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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2021

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc061001
Banca
FCC
Órgão
MANAUSPREV
Ano
2021
O cronista dirige-se explicitamente a seu leitor no seguinte trecho:
  1. ANão sei se te lembras do acontecimento: tais são os casos de sangue destes dias que é natural vir o fastio e ir-se a memória. (2° parágrafo)
  2. BVou dar-te a última prova de amizade... É impossível mais tolerar a vida por tua causa; deixando eu de existir, você deixa de sofrer. (3° parágrafo)
  3. CVocê é uma mocinha de dezesseis anos, vizinha, dizem que bonita, amiga da morta. (3° parágrafo)
  4. DOs tempos, desde a antiguidade, têm ouvido suspiros desses, mas não são últimos. (5° parágrafo)
  5. EOra, conquanto não se achem as vidas perdidas, importa conhecer as causas da perda, quando escapam à ação da lei ou da autoridade. (2° parágrafo)
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GabaritoA — Não sei se te lembras do acontecimento: tais são os casos de sangue destes dias que é natural vir o fastio e ir-se a memória. (2° parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crônica de Machado de Assis — discurso direto ao leitor

Gabarito: letra A. O cronista dirige-se explicitamente ao leitor no trecho "Não sei se te lembras do acontecimento: tais são os casos de sangue destes dias que é natural vir o fastio e ir-se a memória." O pronome "te" (segunda pessoa do singular) é uma marca direta de interlocução com o leitor, próprio do gênero crônica, em que o narrador conversa com quem lê.

O comando pede o trecho em que o cronista se dirige explicitamente a seu leitor. Isso significa que deve haver uma marca linguística de interpelação direta — pronome pessoal de 2ª pessoa, verbo conjugado em 2ª pessoa, ou vocativo. A alternativa A apresenta "te", que cumpre exatamente esse papel.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Não sei se te lembras do acontecimento: tais são os casos de sangue destes dias que é natural vir o fastio e ir-se a memória."

O pronome "te" e a forma verbal "lembras" (tu) são marcas inequívocas de que o cronista fala diretamente com o leitor. Não há dúvida: é um apelo explícito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Vou dar-te a última prova de amizade... É impossível mais tolerar a vida por tua causa; deixando eu de existir, você deixa de sofrer."

Este trecho é a transcrição parcial da carta deixada pela suicida (Ambrosina Cananeia). Quem fala aqui é a personagem, não o cronista. Embora haja "te" e "tua", são da personagem dirigindo-se à amiga Matilde, não do cronista ao leitor. Erro: confunde a voz da personagem com a voz do narrador.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Você é uma mocinha de dezesseis anos, vizinha, dizem que bonita, amiga da morta."

Este trecho também faz parte da descrição da carta ou é uma fala do cronista sobre a amiga (Matilde) — o "você" refere-se à mocinha, não ao leitor. O cronista está narrando a história, não conversando com o leitor.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Os tempos, desde a antiguidade, têm ouvido suspiros desses, mas não são últimos."

Aqui o cronista faz uma reflexão filosófica geral, sem qualquer pronome ou verbo de segunda pessoa. Não há interpelação direta ao leitor.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Ora, conquanto não se achem as vidas perdidas, importa conhecer as causas da perda, quando escapam à ação da lei ou da autoridade."

É uma afirmação impessoal, com verbo na terceira pessoa ("importa"). Não há marca de interlocução direta com o leitor.

Conclusão: A única alternativa em que o cronista usa expressamente a segunda pessoa para falar com o leitor é a A. As demais ou são vozes de personagens (B, C) ou afirmações impessoais (D, E).

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