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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc061179
Banca
FCC
Órgão
DETRAN-AP
Ano
2022
Cargo
Assistente Administrativo de Trânsito

Atenção: Leia os Textos 01 e 02 para responder à questão.


Texto 01 

Imagem da questão


(Disponível em: https://site.sabesp.com.br/site/interna/)


Texto 02

Inquilinos 

1.     Ninguém é responsável pelo funcionamento do mundo. Nenhum de nós precisa acordar cedo para acender as caldeiras e checar se a Terra está girando em torno do seu próprio eixo na velocidade apropriada e em torno do Sol, de modo a garantir a correta sucessão das estações. Como num prédio bem administrado, os serviços básicos do planeta são providenciados sem que se enxergue o síndico − e sem taxa de administração. Imagine se coubesse à humanidade, com sua conhecida tendência ao desleixo e à improvisação, manter a Terra na sua órbita e nos seus horários, ou se − coroando o mais delirante dos sonhos liberais − sua gerência fosse entregue a uma empresa privada, com poderes para remanejar os ventos e suprimir correntes marítimas, encurtar ou alongar dias e noites, e até mudar de galáxia, conforme as conveniências de mercado, e ainda por cima sujeita a decisões catastróficas, fraudes e falência.
2.     É verdade que, mesmo sob o atual regime impessoal, o mundo apresenta falhas na distribuição dos seus benefícios, favorecendo alguns andares do prédio metafórico e martirizando outros, tudo devido ao que só pode ser chamado de incompetência administrativa. Mas a responsabilidade não é nossa. A infraestrutura já estava pronta quando nós chegamos. Apesar de tentativas como a construção de grandes obras que afetam o clima e redistribuem as águas, há pouco que podemos fazer para alterar as regras do seu funcionamento.
3.     Podemos, isto sim, é colaborar na manutenção da Terra. Todos os argumentos conservacionistas e ambientalistas teriam mais força se conseguissem nos convencer de que somos inquilinos no mundo. E que temos as mesmas obrigações de qualquer inquilino, inclusive a de prestar contas por cada arranhão no fim do contrato. A escatologia cristã deveria substituir o Salvador que virá pela segunda vez para nos julgar por um Proprietário que chegará para retomar seu imóvel. E o Juízo Final, por um cuidadoso inventário em que todos os estragos que fizemos no mundo seriam contabilizados e cobrados.
4. − Cadê a floresta que estava aqui? − perguntaria o Proprietário. − Valia uma fortuna.
5. E:
6. − Este rio não está como eu deixei…
7. E, depois de uma contagem minuciosa:
8. − Estão faltando cento e dezessete espécies.
9. A Humanidade poderia tentar negociar. Apontar as benfeitorias − monumentos, parques, áreas férteis onde outrora existiam desertos − para compensar a devastação. O Proprietário não se impressionaria.
10. − Para que eu quero o Taj Mahal? Sete Quedas era muito mais bonita.
11. − E a Catedral de Chartres? Fomos nós que construímos. Aumentou o valor do terreno em…
12. − Fiquem com todas as suas catedrais, represas, cidades e shoppings, quero o mundo como eu o entreguei.
13. Não precisamos de uma mentalidade ecológica. Precisamos de uma mentalidade de locatários. E do terror da indenização. (Adaptado de: VERISSIMO, Luis Fernando. O mundo é bárbaro e o que nós temos a ver com isso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010, p. 19-22)

(Adaptado de: VERISSIMO, Luis Fernando. O mundo é bárbaro e o que nós temos a ver com isso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010, p. 19-22)



No Texto 02, o cronista dirige-se explicitamente a seu leitor no seguinte trecho:
  1. ANinguém é responsável pelo funcionamento do mundo (1º parágrafo).
  2. Bo mundo apresenta falhas na distribuição dos seus benefícios (2º parágrafo).
  3. CO Proprietário não se impressionaria (9º parágrafo).
  4. DA Humanidade poderia tentar negociar (9º parágrafo).
  5. EImagine se coubesse à humanidade (1º parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Imagine se coubesse à humanidade (1º parágrafo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O apelo direto ao leitor na crônica de Verissimo

Gabarito: letra E. O cronista dirige-se explicitamente ao leitor no trecho "Imagine se coubesse à humanidade" (1º parágrafo), pois o verbo "Imagine" está no imperativo, forma verbal típica de interpelação direta ao interlocutor. As demais alternativas são afirmações impessoais ou narrativas, sem qualquer marca de interlocução.

A questão pede que você identifique o trecho em que o autor fala diretamente com o leitor. Isso se percebe por marcas linguísticas de interpelação: verbos no imperativo ("Imagine"), pronomes de 2ª pessoa ("você", "te"), vocativos etc. No texto, o único trecho com essa marca é exatamente o da alternativa E.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Ninguém é responsável pelo funcionamento do mundo."

É uma constatação impessoal — o sujeito é "ninguém", e não há qualquer forma verbal que se dirija ao leitor. O autor apenas afirma um fato, sem interpelar ninguém.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"o mundo apresenta falhas na distribuição dos seus benefícios"

Também é uma afirmação impessoal sobre o mundo. Não há verbo no imperativo nem pronome de 2ª pessoa. O autor descreve uma característica do mundo, sem se dirigir ao leitor.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"O Proprietário não se impressionaria."

É uma narrativa em 3ª pessoa — o autor conta o que aconteceria com o Proprietário. Não há interpelação ao leitor; o trecho apenas relata uma reação hipotética.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A Humanidade poderia tentar negociar."

É uma hipótese impessoal sobre a Humanidade. O verbo "poderia" está no futuro do pretérito, indicando possibilidade, mas não há qualquer marca de interlocução direta.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Imagine se coubesse à humanidade..."

O verbo "Imagine" está no imperativo afirmativo, forma usada para convidar o interlocutor a fazer um exercício mental. É a única passagem em que o autor se dirige diretamente ao leitor, chamando-o a participar da reflexão. As demais alternativas são impessoais ou narrativas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre interpelação direta (marca de interlocução) e mera afirmação sobre um tema. As alternativas A, B, C e D são todas verdadeiras quanto ao conteúdo, mas nenhuma tem a marca linguística do imperativo — que é o que a questão pede.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar interpelação direta, procure verbos no imperativo ("Imagine", "Veja", "Note"), pronomes de 2ª pessoa ("você", "te") ou vocativos. Se o trecho não tiver nenhuma dessas marcas, não é interpelação.

Gabarito: letra E — única alternativa com verbo no imperativo, dirigindo-se explicitamente ao leitor.

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