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Questão de Direito Penal — Concussão e Excesso de Exação — FCC 2022

Direito PenalConcussão e Excesso de Exação
Código
fc063276
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-AP
Ano
2022
Cargo
Auditor da Receita Estadual - Conhecimentos Gerais
Em janeiro do corrente ano, no Hospital público estadual, na qualidade de médico do Sistema Único de Saúde, Eduardo exigiu, para si, de Fernando, a quantia de R$ 2.000,00 (dois mil reais), para realizar na paciente, mãe de Fernando, um exame de ressonância magnética, quando esta encontrava-se internada naquele hospital às expensas do Sistema Único de Saúde, responsável por arcar com os custos do procedimento médico. Diante da situação hipotética acima descrita, a conduta praticada pelo médico constituiu o crime de
  1. Apeculato mediante erro de outrem.
  2. Bpeculato apropriação.
  3. Ccorrupção passiva.
  4. Dconcussão.
  5. Eexcesso de exação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — concussão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concussão (art. 316 do CP) e distinção de crimes contra a Administração Pública

Gabarito: letra D. A conduta do médico – funcionário público que exige vantagem indevida para realizar ato de ofício (exame médico custeado pelo SUS) – se amolda perfeitamente ao crime de concussão, previsto no art. 316 do Código Penal, que pune o ato de exigir vantagem indevida em razão da função. O verbo "exigir" é o núcleo do tipo, diferenciando-se de "solicitar" ou "receber" (corrupção passiva) e de condutas de apropriação (peculato).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a sutileza entre os verbos. No enunciado, o médico exigiu – o que exclui a corrupção passiva (que usa "solicitar ou receber") e aponta para a concussão. O candidato pode confundir com corrupção passiva se não atentar para o termo "exigir", que é mais enérgico e é elementar da concussão.

Crime (Art. CP)

Verbo Nuclear

Conduta do Agente

Relação com a Função Pública

Exemplo no Caso Concreto

Concussão (art. 316)

Exigir

Exige vantagem indevida para si ou outrem

Em razão da função (ato de ofício)

Médico exigiu R$ 2.000 para realizar exame do SUS

Corrupção Passiva (art. 317)

Solicitar ou Receber

Solicita, recebe ou aceita promessa de vantagem

Em razão da função (ato de ofício)

Médico solicitou/recebeu (não exigiu) – não se aplica

Peculato-Apropriação (art. 312)

Apropriar-se

Apropria-se de dinheiro/valor que tem posse em razão do cargo

Posse prévia do bem em razão do cargo

Médico não tinha posse de dinheiro público – não se aplica

Peculato mediante erro de outrem (art. 313)

Apropriar-se

Apropria-se de dinheiro/coisa recebida por erro de terceiro

Erro de outrem como causa da posse

Médico exigiu, não recebeu por erro – não se aplica

Excesso de Exação (art. 316, §1º)

Cobrar

Cobra tributo/contribuição sabendo que é indevido ou com excesso

Exigência de tributo (ato de ofício específico)

Médico não cobrou tributo, mas vantagem particular – não se aplica

Crimes contra a Administração
  • 1Exigir vantagem indevida
    • Concussão (art. 316)
      • Exige para si ou outrem
      • Em razão da função
    • Excesso de exação (art. 316, §1º)
      • Exige tributo indevido
      • Cobrança majorada
  • 2Solicitar ou receber vantagem
    • Corrupção passiva (art. 317)
      • Solicita ou recebe
      • Aceita promessa
  • 3Apropriar-se de posse
    • Peculato-apropriação (art. 312)
      • Já tem a posse
      • Toma para si ou desvia
    • Peculato mediante erro (art. 313)
      • Recebe por erro de outrem
      • Apropria-se
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O peculato mediante erro de outrem (art. 313 do CP) ocorre quando o funcionário se apropria de dinheiro ou utilidade que recebeu por erro de terceiro. No caso, o médico não recebeu nada por erro; ele exigiu ativamente a vantagem. Não há erro de outrem, mas exigência dolosa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O peculato-apropriação (art. 312, caput, do CP) pressupõe que o funcionário já tenha a posse do dinheiro, valor ou bem em razão do cargo e dele se aproprie ou o desvie. O médico não tinha posse de nenhum valor; ele exigiu que a vítima lhe pagasse. O objeto material não estava sob sua guarda.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A corrupção passiva (art. 317 do CP) tem como verbos nucleares "solicitar ou receber" vantagem indevida, ou aceitar promessa. O médico exigiu, não se limitou a solicitar ou receber. Embora haja debate doutrinário sobre a distinção entre exigir e solicitar, a jurisprudência e a doutrina majoritária entendem que a exigência caracteriza concussão, por ser conduta mais gravosa e autônoma. A banca adota esse entendimento.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A concussão (art. 316, caput, do CP) é exatamente "exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida". Médico, funcionário público (art. 327 do CP), exigiu R$ 2.000,00 para realizar exame que já era devido pelo SUS – vantagem indevida. Preenche todos os elementos do tipo.

Art. 316CP

Art. 316 – "Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa."

Alternativa E — ❌ Incorreta

O excesso de exação (art. 316, §1º, do CP) é uma modalidade de concussão, mas exige que o funcionário exija tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou empregue meio vexatório na cobrança de tributo devido. O médico exigiu pagamento por procedimento médico, que não é tributo. Portanto, não se enquadra.

Conclusão: A alternativa correta é a letra D – concussão.

Gabarito: letra D

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