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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2020

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc059234
Banca
FCC
Órgão
AL-AP
Ano
2020
Cargo
Assistente Legislativo - Assistente Administrativo
Para obter os efeitos do humor ácido que caracteriza suas crônicas, Luis Fernando Veríssimo explora nesse texto, metodicamente,
  1. Ao contraste entre motivações falsas e motivações verdadeiras nas criações humanas, de modo que o leitor não consiga distinguir umas das outras.
  2. Buma série diferenciada de impulsos humanos que nos permitem atestar a finalidade real das invenções da modernidade.
  3. Ca desproporção entre a grande importância de diferentes criações humanas e um mesmo motivo trivial que as teria impulsionado.
  4. Duma sequência de invenções imaginárias, às quais se atribui uma importância que efetivamente elas não poderiam ter.
  5. Eo critério da fantasia histórica, pela qual se considera que todas as invenções nasceram da vocação humana para o humor.
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GabaritoC — a desproporção entre a grande importância de diferentes criações humanas e um mesmo motivo trivial que as teria impulsionado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Desproporção entre criações grandiosas e motivo trivial

Gabarito: letra C. O texto de Veríssimo explora a desproporção entre a grande importância de diversas criações humanas (armas, roda, telecomunicações, arte renascentista, etc.) e o motivo pretensamente trivial — a preguiça — que as teria impulsionado, gerando o humor ácido característico. Essa técnica é aplicada de forma metódica ao longo de todo o texto.

“Acho que a verdadeira força motriz do desenvolvimento humano, a razão da superioridade e do sucesso do Homem, foi a preguiça.”

A partir dessa tese, o autor lista invenções e realizações importantes, sempre atribuindo sua origem ao desejo de evitar esforço: “O que são o estilingue, a flecha e a lança senão maneiras de não precisar ir lá e esgoelar a caça […]?”; “Toda a história das telecomunicações […] se deve ao desejo humano de enviar a mensagem em vez de ir entregá-la pessoalmente.”; “A grande arte também se deve à preguiça. […] Michelangelo deitado.” O humor reside justamente nesse contraste entre a grandiosidade das conquistas e a baixeza do motivo.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A) “o contraste entre motivações falsas e motivações verdadeiras nas criações humanas” — O texto não estabelece um contraste entre falsas e verdadeiras; ele unifica todas as motivações sob o rótulo da preguiça, tratando-a como a única real. Não há dualidade de motivações. Erro: troca de conceito (cria um contraste inexistente).

Alternativa B — ❌ Incorreta

B) “uma série diferenciada de impulsos humanos que nos permitem atestar a finalidade real das invenções da modernidade” — O texto reduz todos os impulsos a um só (preguiça), não os diferencia. Além disso, a “finalidade real” não é o foco; o foco é o motivo (preguiça) e não a finalidade. Erro: generalização indevida (sugere diversidade de impulsos onde há unidade).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

C) “a desproporção entre a grande importância de diferentes criações humanas e um mesmo motivo trivial que as teria impulsionado” — Perfeito. O texto enumera criações de enorme relevância (armas, roda, telecomunicações, arte, etc.) e as atribui sistematicamente à preguiça, motivo considerado trivial. Essa desproporção é o mecanismo do humor ácido. Evidência direta: todo o texto exemplifica essa relação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

D) “uma sequência de invenções imaginárias, às quais se atribui uma importância que efetivamente elas não poderiam ter” — As invenções mencionadas são reais (estilingue, flecha, roda, telecomunicações, capela Sistina, etc.). O texto não as trata como imaginárias, e a importância delas é reconhecida. Erro: fora do escopo (invenções não são imaginárias).

Alternativa E — ❌ Incorreta

E) “o critério da fantasia histórica, pela qual se considera que todas as invenções nasceram da vocação humana para o humor” — O texto não propõe uma “fantasia histórica” nem uma “vocação para o humor”. O humor é um efeito do texto, não a causa das invenções. A tese é sobre preguiça, não sobre humor. Erro: fora do escopo (inverte causa e efeito).

Conclusão: A única alternativa que descreve com precisão o recurso metódico de Veríssimo é a C, que capta a essência do humor pela desproporção entre o valor das obras e a mesquinhez do motivo.

Gabarito: letra C.

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