A influência africana no português do Brasil – ideia central
Gabarito: letra C. A alternativa C parafraseia a tese principal do texto de Yeda Pessoa de Castro: a língua do colonizador (o português) se impôs, mas nela ficaram marcados os processos de aquisição por estrangeiros (os africanos escravizados). Lê-se no texto que o autor "coloca e avalia a interferência que aquelas vozes de mais de quatro milhões de negros escravizados imprimiram naquela língua portuguesa que eles foram obrigados a falar como segunda língua no Brasil". A alternativa C diz exatamente isso: a língua se impõe, mas traz marcas da aquisição por estrangeiros.
Alternativa A — ❌ Incorreta
“Quando se pensa a realidade linguística do Brasil em seu conjunto, não se pode deixar de ter em conta o grande abismo que separa uma minoria... da grande maioria...”
Erro: tangencia o tema. O texto não aborda desigualdade social ou acesso a bens e serviços. Fala de influência africana na língua, não de estratificação socioeconômica. A alternativa extrapola para um assunto alheio ao texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“...esses falares se formaram no grande cadinho que fundiu, na fornalha da escravidão em massa, as etnias originárias e as etnias africanas na forma do colonizador europeu.”
Erro: contradiz o texto. O texto afirma que a língua portuguesa foi imposta aos africanos, que a falaram como segunda língua. Não diz que houve uma "fusão" igualitária ("cadinho") entre etnias. Pelo contrário, destaca a situação de opressão e a continuidade das africanias como resistência. A palavra "cadinho" sugere uma mistura homogênea e simétrica, o que não corresponde à ideia de imposição e resistência presente no texto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“Se é a língua do colonizador – o português – que se impõe aos diferentes segmentos sociais no Brasil, não se pode deixar de perceber nela as marcas dos processos de aquisição e de nativização por estrangeiros.”
Justificativa: O texto sustenta exatamente essa ideia: "coloca e avalia a interferência que aquelas vozes de mais de quatro milhões de negros escravizados [...] imprimiram naquela língua portuguesa que eles foram obrigados a falar como segunda língua no Brasil". A alternativa reconhece a imposição ("a língua do colonizador [...] se impõe") e, ao mesmo tempo, aponta as marcas deixadas pelos falantes não nativos ("marcas dos processos de aquisição e de nativização por estrangeiros"). É uma paráfrase correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“Nos casos mais radicais das comunidades mais isoladas, continuariam em uso variedades crioulizadas do português, como os remanescentes do ‘falar crioulo’ descobertos, em Helvécia...”
Erro: extrapolação. O texto não menciona variedades crioulizadas ou o caso de Helvécia. Fala de "africanias" e da influência africana no português como um todo, mas não entra em exemplos específicos de comunidades isoladas ou crioulos. A alternativa insere informação que está fora do texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“Certos processos de variação e mudança induzidos pelas situações de contato maciço do português com línguas indígenas e africanas puderam penetrar nas camadas médias e altas, generalizando-se no português brasileiro como um todo.”
Erro: contradiz/ restringe. O texto não faz distinção por camadas sociais; afirma que a influência se deu em toda a língua falada pelos negros escravizados. Além disso, a alternativa menciona também "línguas indígenas", que não são o foco do texto (o texto trata exclusivamente de influência africana). A expressão "puderam penetrar" sugere possibilidade, enquanto o texto trata como fato consumado.
Conclusão: A única alternativa que reflete fielmente a ideia do texto é a letra C, que reconhece a imposição do português e as marcas deixadas pelos falantes africanos.