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Questão de Direito Penal — Culpabilidade — FCC 2022

Direito PenalCulpabilidade
Código
fc061733
Banca
FCC
Órgão
DPE-MT
Ano
2022
Cargo
Defensor Público de 1ª Classe
A culpabilidade
  1. Acomo circunstância judicial na aplicação da pena deve ser avaliada sempre positivamente sob pena de configuração de dupla punição pelo mesmo fato.
  2. Bfundada na teoria psicológica abarca a imputação objetiva do funcionalismo teleológico.
  3. Cé excluída com o reconhecimento da prescrição da pretensão executória em razão das consequências garantistas do instituto.
  4. Dfundada na teria extremada compreende as discriminantes putativas como erro de tipo.
  5. Ecomo juízo de reprovação exige que se tenha a possibilidade de saber que a ação praticada é proibida.
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GabaritoE — como juízo de reprovação exige que se tenha a possibilidade de saber que a ação praticada é proibida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Culpabilidade no Direito Penal

Gabarito: letra E. A culpabilidade, em sua acepção normativa, é o juízo de reprovação que recai sobre o agente por ter praticado um fato típico e antijurídico quando podia agir de outro modo. Um de seus elementos é a potencial consciência da ilicitude – a possibilidade de o agente saber que a conduta era proibida. A alternativa E capta exatamente essa ideia. As demais alternativas incorrem em equívocos teóricos ou confusões com outros institutos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a culpabilidade como circunstância judicial deve ser avaliada "sempre positivamente" para evitar dupla punição. Há dois erros: (a) a culpabilidade como circunstância do art. 59 do CP é um dos vetores para fixar a pena-base, sendo apreciada no caso concreto (não é "sempre positivamente"); (b) a vedação ao bis in idem está relacionada à proibição de punir duas vezes pelo mesmo fato, e não a uma suposta valoração positiva obrigatória da culpabilidade. O que se busca evitar é a dupla valoração do mesmo elemento, mas a afirmação é imprecisa e juridicamente incorreta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A teoria psicológica da culpabilidade (clássica) exigia apenas imputabilidade e relação psicológica (dolo/culpa) do agente com o fato, sem qualquer referência à imputação objetiva. A imputação objetiva é construção do funcionalismo penal (Roxin, Jakobs) e não se confunde com a culpabilidade, pertencendo ao fato típico. Logo, é falso dizer que a teoria psicológica abrange a imputação objetiva do funcionalismo teleológico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A prescrição da pretensão executória é causa de extinção da punibilidade (arts. 107, IV, e 110, § 1º, CP). Ela não exclui a culpabilidade do agente, que já existiu no momento do crime. A exclusão da culpabilidade ocorre por causas como inimputabilidade, erro de proibição inevitável, coação moral irresistível etc. Confundir prescrição com exclusão de culpabilidade é erro conceitual grave.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Segundo a teoria extremada (normativa pura), dolo e culpa são deslocados para o fato típico; a culpabilidade fica reduzida a imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa. Nessa teoria, as descriminantes putativas são tratadas como erro de proibição (erro sobre a ilicitude), e não como erro de tipo. Quem adota o tratamento misto (discriminantes putativas como erro de tipo permissivo ou erro de proibição a depender da natureza do erro) é a teoria limitada da culpabilidade, adotada pelo CP (art. 20, § 1º, c/c art. 21). Portanto, a alternativa D atribui à teoria extremada algo que é próprio da teoria limitada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A culpabilidade, em sua acepção normativa (teoria normativa pura ou limitada), é um juízo de reprovação pessoal. Para que haja reprovação, exige-se que o agente tivesse a possibilidade de conhecer o caráter ilícito do fato – ou seja, a potencial consciência da ilicitude (art. 21, CP, que trata do erro de proibição). Se essa consciência era impossível, o agente age sem culpabilidade. A alternativa E reproduz corretamente esse elemento.

Gabarito: letra E.

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