Análise do quarto parágrafo — crítica ao uso do hífen em "afro-brasileiros"
Gabarito: letra D. O quarto parágrafo manipula convenções da escrita (o hífen e o acordo ortográfico) para criticar um sistema de valores que historicamente marginaliza a contribuição africana à identidade brasileira, fazendo-a parecer um "aparte eventual". A passagem que ancora essa interpretação é:
"Neste contexto, separado por um traço de união em lugar simplesmente de se escrever afrobrasileiros, o termo afro, tratado como um prefixo, reflete de maneira subliminar aquela tendência. Destaca-se como se fosse um aparte eventual no processo e não a parte afrobrasileira inscrita em nossa identidade cultural e linguística."
A autora utiliza a própria ortografia como objeto de crítica, valendo-se de um "jogo linguístico" (o hífen vs. a forma sem hífen) para denunciar a tendência de tratar a herança africana como secundária. A crítica é direcionada a um sistema de valores historicamente construídos — a visão hegemônica que separa o que deveria ser integrado.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o parágrafo instaura um corte na argumentação voltada a demonstrar o reduzido interesse pelo estudo de línguas africanas. O texto, porém, não aborda o "interesse reduzido" como tese central; a crítica é sobre a marginalização da influência africana, não sobre o estudo das línguas especificamente. Além disso, o parágrafo não instaura um corte — ele continua a linha crítica do texto. Erro: extrapolação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Descreve uma disputa entre Linguística e Filologia e uma suposta abordagem holística. O parágrafo menciona que o conhecimento é visto como objeto de africanistas e especialistas em estudos afro-brasileiros, mas não há menção a disputa entre essas áreas nem defesa de abordagem holística. Erro: extrapolação e tangenciamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que o acordo ortográfico impôs uma cisão de elementos culturais que antes eram percebidos como articulados. O texto afirma que o hífen "reflete" uma tendência, e não que o acordo impôs a cisão. Também não há indicação de que antes os elementos eram vistos como articulados. Erro: extrapolação (inverte a relação causa-efeito).
Alternativa D — ✅ Correta (GABARITO)
Conforme demonstrado, a autora manipula a convenção ortográfica do hífen (um jogo linguístico) para criticar a visão que trata a contribuição africana como aparte. A crítica vai além da ortografia — atinge um sistema de valores que historicamente separa o que é afro do que é brasileiro. Perfeita adequação ao texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O texto não emprega aspas em "afro-brasileiros" — o termo aparece sem aspas no trecho fornecido. Além disso, o tom não é jocoso, e não há denúncia de preciosismo ou preconceito dos que determinaram a ortografia; a crítica é ao efeito do hífen, não a uma suposta intenção dos responsáveis. Erro: contradiz o texto (ausência de aspas) e extrapola (tom jocoso, preciosismo).
Conclusão: Somente a alternativa D está integralmente sustentada pelo texto.
Gabarito: letra D