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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc063869
Banca
FCC
Órgão
TJ-CE
Ano
2022
Cargo
Analista Judiciário - Ciência da Computação - Sistemas da Informação
1. Qual é a principal obra que produzem os autores e narradores dos novos gêneros autobiográficos? Um personagem chamado eu. O que todos criam e recriam ao performar as suas vidas nas vitrines interativas de hoje é a própria personalidade.
2. A autoconstrução de si como um personagem visível seria uma das metas prioritárias de grande parte dos relatos cotidianos, compostos por imagens autorreferentes, numa sorte de espetáculo pessoal em diálogo com os demais membros das diversas redes.
3. Por isso, os canais de comunicação das mídias sociais da intemet são também ferramentas para a criação de si. Esses instrumentos de autoestilização agora se encontram à disposição de qualquer um. Isso significa um setor crescente da população mundial, mas também, ao mesmo tempo, remete a outro sentido dessa expressão. “Qualquer um” significa ninguém extraordinário, em princípio, por ter produzido alguma coisa excepcional, e que tampouco se vê impelido a fazê-lo para virar um personagem público. A insistência nessa ideia de que “agora qualquer um pode” encontra-se no ceme das louvações democratizantes plasmadas em conceitos como os de “inclusão digital”, recorrentes nas análises mais entusiastas destes fenômenos, tanto no âmbito acadêmico como no jornalístico.
4. Em que pese a suposta liberdade de escolha de cada usuário, há códigos implícitos e fórmulas bastante explícitas para o sucesso dessa autocriação.
5. As diversas versões dessas personalidades que performam em múltiplas telas admitem certa variabilidade individual, mas costumam partir de uma base comum. Essa modalidade subjetiva que hoje triunfa está impregnada com alguns vestígios do estilo do artista romântico, mas não se trata de alguém que procura produzir uma obra independente do seu criador. Ao invés disso, toda a energia e os recursos estilísticos estão dirigidos a que esse autor de si mesmo seja capaz de criar um personagem dotado de uma personalidade atraente. Trata-se de uma obra para ser vista e, nessa exposição, a obra precisa conquistar os aplausos do público. É uma subjetividade que se autocria em contato permanente com o olhar alheio, algo que se cinzela a todo momento para ser compartilhado, curtido, comentado e admirado. Por isso, trata-se de um tipo de construção de si alterdirigida, recorrendo aos conceitos propostos pelo sociólogo David Riesman, no livro A multidão solitária.

(Adaptado de: Paula Sibilia. O show do eu: a intimidade como espetáculo. Contraponto, edição digital)  
No texto, a autora
  1. Aenaltece o conceito de inclusão digital na seara do jornalismo.
  2. Bmostra-se avessa à ideia de usar recursos estilísticos para construir uma personalidade digital.
  3. Cmostra-se indiferente à criação das “vitrines interativas” da contemporaneidade.
  4. Dopõe-se à noção de autoconstrução de si como um personagem visível nas redes sociais.
  5. Eassinala que qualquer um pode se transformar num personagem público mesmo sem produzir algo notável.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — assinala que qualquer um pode se transformar num personagem público mesmo sem produzir algo notável.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Autora sobre a autoconstrução de si nas redes sociais

Gabarito: letra E. A autora afirma explicitamente que "qualquer um" pode tornar-se personagem público, mesmo sem ter produzido algo excepcional, conforme o 3º parágrafo: "Qualquer um significa ninguém extraordinário, em princípio, por ter produzido alguma coisa excepcional, e que tampouco se vê impelido a fazê-lo para virar um personagem público." Essa é a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A autora não enaltece o conceito de inclusão digital; ela o menciona como parte de "louvações democratizantes" (3º parágrafo), termo que sugere uma visão crítica, não de exaltação. A alternativa extrapola ao atribuir ao texto uma opinião de apoio que não está presente.

"A insistência nessa ideia de que 'agora qualquer um pode' encontra-se no cerne das louvações democratizantes plasmadas em conceitos como os de 'inclusão digital'."

Alternativa B — ❌ Incorreta

O texto descreve o uso de recursos estilísticos como algo que de fato ocorre (5º parágrafo: "toda a energia e os recursos estilísticos estão dirigidos..."), sem manifestar aversão. Atribuir repulsa ao autor é contradizer o texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A autora dedica todo o texto a analisar a criação das "vitrines interativas", demonstrando interesse analítico, não indiferença. A alternativa contradiz o teor do texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A autora não se opõe à autoconstrução de si; reconhece que ela ocorre e a descreve como "meta prioritária" (2º parágrafo). A alternativa inverte a posição da autora.

"A autoconstrução de si como um personagem visível seria uma das metas prioritárias de grande parte dos relatos cotidianos."

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como demonstrado, o 3º parágrafo afirma que "qualquer um" – ou seja, ninguém que tenha produzido algo excepcional – pode se tornar um personagem público. A alternativa E parafraseia fielmente essa ideia.

"Qualquer um significa ninguém extraordinário, em princípio, por ter produzido alguma coisa excepcional, e que tampouco se vê impelido a fazê-lo para virar um personagem público."

Gabarito: letra E

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