Concepção de Texto em Barthes
Gabarito: letra C. A única alternativa que corresponde fielmente à definição de Texto apresentada no trecho é a C, pois sintetiza o Texto como um "espaço discursivo" ("só existe tomado num discurso") em que algo é demonstrado metodologicamente ("campo metodológico") e cujo movimento é a "travessia" ("o seu movimento constitutivo é a travessia"). As demais alternativas distorcem ou extrapolam as ideias do autor.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
"o Texto não é a decomposição da obra, é a obra que é a cauda imaginária do Texto"
O texto afirma explicitamente que o Texto não é a decomposição da obra; ao contrário, é a obra que é a "cauda imaginária" do Texto. A alternativa A inverte essa relação, dizendo que o Texto é a decomposição imaginária da obra, o que contradiz o texto. Além disso, a oposição com Lacan é apenas análoga, não reproduzida termo a termo.
Erro: contradiz o texto (troca de conceito).
Alternativa B — ❌ Incorreta
"não se trata de estabelecer, em nome da modernidade, um quadro de honra grosseiro e declarar certas produções literárias in e outras out em razão de sua situação cronológica"
O texto critica a classificação cronológica de obras. Embora o Texto seja um "campo metodológico", a alternativa B acrescenta a ideia de "estudo metodológico das obras organizadas cronologicamente", o que não está no texto e vai contra a crítica explícita à organização cronológica.
Erro: acrescenta informação (extrapolação / fora do escopo).
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"o Texto é um campo metodológico" ; "o texto se demonstra, se fala segundo certas regras" ; "só existe tomado num discurso" ; "o seu movimento constitutivo é a travessia"
A alternativa C parafraseia corretamente: "espaço discursivo" corresponde a "só existe tomado num discurso"; "metodologicamente algo pode ser demonstrado" retoma "campo metodológico" e "se demonstra"; "linguagem constituída de travessias" capta o "movimento constitutivo é a travessia". É a única que não acrescenta nem contradiz o texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"o Texto não pode parar (por exemplo, numa prateleira de biblioteca)" ; "a obra é um fragmento de uma substância, ocupa alguma porção do espaço dos livros"
O texto associa a obra ao espaço da biblioteca, mas o Texto, ao contrário, não pode parar numa prateleira. A alternativa D afirma que o Texto é "a vanguarda de tudo o que pode constar em uma biblioteca", o que não é dito e conflita com a ideia de que o Texto não é localizável materialmente. Também não se sustenta a noção de "classificável e computável", pois o texto nega que o Texto seja computável ("não deve ser entendido como um objeto computável").
Erro: contradiz o texto e acrescenta (fora do escopo).
Alternativa E — ❌ Incorreta
"pode haver 'Texto' numa obra muito antiga, e muitos produtos da literatura contemporânea não são em nada textos"
O texto afirma que Texto não se define por cronologia; pode haver Texto em obra antiga e não haver em obra moderna. A alternativa E diz que o Texto é "o fragmento presente na literatura moderna" e "tudo aquilo que em determinado tempo é in", o que contraria frontalmente a ressalva do autor sobre modernidade e antiguidade.
Erro: contradiz o texto (troca de conceito).
Conclusão: Apenas a alternativa C expressa com fidelidade a concepção de Texto de Barthes, devidamente ancorada nas passagens citadas. Gabarito: letra C.