Questão de Auditoria — Auditoria Independente (Externa) — FCC 2022
Auditoria›Auditoria Independente (Externa)
Código
fc063324
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-AP
Ano
2022
Cargo
Fiscal da Receita Estadual - Conhecimentos Específicos
A empresa Bem Barato Ltda. tinha em estoque cinco máquinas de lavar roupa da marca Bem Boa. Como a empresa precisava melhorar os índices de liquidez, o gerente da empresa, após vender uma máquina por mil reais à vista, em dinheiro, escriturou na contabilidade que tinha realizado a venda de cinco máquinas, sendo uma à vista, e quatro a prazo, fazendo os correspondentes lançamentos nas contas estoque, caixa e clientes, entre outras. Logo em seguida, a empresa foi submetida a procedimento de fiscalização por parte da autoridade tributária estadual competente para fiscalizar e lançar o ICMS. No decorrer dos trabalhos foi constatada a diferença mediante o controle físico dos bens, entre o número de unidades estocadas (quatro) e os valores de saldo inicial, entradas (cinco) e saídas (cinco) de unidades da máquina Bem Boa. Em decorrência desta constatação,
Aa empresa deve oferecer à tributação os valores relativos às quatro unidades que a contabilidade indica terem sido vendidas.
Bficou demonstrada a entrada de bens não contabilizados.
Cfoi identificado o suprimento de caixa sem comprovação de origem do numerário.
Da escrituração contábil da empresa deve ser destruída, desde o início do período, para ser refeita a partir do zero.
Ea distorção nas demonstrações contábeis da empresa deve ser considerada como decorrente de fraude.
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GabaritoE — a distorção nas demonstrações contábeis da empresa deve ser considerada como decorrente de fraude.
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Auditoria: identificação de fraude
Gabarito: letra E. A conduta do gerente — vender uma máquina e registrar a venda de cinco, com lançamentos fictícios de contas a receber — configura manipulação dolosa das demonstrações contábeis, o que é essencialmente uma fraude. A constatação da diferença entre estoque físico (4 unidades) e escriturado (5 unidades) é a evidência que permite ao auditor fiscal concluir pela intencionalidade, e não por mero erro.
A questão testa a capacidade de distinguir entre erro e fraude em auditoria. Enquanto o erro é não intencional, a fraude envolve dolo, como no caso narrado. A alternativa E é a única que capta essa essência.
Aspecto
Descrição
Evidência no Caso
Consequência
Conduta do gerente
Venda real de 1 máquina; registro fictício de 5 vendas (1 à vista, 4 a prazo)
Lançamentos indevidos em estoque, caixa e clientes
Manipulação dolosa das demonstrações contábeis
Natureza do ato
Fraude (dolo)
Intencionalidade na criação de registros falsos
Distinção de erro (não intencional)
Evidência constatada
Diferença entre estoque físico (4 unidades) e escriturado (5 unidades)
Controle físico revela divergência
Permite concluir pela intencionalidade
Impacto contábil
Baixa indevida de 4 máquinas no estoque; criação de contas a receber fictícias
Estoque reduzido sem venda real; clientes superavaliados
Distorção nas demonstrações contábeis
Alternativa correta (E)
Fraude como causa da distorção
Conduta dolosa do gerente
Deve ser tratada como fraude em auditoria
Fraude vs. Erro em auditoria: Fraude (dolo) (Manipulação intencional, Registro fictício de vendas, Baixa indevida de estoque); Erro (não intencional) (Falha de cálculo, Omissão involuntária); Evidências de fraude (Diferença estoque físico x escriturado, Lançamentos sem lastro real)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a empresa deve oferecer à tributação os valores relativos às quatro unidades que a contabilidade indica terem sido vendidas. A contabilidade indica cinco vendas (uma à vista, quatro a prazo), mas a operação real foi de apenas uma venda. A tributação deve incidir sobre o fato gerador real, não sobre registros fictícios. A diferença apurada no controle físico pode levar a exigência de tributos sobre a omissão, mas a alternativa erra ao sugerir tributar as quatro unidades fictícias como se fossem reais.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Fala em "entrada de bens não contabilizados". O problema não é entrada não contabilizada; ao contrário, houve saída indevida de estoque (baixa de cinco máquinas quando apenas uma foi efetivamente vendida). Não há qualquer evidência de bens entrados sem registro.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Menciona "suprimento de caixa sem comprovação de origem do numerário". O caixa recebeu R$ 1.000,00 da venda real, e esse valor foi corretamente escriturado como recebimento à vista. O problema não está no caixa, mas no registro de vendas fictícias a prazo e na baixa indevida do estoque. Suprimento de caixa ocorreria se houvesse entrada de recursos sem origem comprovada, o que não é o caso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Propõe a destruição da escrituração contábil. Isso é juridicamente e contabilmente impraticável. A escrituração regular deve ser preservada; eventuais incorreções são corrigidas por meio de ajustes ou retificações, nunca pela destruição dos registros.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A distorção nas demonstrações contábeis decorre de ato intencional do gerente (vender uma máquina e registrar cinco), visando melhorar artificialmente os índices de liquidez. Essa conduta se enquadra no conceito de fraude: ato doloso de omissão ou manipulação de informações contábeis. A diferença constatada entre o controle físico e a escrituração é indício forte de fraude, confirmado pelo contexto de ação deliberada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir fraude com erro ou com outras irregularidades (suposto suprimento de caixa, tributação sobre registros fictícios). O candidato deve atentar para a intencionalidade da conduta do gerente, que é o traço distintivo da fraude. A simples diferença de estoque poderia ser um erro, mas a narrativa deixa claro que houve dolo.