Análise da questão — Interpretação de Vinícius de Moraes sobre a crônica
Gabarito: letra D. Vinícius de Moraes afirma que, apesar da diversidade de estilos e humores dos cronistas, o público não dispensa a crônica, incorporando-a ao cotidiano — como o "cafezinho quente logo pela manhã". Nenhuma outra alternativa se sustenta integralmente no texto.
Comando: compreensão explícita (“Ao buscar caracterizar...”) — cada alternativa deve ser fiel ao que está escrito.
Referência textual decisiva:
“Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica, e o cronista afirma-se cada vez mais como o cafezinho quente logo pela manhã.”
Essa passagem comprova que a crônica se tornou um hábito diário do leitor, exatamente o que afirma a alternativa D.
Alternativa A — ❌ Incorreta
“Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um romancista, na qual este é levado pelas personagens e situações que criou.”
O texto apenas distingue o trabalho do cronista (livre) do romancista (guiado por personagens). Não afirma que no romance a relação entre fatos/personagens é mais aleatória ou casual – a ideia de “aleatório” é uma extrapolação. Erro: extrapolar (fora_do_escopo).
Alternativa B — ❌ Incorreta
“Alguns cronistas escrevem de maneira simples e direta, sem caprichar demais no estilo... Outros, de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde...”
O texto descreve estilos diferentes, mas não estabelece oposição entre eles nem diz que um conquista o público pelo estilo mais trabalhado. Pelo contrário, o público lê ambos, conforme o gosto. Erro: generalização indevida (cria uma relação que o texto não sustenta).
Alternativa C — ❌ Incorreta
“Há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar a gente... Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a própria personalidade...”
Os “tristes” são descritos como querendo desanimar, não como ocultadores da personalidade. Quem oculta a personalidade são os “modestos”. A alternativa mistura as características, invertendo o que o texto diz. Erro: contradiz_texto (troca de atributos).
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica, e o cronista afirma-se cada vez mais como o cafezinho quente logo pela manhã.”
A metáfora do “cafezinho” indica que a crônica é consumida diariamente, já faz parte da rotina do público. A alternativa parafraseia fielmente essa ideia: “já se incorporou aos hábitos cotidianos”. Correta por paráfrase direta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“Outros ainda, e constituem a maioria, ‘tacam o peito’ na máquina de escrever e cumprem o dever cotidiano da crônica como uma espécie de desespero, numa atitude de ‘ou vai ou racha’.”
O texto menciona que alguns cronistas escrevem mecanicamente, mas não afirma que a prática da crônica leva o escritor a ter facilidade ou a escrever mecanicamente; ao contrário, descreve uma dificuldade inicial (“a crônica não baixa”). A conclusão sugerida não está no texto. Erro: extrapolar (acrescenta relação de causa que não existe).
Conclusão: A única alternativa plenamente apoiada no texto é a D, pois reproduz o núcleo da tese final do autor: a crônica tornou-se consumo cotidiano do público. Demais alternativas ou extrapolam, contradizem ou invertem informações textuais. Gabarito: letra D.