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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc063441
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-AP
Ano
2022
Cargo
Fiscal da Receita Estadual - Conhecimentos Gerais
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

[O que queremos?]

    Se a história do homo sapiens, tal como o definimos até agora, está mesmo chegando ao fim, nós, membros de uma de suas últimas gerações, devemos dedicar algum tempo a responder a uma última pergunta: o que queremos nos tornar?
    A maioria das pessoas prefere não falar sobre isso. Mesmo o campo da bioética prefere abordar outra pergunta: “O que é proibido fazer?”. É aceitável fazer experimentos genéticos com seres humanos vivos? Com fetos abortados? Com células-tronco? É ético clonar ovelhas? Todas essas perguntas são importantes, mas é ingênuo imaginar que podemos simplesmente frear os projetos científicos que estão transformando o homo sapiens em um tipo diferente de ser, pois esses projetos estão inextricavelmente unidos à busca pela imortalidade.
     Pergunte aos cientistas por que estudam o genoma, ou tentam conectar um cérebro a um computador, ou tentam criar uma mente dentro de um computador. Nove em cada dez lhe darão a mesma resposta: estamos fazendo isso para curar doenças e salvar vidas humanas. Embora as implicações de criar uma mente dentro de um computador sejam muito mais dramáticas do que curar doenças psiquiátricas, essa é a justificativa padrão fornecida, porque ninguém pode argumentar contra ela.
     A única coisa que podemos tentar fazer é influenciar a direção do que se está fazendo nas ciências. Mas considerando que possivelmente logo seremos capazes de manipular inclusive nossos desejos, a verdadeira pergunta a ser enfrentada não é “O que queremos nos tornar?”, e sim “O que queremos querer?”. Aqueles que não se sentem assombrados por essa pergunta provavelmente não refletiram o suficiente a respeito.

(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. Sapiens: Uma breve história da humanidade. Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre: L&PM, 2018, 425-426)
É inteiramente clara e correta a redação deste comentário sobre o texto:
  1. ANesse texto não faltam, atentando-se no segundo parágrafo, insinuações de que no campo da bioética podem haver perguntas incômodas.
  2. BA evolução da ciência chegou ao delicado limite no qual os cientistas, em suas experiências mais radicais, fornecem razões éticas para justificá-las.
  3. CA clonagem de ovelhas está entre os experimentos genéticos cujo valor é atribuído à dúvida dos fundamentos éticos dos mesmos.
  4. DDizem os especialistas em clonagem, que é vantajoso levar em frente tais experiências que podem redundar do mais proveitoso avanço da ciência.
  5. EHá bastante sutileza na diferença entre as duas perguntas, que ao final do texto, o autor nos lança, à respeito do nosso transformar-se ou do nosso querer.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A evolução da ciência chegou ao delicado limite no qual os cientistas, em suas experiências mais radicais, fornecem razões éticas para justificá-las.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Comentário sobre o texto – redação clara e correta

Gabarito: letra B. A alternativa B parafraseia corretamente o texto: os cientistas, ao realizarem experiências radicais (como manipulação genética, conexão cérebro-computador, criação de mente artificial), fornecem razões éticas padrão – curar doenças e salvar vidas – para justificá-las. A redação é gramaticalmente impecável e mantém o sentido original.

NÃO CAIA NESSA!

As demais alternativas apresentam erros gramaticais (concordância, regência, crase) ou distorcem o conteúdo do texto (inferências não autorizadas, troca de termos).

Alternativa

Erro(s) identificado(s)

Justificativa

A

Gramatical: "podem haver" (deveria ser "pode haver"); "atentando-se no" (deveria ser "atentando-se ao/para o"). De sentido: o texto não traz "insinuações", mas afirmações diretas.

Incorreta

B

Nenhum. A redação é clara, correta e parafraseia fielmente o texto: cientistas justificam experiências radicais com razões éticas (curar, salvar).

Correta (gabarito)

C

De sentido: o texto não afirma que o valor da clonagem é atribuído à dúvida dos fundamentos éticos; a expressão é confusa e não se sustenta.

Incorreta

D

Gramatical: "redundar do" (o correto é "redundar em"). De sentido: o texto não menciona "especialistas em clonagem" nem afirma vantagem em levar adiante as experiências.

Incorreta

E

Gramatical: "à respeito" (o correto é "a respeito", sem crase). De sentido: a redação é confusa e não reflete precisamente a sutileza entre as perguntas.

Incorreta

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: gramatical e de sentido. "Podem haver" deveria ser "pode haver" (haver impessoal); "atentando-se no segundo parágrafo" é construção inadequada (o correto seria "atentando-se ao/para o segundo parágrafo"). Além disso, o texto não traz "insinuações" – ele afirma diretamente que a bioética prefere outra pergunta.

Alternativa B — ✅ Correta

Justificativa: A frase "A evolução da ciência chegou ao delicado limite no qual os cientistas, em suas experiências mais radicais, fornecem razões éticas para justificá-las" corresponde ao que o texto explicita:

"Pergunte aos cientistas por que estudam o genoma, ou tentam conectar um cérebro a um computador, ou tentar criar uma mente dentro de um computador. Nove em cada dez lhe darão a mesma resposta: estamos fazendo isso para curar doenças e salvar vidas humanas."

Os cientistas justificam experiências radicais com razões éticas (curar, salvar). A redação é clara e correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: sentido distorcido. O texto cita a clonagem de ovelhas como exemplo de pergunta ética, mas não afirma que o valor dela é atribuído à dúvida dos fundamentos éticos. A expressão "cujo valor é atribuído à dúvida" é confusa e não se sustenta no texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: gramatical (regência) e de sentido. "Redundar do" deveria ser "redundar em". O texto não menciona "especialistas em clonagem" nem afirma que é vantajoso levar adiante tais experiências; a justificativa é sempre a cura de doenças.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: gramatical (crase indevida em "à respeito") e imprecisão. O autor lança duas perguntas, mas a diferença entre elas é sutil? O texto diz que a verdadeira pergunta é "O que queremos querer?", não que haja "bastante sutileza" – é um contraste direto.

Conclusão: Apenas a alternativa B apresenta redação inteiramente clara e correta, sem erros gramaticais e em plena conformidade com o texto.

Gabarito: letra B

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