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Questão de Direito Processual Penal — Da Prisão e da Liberdade Provisória — FCC 2021

Direito Processual PenalDa Prisão e da Liberdade Provisória
Código
fc059938
Banca
FCC
Órgão
DPE-RR
Ano
2021
Cargo
Defensor Público
Em relação às prisões processuais e medidas cautelares diversas da prisão:
  1. AEm respeito ao sistema acusatório vigente no país, é vedada a atuação de ofício do juiz em matéria de prisão preventiva, seja para decretá-la ou revogá-la.
  2. BApós a entrada em vigor do “Pacote Anticrime”, admite-se a decretação de prisão preventiva como decorrência imediata do recebimento da denúncia, caso a acusação seja relacionada a crimes hediondos.
  3. CDenomina-se flagrante presumido a hipótese em que o agente é perseguido, logo após a prática do fato delituoso, em situação que faça presumir ser autor da infração.
  4. DÉ possível a concessão de fiança ao acusado pela prática do crime de roubo em concurso de agentes, mas é inafiançável o delito de roubo cometido com restrição de liberdade da vítima.
  5. ECessado o prazo contido no mandado de prisão temporária, deve ser aberta vista imediata ao Ministério Público para se manifestar sobre a continuidade ou não da medida.
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GabaritoD — É possível a concessão de fiança ao acusado pela prática do crime de roubo em concurso de agentes, mas é inafiançável o delito de roubo cometido com restrição de liberdade da vítima.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Prisões processuais e medidas cautelares

Gabarito: letra D. A alternativa D está correta porque o roubo simples (inclusive com concurso de agentes) é afiançável, enquanto o roubo com restrição de liberdade da vítima constitui hipótese de inafiançabilidade, conforme o art. 323, IV, do CPP. As demais alternativas contêm erros que serão detalhados a seguir.

Alternativa

Afirmação

Fundamento Legal

Correção

A

Vedada atuação de ofício do juiz em prisão preventiva (decretar ou revogar)

Art. 311 e art. 316 do CPP

❌ Incorreta – O juiz pode decretar de ofício durante a ação penal e revogar a qualquer tempo

B

Após Pacote Anticrime, admite-se prisão preventiva como decorrência imediata do recebimento da denúncia para crimes hediondos

Art. 313, §2º do CPP

❌ Incorreta – O §2º veda expressamente essa possibilidade

C

Flagrante presumido é a hipótese de perseguição logo após o crime

Art. 302, III e IV do CPP

❌ Incorreta – Perseguição é flagrante próprio (inciso III); flagrante presumido é ser encontrado com objetos que indiquem autoria (inciso IV)

D

Roubo simples (inclusive com concurso de agentes) é afiançável; roubo com restrição de liberdade da vítima é inafiançável

Art. 323, IV do CPP

✅ Correta – Conforme o dispositivo legal

E

Cessado prazo do mandado de prisão temporária, deve-se abrir vista imediata ao MP sobre continuidade

Lei 7.960/89, art. 2º, §7º

❌ Incorreta – O juiz deve decidir de ofício ou a requerimento do MP; não há obrigatoriedade de vista imediata automática

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que é vedada a atuação de ofício do juiz em matéria de prisão preventiva, seja para decretá-la ou revogá-la. No entanto, o CPP admite que o juiz, de ofício, decrete a prisão preventiva durante o curso da ação penal (art. 311 CPP) e também revogue a medida a qualquer tempo, conforme o art. 316 do CPP, que dispõe:

Art. 316CPP

Art. 316 — "O juiz poderá, de ofício ou a pedido das partes, revogar a prisão preventiva se, no correr da investigação ou do processo, verificar a falta de motivo para que ela subsista, bem como novamente decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem."

Portanto, a alternativa erra ao afirmar que a atuação de ofício é vedada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sustenta que, após o Pacote Anticrime, é admitida a prisão preventiva como decorrência imediata do recebimento da denúncia para crimes hediondos. Ocorre que o §2º do art. 313 do CPP, introduzido pela Lei 13.964/2019, veda expressamente essa possibilidade:

Art. 313, §2CPP

Art. 313, §2º — "Não será admitida a decretação da prisão preventiva com a finalidade de antecipação de cumprimento de pena ou como decorrência imediata de investigação criminal ou da apresentação ou recebimento de denúncia."

Assim, a alternativa está em frontal contrariedade com o texto legal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Equivoca-se ao denominar "flagrante presumido" a situação do agente perseguido logo após o crime. Na verdade, essa hipótese se enquadra como flagrante próprio (art. 302, III, CPP). O flagrante presumido ocorre quando o agente é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele o autor (art. 302, IV, CPP). Vejamos:

Art. 302CPP

Art. 302 — Considera-se em flagrante delito quem: ... III — "é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração" IV — "é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração"

Portanto, a descrição na alternativa corresponde ao inciso III (flagrante próprio), não ao presumido.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa acerta ao afirmar que o roubo em concurso de agentes é afiançável, e o roubo cometido com restrição de liberdade da vítima é inafiançável. O art. 323 do CPP arrola os crimes inafiançáveis; entre eles, no inciso IV, está o roubo com restrição da liberdade da vítima. Já o roubo simples ou com concurso de agentes (mera causa de aumento) não integra esse rol, sendo, portanto, passível de fiança. A inafiançabilidade do roubo com restrição de liberdade decorre da maior gravidade do fato, que equipara-se a crimes hediondos para esse efeito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que, cessado o prazo do mandado de prisão temporária, deve ser aberta vista imediata ao Ministério Público para manifestação sobre a continuidade da medida. No entanto, a Lei 7.960/89 (que regula a prisão temporária) determina que, expirado o prazo, o preso deve ser colocado imediatamente em liberdade, salvo se o juiz, de ofício ou a pedido do MP, converter a prisão temporária em preventiva. Não há previsão de vista obrigatória ao MP após o término do prazo; a liberdade é a regra, e o MP já teve oportunidade de se manifestar anteriormente. Portanto, a alternativa contraria o sistema legal.

Gabarito: letra D.

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