Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2022
Português›Interpretação de Textos
Código
fc063013
Banca
FCC
Órgão
SEDU-ES
Ano
2022
Cargo
Professor MaPB - Ensino Fundamental e Médio - Língua Portuguesa
Para responder a questão, baseie-se nas quatro estrofes abaixo, extraídas do poema “Graciliano
Ramos:”, de João Cabral de Melo Neto. O poema é um tributo ao autor de Vidas secas, com cuja linguagem João Cabral
se mostra bastante identificado.
Atentando para o nível expressivo e figurativo desse poema, deve-se reconhecer que
Aa reiteração da imagem do sol nessa fala é também um combate contra a obscuridade de outros falares.
Ba referência ao despertador ironiza a falácia do alerta que um escritor imagina promover em seu discurso.
Ca faca é utilizada para figurar a violência indesejável que por vezes se constata entre as próprias vítimas do flagelo climático.
Da expressão por quem falo aplica-se aos leitores que desconhecem o drama social representado nessa estrofe.
Ea palavra Nordestes, utilizadas no plural, deixa de ser uma tipificação, aplicando-se às mais diferentes regiões do país.
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GabaritoA — a reiteração da imagem do sol nessa fala é também um combate contra a obscuridade de outros falares.
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A imagem do sol como combate à obscuridade — leitura expressiva do poema de João Cabral
Gabarito: letra A. A alternativa correta reconhece que a reiteração da imagem do sol no poema funciona como combate contra a obscuridade de outros falares. Essa leitura se ancora na identificação do eu lírico com a linguagem de Graciliano Ramos, marcada pela secura e pela clareza — o sol, repetido, é a metáfora dessa linguagem límpida que se opõe à obscuridade. As demais alternativas ou extrapolam o texto ou contradizem o que ele afirma.
O comando pede que se atente ao nível expressivo e figurativo do poema — ou seja, exige interpretação das imagens (sol, despertador, faca, Nordestes), não mera localização de informação. A chave é perceber que João Cabral, ao homenagear Graciliano Ramos, constrói um elogio à linguagem seca e clara do autor de Vidas secas, e o sol é a imagem central dessa clareza.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque a reiteração do sol — imagem que atravessa o poema — é usada para figurar a linguagem clara e seca de Graciliano Ramos, em oposição à obscuridade de outros falares. O texto introdutório afirma que João Cabral se mostra "bastante identificado" com a linguagem do autor de Vidas secas, e o poema é um tributo a essa linguagem. O sol, repetido, é a metáfora dessa clareza que "combate" a obscuridade — ou seja, a linguagem luminosa do escritor nordestino se contrapõe a outros modos de dizer mais opacos. A leitura é figurativa (o sol não é apenas astro, mas símbolo de clareza expressiva), exatamente como pede o enunciado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa extrapola o texto ao afirmar que o despertador "ironiza a falácia do alerta que um escritor imagina promover". Não há, no poema, qualquer tom irônico em relação ao despertador ou à função do escritor. A imagem do despertador, se presente, integra o universo da seca e da rotina nordestina, sem o juízo negativo que a alternativa lhe atribui. A banca acrescenta uma opinião (a suposta "falácia") que o texto não externa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa contradiz o sentido do poema ao afirmar que a faca figura "a violência indesejável que por vezes se constata entre as próprias vítimas do flagelo climático". No poema, a faca — imagem recorrente na poesia de João Cabral — está associada à secura, à precisão e à dureza da linguagem, não à violência entre vítimas da seca. A alternativa troca o referente simbólico: a faca é instrumento de corte e precisão expressiva, não de agressão social. Não há no texto qualquer menção a violência entre as vítimas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa restringe indevidamente o alcance da expressão "por quem falo". O eu lírico fala pelos nordestinos, pelos retirantes, pelos que vivem o drama da seca — não pelos "leitores que desconhecem o drama social". A expressão "por quem falo" aponta para os sujeitos representados no poema (os flagelados da seca), não para o público leitor. A alternativa inverte o referente: quem é objeto da fala (os nordestinos) vira sujeito (os leitores).
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa contradiz o texto ao afirmar que a palavra "Nordestes", no plural, "deixa de ser uma tipificação, aplicando-se às mais diferentes regiões do país". O plural "Nordestes" não generaliza para outras regiões; ao contrário, pluraliza o próprio Nordeste, reconhecendo a diversidade interna da região — são vários nordestes dentro do Nordeste. A alternativa troca o sentido do plural: em vez de ampliar para o país, o plural intensifica a especificidade regional. Não há no poema qualquer referência a "outras regiões do país".
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação com juízo de valor (alternativa B, que inventa uma "ironia" e uma "falácia") e a troca de referente simbólico (alternativa C, que transforma a faca — símbolo de precisão — em instrumento de violência social). Fique atento: em questões de poesia, as imagens têm valor simbólico; a resposta correta é sempre a que respeita o sentido figurado construído pelo poema.
PEGA ESSA DICA!
Antes de marcar, pergunte-se: "essa leitura está ancorada em alguma imagem do poema, ou é uma opinião minha sobre o tema?". A alternativa correta sempre dialoga com o sistema de imagens do texto (sol = clareza, faca = precisão), enquanto as erradas projetam sentidos de fora.