Questão de Direito Processual Penal — Das Provas — FCC 2021
Direito Processual Penal›Das Provas
Código
fc059775
Banca
FCC
Órgão
DPE-GO
Ano
2021
Cargo
Defensor Público
Sobre as provas no processo penal:
AO ônus da prova acerca da ocorrência de alguma excludente de ilicitude cabe ao réu, em obediência à repartição da responsabilidade probatória.
BInexiste o sistema da íntima convicção do julgador na valoração das provas, em respeito ao princípio constitucional da motivação das decisões.
CVige, no Processo Penal brasileiro, o sistema tarifado de provas, prevalecendo a confissão do réu em detrimento das demais provas colhidas em contraditório.
DO juiz poderá fundamentar sentença condenatória em elementos de prova ilícitos colhidos durante o inquérito policial, desde que corroborados por outras provas.
EHá prioridade na realização do exame de corpo de delito quando o crime envolver violência doméstica e familiar contra mulher.
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GabaritoE — Há prioridade na realização do exame de corpo de delito quando o crime envolver violência doméstica e familiar contra mulher.
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Provas no Processo Penal
Gabarito: letra E. A alternativa E está correta porque a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) determina que, nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, o exame de corpo de delito deve ser realizado com prioridade, como parte do procedimento especial de proteção. As demais alternativas apresentam erros quanto ao ônus da prova, ao sistema de valoração das provas, ao valor da confissão e à admissibilidade de provas ilícitas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o ônus de provar excludentes de ilicitude cabe ao réu. No processo penal, o ônus da prova é exclusivo da acusação, inclusive em relação à inexistência de causas de justificação. A doutrina majoritária, conforme exposto no material de apoio, rejeita a repartição de cargas probatórias: "a carga do acusador é de provar o alegado; logo, demonstrar que alguém praticou um crime (fato típico, ilícito e culpável). Isso significa que incumbe ao acusador provar a presença de todos os elementos que integram a tipicidade, a ilicitude e a culpabilidade e, logicamente, a inexistência das causas de justificação". Portanto, a alternativa está errada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que inexiste o sistema da íntima convicção do julgador na valoração das provas. No Brasil, o sistema geral é o do livre convencimento motivado (persuasão racional), mas o Tribunal do Júri adota o sistema da íntima convicção para os jurados, que não precisam fundamentar sua decisão. Assim, a íntima convicção existe, embora restrita ao júri. A alternativa nega sua existência de forma absoluta, o que é incorreto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que vige o sistema tarifado de provas, com prevalência da confissão. O ordenamento processual penal brasileiro adota o sistema do livre convencimento motivado, e o art. 197 do CPP estabelece que o valor da confissão será aferido pelos critérios adotados para os outros elementos de prova, devendo o juiz confrontá-la com as demais provas. Logo, não há hierarquia tarifada, e a confissão não prevalece.
Art. 197CPP
Art. 197 — "O valor da confissão se aferirá pelos critérios adotados para os outros elementos de prova, e para a sua apreciação o juiz deverá confrontá-la com as demais provas do processo, verificando se entre ela e estas existe compatibilidade ou concordância."
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o juiz pode fundamentar sentença condenatória em provas ilícitas colhidas no inquérito, desde que corroboradas. A Constituição Federal, art. 5º, LVI, proíbe a admissibilidade de provas obtidas por meios ilícitos, vedação que se aplica independentemente de corroboração. As provas ilícitas são inadmissíveis e não podem fundamentar qualquer decisão judicial, inclusive sentença condenatória.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), em seu art. 12, IV, determina que, nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, a autoridade policial deverá determinar que se proceda a exame de corpo de delito da ofendida e requisitar outros exames periciais necessários. A lei confere tratamento prioritário a esse exame, visando à coleta célere de provas e à proteção da vítima. Portanto, a alternativa está correta.
Macete por contagem de letras para diferenciar provas ilegais: prova ILÍCITA (8 letras) é a obtida com violação a norma de Direito MATERIAL (8 letras); prova ILEGÍTIMA (10 letras) é a que viola norma de Direito PROCESSUAL (10 letras).
— Provas ilícitas x provas ilegítimas (prova ilegal)