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Questão de Pedagogia — Currículo (Teoria e Prática) — FCC 2022

PedagogiaCurrículo (Teoria e Prática)
Código
fc063088
Banca
FCC
Órgão
SEDU-ES
Ano
2022
Cargo
Professor MaPB Ensino Fundamental e Médio Geografia

O currículo do ensino fundamental – anos finais, do Espírito Santo, possui seis temas integradores, dentre eles, o tema Gênero, Sexualidade, Poder e Sociedade. A escolha deste tema [...] decorre de o fato da sociedade brasileira carregar uma marca autoritária: já foi uma sociedade escravocrata, além de ter uma larga tradição de relações políticas paternalistas e clientelistas, com longos períodos de governos não democráticos. Até hoje é uma sociedade marcada por relações sociais hierarquizadas e por privilégios que reproduzem um altíssimo nível de desigualdade, injustiça e exclusão social. Especificamente sobre as questões de gênero, a importância de a escola debater esta questão relaciona-se ao fato de

  1. Aa escola ser constituída, em sua maioria, por mulheres, sendo inconcebível que os homens ditem as regras.
  2. Ba escola ter como função social debater e problematizar toda e qualquer forma de discriminação na sociedade.
  3. Co Brasil e o mundo vivenciarem uma onda conservadora e a escola ter o papel de ensinar as meninas a se defenderem.
  4. Dos meninos não saberem o seu lugar e terem atitudes machistas com as meninas, as professoras e funcionárias.
  5. Ea escola ter o dever de construir valores diferentes daqueles que são ensinados pelas famílias dos estudantes.
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GabaritoB — a escola ter como função social debater e problematizar toda e qualquer forma de discriminação na sociedade.

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Gênero, Sexualidade, Poder e Sociedade no Currículo

Gabarito: letra B. A escola, como instituição social comprometida com a formação cidadã, tem o papel de debater e problematizar toda e qualquer forma de discriminação, incluindo as de gênero. O tema integrador "Gênero, Sexualidade, Poder e Sociedade" insere-se nessa função social mais ampla, que é a de questionar desigualdades historicamente construídas e promover uma educação emancipadora. A alternativa B é a única que capta essa abrangência, enquanto as demais reduzem o debate a visões estereotipadas, moralistas ou particularistas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a escola é constituída em sua maioria por mulheres e que seria "inconcebível que os homens ditem as regras". Essa justificativa é reducionista e baseada em uma generalização infundada: a composição do corpo docente não é o centro da discussão de gênero na escola, que deve focar na desconstrução de preconceitos e na promoção da igualdade, independentemente de quem ocupa os cargos.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Reflete com precisão a função social da escola: debater e problematizar toda forma de discriminação. O próprio enunciado do currículo do Espírito Santo destaca que o tema foi escolhido por causa das marcas autoritárias e hierárquicas da sociedade brasileira. Portanto, a escola não pode se omitir diante das questões de gênero, pois isso significaria reproduzir as desigualdades. A alternativa está alinhada com o discurso pedagógico crítico, que vê a escola como espaço de questionamento e transformação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Sugere que o Brasil e o mundo vivem uma "onda conservadora" e que o papel da escola seria "ensinar as meninas a se defenderem". Além de ser uma resposta limitada a uma conjuntura política passageira, ela reduz o debate de gênero a uma questão de autodefesa feminina, ignorando a necessária reflexão sobre a construção social dos papéis de gênero e a desconstrução do machismo estrutural. A escola deve trabalhar com toda a comunidade escolar, não apenas com meninas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que "os meninos não sabem o seu lugar e têm atitudes machistas com as meninas, as professoras e funcionárias". Essa visão é preconceituosa e generalizante, rotulando todos os meninos como "machistas" e colocando a culpa individual como causa do problema. O debate de gênero deve partir de uma análise crítica das estruturas sociais, não de culpabilização de grupos específicos, o que reforçaria estereótipos e impediria o diálogo construtivo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Diz que a escola "tem o dever de construir valores diferentes daqueles que são ensinados pelas famílias dos estudantes". Embora a escola possa e deva promover valores que eventualmente contrastem com algumas visões familiares (por exemplo, no combate ao racismo), a afirmação é genérica e reducionista: o objetivo não é simplesmente ser "diferente" da família, mas sim oferecer uma formação crítica e plural, que permita ao aluno refletir sobre as múltiplas realidades sociais, sempre com base no respeito e na ética. A questão de gênero, nesse contexto, insere-se na necessidade de problematizar discriminações, não numa oposição artificial escola-família.

Gabarito: letra B.

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