Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2022
Português›Interpretação de Textos
Código
fc063008
Banca
FCC
Órgão
SEDU-ES
Ano
2022
Cargo
Professor MaPB - Ensino Fundamental e Médio - Língua Portuguesa
O gênero da crônica frequentado tão criativamente por Rubem Braga é um exemplo alto de
Adiscurso contemporâneo comunicativo, aberto a formas variadas de interação com os leitores, prenunciando assim o caráter democrático da nova arte de tendência inclusiva.
Bestilo sublime, disposto a exprimir com a devida solenidade as oscilações angustiosas do espírito moderno, marcado pelo artificialismo dos mais típicos hábitos burgueses.
Cmodalidade ficcional disposta a se deixar conduzir sobretudo pela paródia e pela ironia que acentuam seu caráter de irredutível crítica dos valores conservadores.
Dtexto jornalístico capaz de ir além da pura informação, já que esse autor só se vale dela para ultrapassá-la e atingir a qualidade especulativa dos ensaios sociológicos.
Eprosa moderna carregada ao mesmo tempo de sentimento poético, impulso reflexivo, melancolia e lúcida observação crítica de fatos e personagens da vida real.
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GabaritoE — prosa moderna carregada ao mesmo tempo de sentimento poético, impulso reflexivo, melancolia e lúcida observação crítica de fatos e personagens da vida real.
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Gênero da crônica de Rubem Braga
Gabarito: letra E. A crônica praticada por Rubem Braga, conforme exemplificada no texto de Zuenir Ventura, é uma prosa moderna que combina sentimento poético, impulso reflexivo, melancolia e lúcida observação crítica de fatos e personagens da vida real. Isso se comprova no trecho em que o autor, ecoando Braga, lamenta a perda da inocência de Ipanema com linguagem bíblica e irônica, ao mesmo tempo que enumera problemas concretos: “o emissário submarino se rompendo, as águas poluídas, as valas negras, as agressões, os assaltos, o medo e a morte”. A crônica não é pura ficção, nem ensaio sociológico, mas uma prosa que funde lirismo e crítica.
Crônica de Rubem Braga
1Prosa moderna
Sentimento poético
Impulso reflexivo
Melancolia
Lúcida observação crítica
Fatos reais
Personagens da vida real
2Não é
Ficção pura
Ensaio sociológico
Texto jornalístico informativo
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Alternativa A — ❌ Incorreta
“discurso contemporâneo comunicativo, aberto a formas variadas de interação com os leitores, prenunciando assim o caráter democrático da nova arte de tendência inclusiva.”
O texto não menciona interação com leitores, democracia ou tendência inclusiva. A alternativa extrapola ao atribuir características ausentes do texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“estilo sublime, disposto a exprimir com a devida solenidade as oscilações angustiosas do espírito moderno, marcado pelo artificialismo dos mais típicos hábitos burgueses.”
O tom do texto é irônico e hiperbólico, não solene. Não há referência a “artificialismo burguês” ou “oscilações angustiosas”. A alternativa acrescenta opinião não sustentada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“modalidade ficcional disposta a se deixar conduzir sobretudo pela paródia e pela ironia que acentuam seu caráter de irredutível crítica dos valores conservadores.”
A crônica não é ficcional pura; baseia-se em lugares e fatos reais (Copacabana, Ipanema, poluição). Embora haja ironia, a alternativa restringe o gênero à ficção e à crítica a “valores conservadores”, que não é o foco do texto. O alvo é a degradação urbana e moral, não valores conservadores.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“texto jornalístico capaz de ir além da pura informação, já que esse autor só se vale dela para ultrapassá-la e atingir a qualidade especulativa dos ensaios sociológicos.”
O texto é uma crônica, não um texto jornalístico típico, e não atinge “qualidade especulativa dos ensaios sociológicos”. A crônica tem tom poético e reflexivo, mas não se propõe a ser ensaio. A alternativa tangencia o tema e contradiz o caráter literário do gênero.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“prosa moderna carregada ao mesmo tempo de sentimento poético, impulso reflexivo, melancolia e lúcida observação crítica de fatos e personagens da vida real.”
A crônica de Rubem Braga (e sua eco por Zuenir) é exatamente isso: usa linguagem poética (bíblica, metafórica), reflete sobre a perda da inocência (“Ai de ti, Ipanema, que perdeste a inocência e o sossego”), melancolia (saudade dos tempos idílicos) e crítica a fatos reais (poluição, violência). O texto afirma que a praia era “a síntese mítica do hedonismo carioca” e depois aponta a degradação, unindo lirismo e observação concreta.