Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Morfologia - Verbos — FCC 2022

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
fc063930
Banca
FCC
Órgão
TJ-CE
Ano
2022
Cargo
Analista Judiciário - Área Judiciária

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Brincadeiras de criança

  Entre as crianças daquele tempo, na hora de formar grupos pra brincar, alguém separava as sílabas enquanto ia rodando e apontando cada um com o dedo: “Lá em ci-ma do pi-a-no tem um co-po de ve-ne-no, quem be-beu mor-reu, o cul-pa-do não fui eu”. Piano? Qual? Veneno? Por quê? Morreu? Quem? Tratava-se de uma “parlenda”*, como aprendi bem mais tarde, mas podem chamar de surrealismo, enigma, senha mágica, charada...

  Mesmo as nossas cartilhas de alfabetização tinham seus mistérios: uma das lições iniciais era a frase “A macaca é má”, com a ilustração de uma macaquinha espantada e a exploração repetida das sílabas “ma” e “ca”. Ponto. Nenhuma história? Por que era má a macaquinha? Depois aprendi que “má macaca” é um parequema**. A gente vai ficando sabido e ignorando o essencial. O que, afinal, teria aprontado a má macaquinha da cartilha?

  A grande poeta Orides Fontela usou como epígrafe de um de seus livros de alta poesia (Helianto, 1973) esta popular quadrinha de cantiga de roda: 


                                                  “Menina, minha menina,

Faz favor de entrar na roda

Cante um verso bem bonito

Diga adeus e vá-se embora”

  Ou seja: brincando, brincando, eis a nossa vida resumida, em meio aos densos poemas de Orides, a nossa vida, em que cada um de nós se apresenta aos outros, busca dizer com capricho a que veio no tempinho que teve e...adeus. Podem soar fundo as palavras mais inocentes: “ir-se embora”, depois da viva roda... E ir-se embora sem saber mais nada daquele copo de veneno em cima do piano ou da macaquinha da cartilha, eternamente condenada a ser má. Ir-se embora já ouvindo bem ao longe as vozes das crianças cantando na roda.

* parlenda: palavreado utilizado em brincadeiras infantis ou jogos de memorização.

** parequema: repetição de sons ou da sílaba final de uma palavra, no início da palavra seguinte.

(Adaptado de: MACEDÔNIO, Faustino. Casos de almanaque, a publicar)


As flexões dos verbos e as relações entre seus tempos e modos estão adequadamente observadas na frase:
  1. ACaso não se mantivessem algumas tradições culturais, muitas das brincadeiras infantis teriam deixado de existir e de reviver em nossa memória.
  2. BAinda que não nos detêssemos muito nas palavras que cantávamos, elas nos remetessem a uma espécie de atmosfera mágica.
  3. CMuitos de nós, leitores de cartilha, talvez supôssemos o que terá ocorrido para se considerar malvada uma tão simpática macaquinha.
  4. DSe alguém vier para o meio da roda e se dispor a cantar, que nos presenteasse a todos com uns versos bem bonitos.
  5. ENo caso de houver interesse em cantar bonito na roda, bastaria que alguém se apresente e já dê início à canção memorizada.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Caso não se mantivessem algumas tradições culturais, muitas das brincadeiras infantis teriam deixado de existir e de reviver em nossa memória.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Flexão verbal – correlação de tempos e modos

Gabarito: letra A. A única frase em que todas as formas verbais obedecem à correlação adequada de tempos e modos é a alternativa A. Nela, o conectivo condicional caso exige o pretérito imperfeito do subjuntivo (mantivessem), e a oração principal emprega corretamente o futuro do pretérito composto (teriam deixado), formando a estrutura típica de condicional irreal.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Caso não se mantivessem algumas tradições culturais, muitas das brincadeiras infantis teriam deixado de existir e de reviver em nossa memória."

A correlação está perfeita: caso + imperfeito do subjuntivo estabelece uma hipótese; a consequência é expressa pelo futuro do pretérito composto (teriam deixado), que indica ação que não se realizou. Não há erro de conjugação nem de sequência temporal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Ainda que não nos detêssemos muito nas palavras que cantávamos, elas nos remetessem a uma espécie de atmosfera mágica."

Erro: o conectivo concessivo ainda que exige subjuntivo na oração subordinada (detêssemos), mas a oração principal deve ficar no indicativo para expressar um fato real ou constatado. O correto seria remetiam (pretérito imperfeito do indicativo). O uso do subjuntivo (remetessem) na principal torna a frase inadequada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Muitos de nós, leitores de cartilha, talvez supôssemos o que terá ocorrido para se considerar malvada uma tão simpática macaquinha."

Erro: após talvez, admite-se o subjuntivo (supôssemos), mas a forma terá ocorrido (futuro do presente composto do indicativo) não se harmoniza com o valor hipotético da frase. Para expressar uma suposição sobre o passado, o adequado seria teria ocorrido (futuro do pretérito composto) ou houvesse ocorrido (mais-que-perfeito do subjuntivo).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Se alguém vier para o meio da roda e se dispor a cantar, que nos presenteasse a todos com uns versos bem bonitos."

Erros:

  • Se dispor: após se e no mesmo contexto de futuro, o verbo dispor deveria estar no futuro do subjuntivo: se dispuser. A forma dispor é infinitivo, inadequada.

  • Presenteasse: o imperativo de desejo (que nos presenteasse) está no pretérito imperfeito do subjuntivo, mas a condição está no futuro. A correlação pediria presente do subjuntivo (que nos presenteie) ou, se hipotético, coerentemente outro tempo. Há quebra na sequência temporal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"No caso de houver interesse em cantar bonito na roda, bastaria que alguém se apresente e já dê início à canção memorizada."

Erros:

  • No caso de houver: a locução no caso de exige infinitivo (haver) ou, se seguida de oração, o subjuntivo (no caso de que haja). A forma houver (futuro do subjuntivo) só é correta após se (se houver).

  • Bastaria que alguém se apresente: o verbo bastaria (condicional) exige na oração subordinada o imperfeito do subjuntivo (se apresentasse) para manter a correlação. Se apresente é presente do subjuntivo, quebrado com o condicional.

Conclusão: apenas a alternativa A apresenta correlação perfeita entre os tempos e modos verbais, sem qualquer desvio gramatical.

Dica: em questões de correlação verbal, identifique o conectivo (se, caso, ainda que, talvez) e veja se o tempo da oração principal é compatível. Armadilha comum é o uso de subjuntivo onde cabe indicativo (B) ou mistura de tempos sem nexo (C, D, E).

Link permanente: /questoes/fc063930