Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2022
Português›Interpretação de Textos
Código
fc063015
Banca
FCC
Órgão
SEDU-ES
Ano
2022
Cargo
Professor MaPB - Ensino Fundamental e Médio - Língua Portuguesa
Para responder a questão, baseie-se nas quatro estrofes abaixo, extraídas do poema “Graciliano
Ramos:”, de João Cabral de Melo Neto. O poema é um tributo ao autor de Vidas secas, com cuja linguagem João Cabral
se mostra bastante identificado.
Entende-se que o sujeito dessa fala tem um reiterado compromisso com
Aum discurso que se propõe a agir em determinadas condições geográficas e sociais.
Buma pedagogia literária inteiramente envolvida com o lema “arte pela arte”.
Cos parâmetros de uma ideologia que se volta contra a objetividade dos fatos.
Da doutrinação política de um ativista que subestima as imposições da realidade.
Euma análise sociológica na qual se pontuam as gritantes diferenças de classe.
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GabaritoA — um discurso que se propõe a agir em determinadas condições geográficas e sociais.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
O compromisso do sujeito poético com a realidade geográfica e social
Gabarito: letra A. O sujeito da fala tem um reiterado compromisso com um discurso que se propõe a agir em determinadas condições geográficas e sociais. Essa leitura se ancora no próprio poema de João Cabral de Melo Neto, que, como indica o enunciado, é um tributo a Graciliano Ramos, autor de Vidas secas, obra marcada pela seca e pela miséria do sertão nordestino. O texto poético, portanto, não é uma fuga para o abstrato, mas uma ação sobre o real — a linguagem seca e precisa de João Cabral é uma forma de intervir na realidade retratada.
A questão pede uma interpretação (o verbo "entende-se" indica inferência a partir de pistas do texto). Não se trata de localizar uma frase literal, mas de depreender a postura do sujeito lírico diante do mundo. A chave está na função da linguagem predominante: a função referencial (ou denotativa), que prioriza o contexto, a realidade objetiva. O poema de João Cabral é conhecido por sua objetividade, pela recusa do lirismo subjetivo e pela adesão ao concreto, ao social, ao geográfico. O compromisso é com a realidade, não com a arte pela arte.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"O poema é um tributo ao autor de Vidas secas, com cuja linguagem João Cabral se mostra bastante identificado."
A passagem do enunciado já aponta a identificação de João Cabral com a linguagem de Graciliano Ramos, autor de Vidas secas, romance que retrata a seca e a miséria no sertão. O compromisso do sujeito poético é com um discurso que age sobre a realidade — a linguagem seca, precisa, "despojada" de João Cabral é uma forma de intervenção no mundo geográfico e social. A alternativa A é a única que não extrapola e que sintetiza o que o poema e seu contexto autorizam: um discurso que se propõe a agir (função referencial, engajada) em condições geográficas e sociais (o sertão, a seca, a miséria).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que o compromisso é com uma "pedagogia literária inteiramente envolvida com o lema 'arte pela arte'". Isso é o oposto do que o poema e o contexto indicam. A "arte pela arte" é a defesa da autonomia da arte, desvinculada de compromissos sociais ou morais. João Cabral, ao contrário, é um poeta engajado com a realidade nordestina. O texto não traz nenhuma pista de "arte pela arte"; pelo contrário, a identificação com Graciliano Ramos (autor de Vidas secas) sugere um compromisso com o real, não com a arte descompromissada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa fala em "ideologia que se volta contra a objetividade dos fatos". O poema de João Cabral é justamente o contrário: é marcado pela objetividade, pela precisão, pela adesão ao fato concreto. A linguagem de João Cabral é conhecida por sua secura, por evitar o subjetivismo e o sentimentalismo. Não há, no texto, qualquer indício de uma ideologia "contra a objetividade". A alternativa inverte o sentido: o compromisso é com a objetividade, não contra ela.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: extrapola. A alternativa fala em "doutrinação política de um ativista que subestima as imposições da realidade". O texto não menciona "doutrinação", "ativista" nem "subestimar a realidade". Isso é uma extrapolação — acrescenta informações que não estão no poema nem no contexto. O compromisso do sujeito poético é com a realidade, não com uma doutrinação que a subestime. A alternativa inventa um ativismo político que o texto não autoriza.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: tangencia (fuga ao tema). A alternativa fala em "análise sociológica na qual se pontuam as gritantes diferenças de classe". Embora o poema trate de uma realidade social (o sertão, a seca), ele não é uma "análise sociológica" nem "pontua diferenças de classe" de forma explícita. A alternativa tangencia o tema: fala de algo remotamente correlato (a questão social), mas que o texto não aborda diretamente. O foco do poema é a linguagem e sua relação com a realidade, não uma análise sociológica formal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação com fatos verdadeiros do mundo real (como a questão social no sertão) para induzir o candidato a escolher alternativas que acrescentam informações que o texto não traz. A correta (A) é a única que se limita ao que o texto e o contexto autorizam.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de interpretação, desconfie de alternativas que usam palavras absolutas ("inteiramente", "contra", "subestima") ou que introduzem conceitos não mencionados ("doutrinação", "análise sociológica"). A resposta correta é sempre a que parafraseia o texto sem acrescentar nem contradizer.