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Questão de Português — Sintaxe — FCC 2022

PortuguêsSintaxe
Código
fc063935
Banca
FCC
Órgão
TJ-CE
Ano
2022
Cargo
Analista Judiciário - Área Judiciária

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. 


O exercício da crônica 

  Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um romancista, na qual este é levado pelas personagens e situações que criou.
   Alguns cronistas escrevem de maneira simples e direta, sem caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali desses pequenos achados que são sua marca registrada. Outros, de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde como um convite ao sono. Outros ainda, e constituem a maioria, “tacam o peito” na máquina de escrever e cumprem o dever cotidiano da crônica como uma espécie de desespero, numa atitude de “ou vai ou racha”.
   Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre infundir vida e alegria em seus leitores; e há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar a gente não só quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a própria personalidade atrás do que dizem; em contrapartida, os vaidosos castigam no pronome da primeira pessoa e colocam-se como a personagem principal de todas as situações.
  Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo, todos esses “marginais da imprensa”, por assim dizer, têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as espicaçam; este é lido por puro deleite, aquele por puro vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica, e o cronista afirma-se cada vez mais como o cafezinho quente logo pela manhã.
  Coloque-se porém, ó leitor, ingrato leitor, no papel do cronista. Dias há em que, positivamente, a crônica “não baixa”. O cronista levanta-se, senta-se, levanta de novo, chega à janela, põe um disco na vitrola, dá um telefonema, relê crônicas passadas em busca de inspiração – e nada. Aí então, se ele é cronista de verdade, ele se pega pela gola e diz: “Vamos, escreve, ó mascarado! Escreve uma crônica sobre essa cadeira que está à sua frente, e que ela seja bem feita e divirta seus leitores!” E o negócio sai de qualquer maneira.

(Adaptado de: MORAES, Vinícius de. Os sabiás da crônica. Antologia. Org. Augusto Massi. Belo Horizonte: Autêntica, 2021, p. 103-104) 

As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:
  1. ANão cabem aos cronistas se deixarem levar, em sua prosa informal, pelos mesmos recursos que mobilizam um romancista.
  2. BÉ com desafios diários de criatividade que um cronista se depara, para bem cumprir as funções que espera dele seu público cativo.
  3. CAs várias modalidades de crônica que ressaltam esse texto deve-se à preocupação do autor em tipificar a diversidade dos cronistas.
  4. DAos chamados “marginais da imprensa”, criativos cronistas de jornal, cumprem prestigiar a oralidade e a simplicidade da linguagem
  5. EQuando não ocorre aos cronistas quaisquer temas de alguma relevância, podem surgir-lhes como saída ficar falando da falta de assunto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — É com desafios diários de criatividade que um cronista se depara, para bem cumprir as funções que espera dele seu público cativo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal na frase

Gabarito: letra B. A única alternativa que respeita as normas de concordância verbal é a B. Nela, todos os verbos estão corretamente flexionados: "É" (sujeito oracional, singular), "se depara" (sujeito "um cronista", singular) e "espera" (sujeito "seu público cativo", singular). Nas demais, há erros de concordância, como se demonstra a seguir.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O verbo "cabem" deveria estar no singular, pois o sujeito é a oração reduzida de infinitivo "se deixarem levar" (ideia de um ato, singular). A forma correta seria "Não cabe aos cronistas se deixarem levar...".

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

  • "É" – sujeito oracional (a construção "É com X que Y") → singular.

  • "se depara" – sujeito "um cronista" (3ª pess. sing.) → singular.

  • "espera" – sujeito "seu público cativo" (3ª pess. sing.) → singular. Todas as concordâncias estão corretas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O sujeito de "deve-se" é "As várias modalidades de crônica" (plural), portanto o verbo deveria estar no plural: "devem-se".

Alternativa D — ❌ Incorreta

Na estrutura "Aos chamados... cumprem prestigiar", o verbo "cumprem" está no plural, mas o sujeito é a oração reduzida de infinitivo "prestigiar a oralidade..." (singular). O correto é "cumpre prestigiar".

Alternativa E — ❌ Incorreta

  • "não ocorre" – o sujeito é "quaisquer temas" (plural) → deveria ser "não ocorrem".

  • "podem surgir-lhes" – o sujeito é a oração reduzida "ficar falando" (singular) → deveria ser "pode surgir-lhes".

Conclusão: Apenas a letra B apresenta concordância verbal plenamente de acordo com as normas.

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

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