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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc063016
Banca
FCC
Órgão
SEDU-ES
Ano
2022
Cargo
Professor MaPB - Ensino Fundamental e Médio - Língua Portuguesa
Para responder a questão, baseie-se nas quatro estrofes abaixo, extraídas do poema “Graciliano Ramos:”, de João Cabral de Melo Neto. O poema é um tributo ao autor de Vidas secas, com cuja linguagem João Cabral se mostra bastante identificado.

Imagem da questão


Essas estrofes se apresentam sistematicamente introduzidas pela expressão Falo somente, que deve ser compreendida, no conjunto, como
  1. Aindicação de uma linguagem marcado pela insuficiência de recursos.
  2. Bapresentação de um discurso bastante seletivo no processo de seu desempenho.
  3. Canúncio de um rebuscamento literário marcada pelo poder de persuasão.
  4. Dcompromisso com as disposições subjetivas do sujeito lírico.
  5. Erestrição a todo recurso de linguagem que comprometa a oralidade espontânea.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — apresentação de um discurso bastante seletivo no processo de seu desempenho.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A expressão "Falo somente" no poema de João Cabral

Gabarito: letra B. A expressão "Falo somente" deve ser compreendida como apresentação de um discurso bastante seletivo no processo de seu desempenho — ou seja, o eu lírico anuncia que vai falar apenas daquilo que interessa, escolhendo criteriosamente o que dizer. Essa leitura se ancora no próprio sentido do advérbio "somente" (que restringe o escopo do que será dito) e na identificação do poeta com a linguagem enxuta de Graciliano Ramos, mencionada na introdução do texto-base.

A questão pede interpretação ("deve ser compreendida"), não mera localização literal. Portanto, precisamos captar o efeito de sentido que a repetição de "Falo somente" produz no conjunto do poema: um gesto de seleção deliberada do que será enunciado.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A letra A fala em "linguagem marcada pela insuficiência de recursos". O texto não diz que a linguagem é insuficiente ou pobre; ao contrário, a seletividade é uma escolha estética, não uma falta. A expressão "Falo somente" indica contenção voluntária, não carência. A alternativa extrapola ao transformar uma opção estilística em deficiência.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A letra B é a única que capta o sentido de seletividade: "Falo somente" = "falo apenas o que me interessa", "falo de forma escolhida". O advérbio "somente" restringe o campo do discurso, e essa restrição é qualitativa — o eu lírico seleciona os temas e as palavras. Isso se alinha à identificação com a linguagem seca e econômica de Graciliano Ramos, citada na introdução. A alternativa parafraseia corretamente o efeito da expressão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A letra C fala em "rebuscamento literário" e "poder de persuasão". Nada no texto sugere rebuscamento; pelo contrário, a linguagem de Graciliano Ramos (e a de João Cabral) é conhecida pela sobriedade, não pelo ornamento. Além disso, "persuasão" não é o foco — o eu lírico não tenta convencer, apenas delimita o que vai dizer. A alternativa tangencia o tema e acrescenta ideias ausentes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A letra D fala em "compromisso com as disposições subjetivas do sujeito lírico". Embora o poema tenha um eu lírico, a expressão "Falo somente" não remete a emoções ou subjetividade, mas a uma escolha objetiva de conteúdo. A alternativa generaliza ao atribuir um caráter subjetivo que o texto não sustenta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A letra E fala em "restrição a todo recurso de linguagem que comprometa a oralidade espontânea". O texto não menciona oralidade nem espontaneidade; a restrição é temática e estilística, não ligada à fala coloquial. A alternativa extrapola ao introduzir um critério (oralidade) que não aparece no poema.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "somente" como restrição quantitativa (falar pouco) e "somente" como seletividade qualitativa (falar do que importa). A letra A cai nessa armadilha ao falar em "insuficiência"; a correta, B, percebe que a restrição é uma escolha deliberada.

PEGA ESSA DICA!

Ao interpretar expressões repetidas, pergunte-se: qual o efeito de sentido que a repetição cria? Aqui, "Falo somente" cria um ritmo de contenção — o eu lírico delimita o próprio discurso. Palavras como "somente", "apenas", "só" costumam indicar seleção, não carência.

Gabarito: letra B.

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