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Questão de Português — Sintaxe — FCC 2022

PortuguêsSintaxe
Código
fc063994
Banca
FCC
Órgão
TJ-CE
Ano
2022
Cargo
Oficial de Justiça

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. 


[Religiões e progresso]

É conhecida a tese de que nas sociedades pré-modernas, como o medievo europeu ou as culturas ameríndias e africanas tradicionais, a religião não tem uma existência à parte das demais esferas da vida, não é um nicho compartimentalizado de devoção e celebração ritual demarcado no tempo e no espaço, mas está integrada à textura do cotidiano comum e permeia todas as instâncias da existência.  

A separação radical entre o profano e o sagrado – entre o mundo secular regido pela razão, de um lado, e o mundo da fé, regido por opções e afinidades estritamente pessoais, de outro – seria um traço distintivo da moderna cultura ocidental. Mas será isso mesmo verdade? Até que ponto o mundo moderno teria de fato banido a emoção religiosa da vida prática e confinado a esfera do sagrado ao gueto das preces, contrições e liturgias dominantes? Ou não seria essa compartimentalização, antes, um meio de apaziguar as antigas formas de religiosidade e ajustar contas com elas ao mesmo tempo em que se abre e se desobstrui o terreno visando a liberação da vida prática para o culto de outros deuses e de outra fé?

Não se trata, é claro, de negar o valor desses outros deuses: a ciência, a técnica, o conforto material, a sede de acumulação de riquezas. O equívoco está em absolutizar esses novos deuses em relação a outros valores, e esperar deles mais do que podem oferecer. A ciência jamais decifrará o enigma de existir; a tecnologia não substitui a ética; e o aumento indefinido de renda e riqueza não nos conduz a vidas mais livres, plenas e dignas de serem vividas, além de pôr em risco o equilíbrio mesmo da bioesfera.

(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 152-153)

Está plenamente adequado o emprego do elemento sublinhado na frase:
  1. AAs crenças e ritos antigos onde os homens se apegavam eram mais sólidos que os deuses de hoje.
  2. BO sagrado e o profano, que suas fronteiras hoje se mostram nítidas, nas sociedades pré-modernas podiam integrar-se.
  3. CA ciência e a técnica gozam hoje de um prestígio no qual ninguém, em sã consciência, ousa contestar.
  4. DOs enigmas do viver, de cujo esclarecimento somos carentes, seguem sendo alvos da nossa especulação.
  5. EA acumulação de riqueza é uma meta obsessiva aonde bem poucas criaturas se dispõem a renunciar.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Os enigmas do viver, de cujo esclarecimento somos carentes, seguem sendo alvos da nossa especulação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego de pronomes relativos com regência verbal

Gabarito: letra D. A única frase em que o elemento sublinhado está adequado é a que apresenta o pronome relativo precedido da preposição correta, conforme a regência do verbo da oração subordinada. A questão não depende do texto de apoio, mas do domínio das regras de regência e do uso de pronomes relativos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"As crenças e ritos antigos onde os homens se apegavam..." O verbo "apegar-se" exige a preposição a (apegar-se a algo). O relativo adequado seria "a que" ou "aos quais". "Onde" é pronome relativo de lugar, não se aplica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"O sagrado e o profano, que suas fronteiras hoje se mostram nítidas..." O pronome "que" não pode indicar posse sem a forma "cujo". A ideia é de posse: "cujas fronteiras". O uso de "que" diretamente é inadequado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"A ciência e a técnica gozam hoje de um prestígio no qual ninguém, em sã consciência, ousa contestar." O verbo "contestar" é transitivo direto (contestar algo). O relativo deveria ser "que" (o prestígio que ninguém contesta). A preposição "em" não é exigida; "no qual" está incorreto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Os enigmas do viver, de cujo esclarecimento somos carentes..." A expressão "ser carente" rege a preposição de (carente de algo). O pronome relativo "cujo" concorda com "esclarecimento" e vem corretamente antecedido da preposição "de". A construção está perfeita.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"A acumulação de riqueza é uma meta obsessiva aonde bem poucas criaturas se dispõem a renunciar." O verbo "renunciar" exige a preposição a (renunciar a algo). O relativo adequado seria "à qual" ou "a que". "Aonde" é usado para indicar destino (movimento para lugar), e não se aplica ao sentido abstrato.

Conclusão: Apenas a alternativa D respeita simultaneamente a regência do verbo da oração principal (ser carente de) e o uso correto do pronome relativo com a preposição exigida.

Gabarito: letra D

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