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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc063015
Banca
FCC
Órgão
SEDU-ES
Ano
2022
Cargo
Professor MaPB - Ensino Fundamental e Médio - Língua Portuguesa
Para responder a questão, baseie-se nas quatro estrofes abaixo, extraídas do poema “Graciliano Ramos:”, de João Cabral de Melo Neto. O poema é um tributo ao autor de Vidas secas, com cuja linguagem João Cabral se mostra bastante identificado.

Imagem da questão


Entende-se que o sujeito dessa fala tem um reiterado compromisso com
  1. Aum discurso que se propõe a agir em determinadas condições geográficas e sociais.
  2. Buma pedagogia literária inteiramente envolvida com o lema “arte pela arte”.
  3. Cos parâmetros de uma ideologia que se volta contra a objetividade dos fatos.
  4. Da doutrinação política de um ativista que subestima as imposições da realidade.
  5. Euma análise sociológica na qual se pontuam as gritantes diferenças de classe.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — um discurso que se propõe a agir em determinadas condições geográficas e sociais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O compromisso do sujeito poético com a realidade geográfica e social

Gabarito: letra A. O sujeito da fala tem um reiterado compromisso com um discurso que se propõe a agir em determinadas condições geográficas e sociais. Essa leitura se ancora no próprio poema de João Cabral de Melo Neto, que, como indica o enunciado, é um tributo a Graciliano Ramos, autor de Vidas secas, obra marcada pela seca e pela miséria do sertão nordestino. O texto poético, portanto, não é uma fuga para o abstrato, mas uma ação sobre o real — a linguagem seca e precisa de João Cabral é uma forma de intervir na realidade retratada.

A questão pede uma interpretação (o verbo "entende-se" indica inferência a partir de pistas do texto). Não se trata de localizar uma frase literal, mas de depreender a postura do sujeito lírico diante do mundo. A chave está na função da linguagem predominante: a função referencial (ou denotativa), que prioriza o contexto, a realidade objetiva. O poema de João Cabral é conhecido por sua objetividade, pela recusa do lirismo subjetivo e pela adesão ao concreto, ao social, ao geográfico. O compromisso é com a realidade, não com a arte pela arte.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"O poema é um tributo ao autor de Vidas secas, com cuja linguagem João Cabral se mostra bastante identificado."

A passagem do enunciado já aponta a identificação de João Cabral com a linguagem de Graciliano Ramos, autor de Vidas secas, romance que retrata a seca e a miséria no sertão. O compromisso do sujeito poético é com um discurso que age sobre a realidade — a linguagem seca, precisa, "despojada" de João Cabral é uma forma de intervenção no mundo geográfico e social. A alternativa A é a única que não extrapola e que sintetiza o que o poema e seu contexto autorizam: um discurso que se propõe a agir (função referencial, engajada) em condições geográficas e sociais (o sertão, a seca, a miséria).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que o compromisso é com uma "pedagogia literária inteiramente envolvida com o lema 'arte pela arte'". Isso é o oposto do que o poema e o contexto indicam. A "arte pela arte" é a defesa da autonomia da arte, desvinculada de compromissos sociais ou morais. João Cabral, ao contrário, é um poeta engajado com a realidade nordestina. O texto não traz nenhuma pista de "arte pela arte"; pelo contrário, a identificação com Graciliano Ramos (autor de Vidas secas) sugere um compromisso com o real, não com a arte descompromissada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa fala em "ideologia que se volta contra a objetividade dos fatos". O poema de João Cabral é justamente o contrário: é marcado pela objetividade, pela precisão, pela adesão ao fato concreto. A linguagem de João Cabral é conhecida por sua secura, por evitar o subjetivismo e o sentimentalismo. Não há, no texto, qualquer indício de uma ideologia "contra a objetividade". A alternativa inverte o sentido: o compromisso é com a objetividade, não contra ela.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapola. A alternativa fala em "doutrinação política de um ativista que subestima as imposições da realidade". O texto não menciona "doutrinação", "ativista" nem "subestimar a realidade". Isso é uma extrapolação — acrescenta informações que não estão no poema nem no contexto. O compromisso do sujeito poético é com a realidade, não com uma doutrinação que a subestime. A alternativa inventa um ativismo político que o texto não autoriza.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: tangencia (fuga ao tema). A alternativa fala em "análise sociológica na qual se pontuam as gritantes diferenças de classe". Embora o poema trate de uma realidade social (o sertão, a seca), ele não é uma "análise sociológica" nem "pontua diferenças de classe" de forma explícita. A alternativa tangencia o tema: fala de algo remotamente correlato (a questão social), mas que o texto não aborda diretamente. O foco do poema é a linguagem e sua relação com a realidade, não uma análise sociológica formal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação com fatos verdadeiros do mundo real (como a questão social no sertão) para induzir o candidato a escolher alternativas que acrescentam informações que o texto não traz. A correta (A) é a única que se limita ao que o texto e o contexto autorizam.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de interpretação, desconfie de alternativas que usam palavras absolutas ("inteiramente", "contra", "subestima") ou que introduzem conceitos não mencionados ("doutrinação", "análise sociológica"). A resposta correta é sempre a que parafraseia o texto sem acrescentar nem contradizer.

Gabarito: letra A.

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