagem e metodologias típicas do ensino infantil. A conclusão central é que o currículo deve ser pensado a partir dos sujeitos reais — suas vivências, saberes e necessidades — e não meramente reproduzir modelos pensados para crianças. A alternativa E capta exatamente esse princípio: a seleção dos saberes curriculares precisa levar em consideração os indivíduos reais que são os sujeitos da aprendizagem.
O texto menciona que o uso do diminutivo ("folhinha") e a organização dos conteúdos seguindo propostas do ensino regular infantil causam estranhamento e reforçam no aluno a sensação de que sua presença naquela turma é uma "distorção". A crítica, portanto, é dirigida à inadequação do currículo e da linguagem ao perfil do educando.
Currículo na EJA
1Crítica (Oliveira)
Infantilização do aluno adulto
Linguagem ("folhinha")
Conteúdos do ensino regular
Efeito
Aluno sente distorção
2Princípio correto
Considerar sujeitos reais
Vivências
Saberes
Necessidades
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O texto não sugere que os alunos da EJA devam expor suas experiências para crianças do ensino regular. A discussão é inteiramente sobre a relação pedagógica dentro da EJA.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Embora a linguagem infantil seja inadequada, o texto não afirma que o docente desconheça a seleção e organização de saberes. A crítica é sobre a prática, mas não necessariamente sobre o desconhecimento do professor; pode ser reprodução de modelos estabelecidos. A ênfase está na estrutura curricular, não na ignorância do docente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O texto não menciona "otimização do tempo" ou a ideia de não ensinar o que os alunos já sabem. A crítica é justamente o oposto: o currículo ignora os saberes dos adultos e os trata como crianças.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A "distorção" referida no texto é a percepção do aluno de que estar naquela classe é uma distorção ("o lugar que ele ocupa naquela classe configura uma distorção"). Não se refere diretamente à dinâmica do currículo, mas ao sentimento provocado pela inadequação curricular. A alternativa D confunde a causa (currículo inadequado) com o termo usado no texto (a distorção é a situação do aluno).
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa sintetiza a ideia central do texto: o currículo deve ser elaborado considerando os sujeitos reais — adultos com trajetórias de vida e aprendizagens significativas. A seleção dos saberes não pode ignorar quem são os aprendizes, sob pena de reproduzir práticas infantilizantes e descontextualizadas.
NÃO CAIA NESSA!
A alternativa D pode parecer correta, mas o texto usa "distorção" especificamente para descrever a sensação do aluno, e não para qualificar o currículo. A pegadinha está em trocar o referente: a distorção é o aluno se sentir fora do lugar, e não a dinâmica curricular em si. Fique atento ao vocábulo exato empregado no texto.