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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc063937
Banca
FCC
Órgão
TJ-CE
Ano
2022
Cargo
Analista Judiciário - Área Judiciária

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. 


O exercício da crônica 

  Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um romancista, na qual este é levado pelas personagens e situações que criou.
   Alguns cronistas escrevem de maneira simples e direta, sem caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali desses pequenos achados que são sua marca registrada. Outros, de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde como um convite ao sono. Outros ainda, e constituem a maioria, “tacam o peito” na máquina de escrever e cumprem o dever cotidiano da crônica como uma espécie de desespero, numa atitude de “ou vai ou racha”.
   Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre infundir vida e alegria em seus leitores; e há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar a gente não só quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a própria personalidade atrás do que dizem; em contrapartida, os vaidosos castigam no pronome da primeira pessoa e colocam-se como a personagem principal de todas as situações.
  Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo, todos esses “marginais da imprensa”, por assim dizer, têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as espicaçam; este é lido por puro deleite, aquele por puro vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica, e o cronista afirma-se cada vez mais como o cafezinho quente logo pela manhã.
  Coloque-se porém, ó leitor, ingrato leitor, no papel do cronista. Dias há em que, positivamente, a crônica “não baixa”. O cronista levanta-se, senta-se, levanta de novo, chega à janela, põe um disco na vitrola, dá um telefonema, relê crônicas passadas em busca de inspiração – e nada. Aí então, se ele é cronista de verdade, ele se pega pela gola e diz: “Vamos, escreve, ó mascarado! Escreve uma crônica sobre essa cadeira que está à sua frente, e que ela seja bem feita e divirta seus leitores!” E o negócio sai de qualquer maneira.

(Adaptado de: MORAES, Vinícius de. Os sabiás da crônica. Antologia. Org. Augusto Massi. Belo Horizonte: Autêntica, 2021, p. 103-104) 

Ao afirmar que todos os cronistas têm o seu papel a cumprir (4º parágrafo), o autor se apoia no seguinte argumento:
  1. Aocultam cuidadosamente a própria personalidade (3º parágrafo).
  2. Bcolocam-se como a personagem principal de todas as situações (3º parágrafo).
  3. Cos vaidosos castigam no pronome da primeira pessoa (3º parágrafo).
  4. Dé preciso um pouco de tudo para fazer um mundo (4º parágrafo).
  5. Eescrevem de maneira simples e direta (2º parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo (4º parágrafo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Argumento que sustenta a função dos cronistas

Gabarito: letra D. A afirmação de que todos os cronistas têm o seu papel a cumprir é apoiada pelo ditado popular “é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo”, que funciona como justificativa – uma causa – para a diversidade de estilos e funções descrita anteriormente. O texto liga explicitamente: “Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo, todos esses ‘marginais da imprensa’ … têm o seu papel a cumprir.” Portanto, D é a única alternativa que reproduz esse argumento causal.

Alternativa A — ❌ Incorreta

“ocultam cuidadosamente a própria personalidade” (3º parágrafo)

Essa é uma característica de um subgrupo (os modestos) mencionada antes da conclusão, não a base lógica para a afirmação de que todos têm um papel.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“colocam-se como a personagem principal de todas as situações” (3º parágrafo)

Refere-se aos vaidosos, outro subgrupo, e não serve de argumento para a função universal dos cronistas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“os vaidosos castigam no pronome da primeira pessoa” (3º parágrafo)

Mais um detalhe sobre um grupo específico, sem relação de causa com a tese central.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo” (4º parágrafo)

É exatamente o argumento apresentado pelo autor para justificar que cada cronista, com seu estilo peculiar, cumpre um papel. O conector “Como se diz que” introduz a causa que fundamenta a conclusão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“escrevem de maneira simples e direta” (2º parágrafo)

Apenas descreve um dos estilos, não constitui o argumento que abrange todos os cronistas.

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