Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc063321
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-AP
Ano
2022
Cargo
Auditor da Receita Estadual - Conhecimentos Gerais
No quarto parágrafo,
  1. Aas reflexões metalinguísticas instauram um corte na argumentação geral, voltada a demonstrar o reduzido interesse pelo estudo de línguas africanas no Brasil.
  2. Bdescreve-se como a Linguística e a Filologia têm disputado o objeto de pesquisa, para o qual a autora advoga uma abordagem holística, ancorada nos chamados “estudos afro-brasileiros”.
  3. Cdisserta-se sobre o acordo ortográfico, que impôs ao termo “afro-brasileiros” uma cisão de elementos culturais anteriormente percebidos como articulados pela sociedade brasileira.
  4. Dmanipulam-se convenções da escrita, fazendo ressaltar de jogos linguísticos uma crítica a um sistema de valores historicamente construídos.
  5. Eo emprego de aspas em “afro-brasileiros” imprime tom jocoso ao fragmento dissertativo, além de denunciar preciosismo e preconceito dos que determinaram a ortografia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — manipulam-se convenções da escrita, fazendo ressaltar de jogos linguísticos uma crítica a um sistema de valores historicamente construídos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise do quarto parágrafo — crítica ao uso do hífen em "afro-brasileiros"

Gabarito: letra D. O quarto parágrafo manipula convenções da escrita (o hífen e o acordo ortográfico) para criticar um sistema de valores que historicamente marginaliza a contribuição africana à identidade brasileira, fazendo-a parecer um "aparte eventual". A passagem que ancora essa interpretação é:

"Neste contexto, separado por um traço de união em lugar simplesmente de se escrever afrobrasileiros, o termo afro, tratado como um prefixo, reflete de maneira subliminar aquela tendência. Destaca-se como se fosse um aparte eventual no processo e não a parte afrobrasileira inscrita em nossa identidade cultural e linguística."

A autora utiliza a própria ortografia como objeto de crítica, valendo-se de um "jogo linguístico" (o hífen vs. a forma sem hífen) para denunciar a tendência de tratar a herança africana como secundária. A crítica é direcionada a um sistema de valores historicamente construídos — a visão hegemônica que separa o que deveria ser integrado.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o parágrafo instaura um corte na argumentação voltada a demonstrar o reduzido interesse pelo estudo de línguas africanas. O texto, porém, não aborda o "interesse reduzido" como tese central; a crítica é sobre a marginalização da influência africana, não sobre o estudo das línguas especificamente. Além disso, o parágrafo não instaura um corte — ele continua a linha crítica do texto. Erro: extrapolação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Descreve uma disputa entre Linguística e Filologia e uma suposta abordagem holística. O parágrafo menciona que o conhecimento é visto como objeto de africanistas e especialistas em estudos afro-brasileiros, mas não há menção a disputa entre essas áreas nem defesa de abordagem holística. Erro: extrapolação e tangenciamento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que o acordo ortográfico impôs uma cisão de elementos culturais que antes eram percebidos como articulados. O texto afirma que o hífen "reflete" uma tendência, e não que o acordo impôs a cisão. Também não há indicação de que antes os elementos eram vistos como articulados. Erro: extrapolação (inverte a relação causa-efeito).

Alternativa D — ✅ Correta (GABARITO)

Conforme demonstrado, a autora manipula a convenção ortográfica do hífen (um jogo linguístico) para criticar a visão que trata a contribuição africana como aparte. A crítica vai além da ortografia — atinge um sistema de valores que historicamente separa o que é afro do que é brasileiro. Perfeita adequação ao texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O texto não emprega aspas em "afro-brasileiros" — o termo aparece sem aspas no trecho fornecido. Além disso, o tom não é jocoso, e não há denúncia de preciosismo ou preconceito dos que determinaram a ortografia; a crítica é ao efeito do hífen, não a uma suposta intenção dos responsáveis. Erro: contradiz o texto (ausência de aspas) e extrapola (tom jocoso, preciosismo).

Conclusão: Somente a alternativa D está integralmente sustentada pelo texto.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/fc063321