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Questão de Português — Sintaxe — FCC 2022

PortuguêsSintaxe
Código
fc063996
Banca
FCC
Órgão
TJ-CE
Ano
2022
Cargo
Oficial de Justiça

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. 


[Religiões e progresso]

É conhecida a tese de que nas sociedades pré-modernas, como o medievo europeu ou as culturas ameríndias e africanas tradicionais, a religião não tem uma existência à parte das demais esferas da vida, não é um nicho compartimentalizado de devoção e celebração ritual demarcado no tempo e no espaço, mas está integrada à textura do cotidiano comum e permeia todas as instâncias da existência.  

A separação radical entre o profano e o sagrado – entre o mundo secular regido pela razão, de um lado, e o mundo da fé, regido por opções e afinidades estritamente pessoais, de outro – seria um traço distintivo da moderna cultura ocidental. Mas será isso mesmo verdade? Até que ponto o mundo moderno teria de fato banido a emoção religiosa da vida prática e confinado a esfera do sagrado ao gueto das preces, contrições e liturgias dominantes? Ou não seria essa compartimentalização, antes, um meio de apaziguar as antigas formas de religiosidade e ajustar contas com elas ao mesmo tempo em que se abre e se desobstrui o terreno visando a liberação da vida prática para o culto de outros deuses e de outra fé?

Não se trata, é claro, de negar o valor desses outros deuses: a ciência, a técnica, o conforto material, a sede de acumulação de riquezas. O equívoco está em absolutizar esses novos deuses em relação a outros valores, e esperar deles mais do que podem oferecer. A ciência jamais decifrará o enigma de existir; a tecnologia não substitui a ética; e o aumento indefinido de renda e riqueza não nos conduz a vidas mais livres, plenas e dignas de serem vividas, além de pôr em risco o equilíbrio mesmo da bioesfera.

(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 152-153)

As normas de concordância verbal estão plenamente respeitadas na frase:
  1. AÀs manifestações de sacralidade das sociedades pré-modernas sucederam, em nossos dias, o culto de deuses profanos.
  2. BO culto de valores profanos, tal como muitos sustentam, consagram-se hoje à valorização da técnica pela técnica, acima da ética.
  3. CJá não se revestem de uma sacralização autêntica os hábitos que nos levam a adorar os deuses profanos de nossa época.
  4. DTudo o que se imaginava levar a uma vida de valores mais autênticos acabaram por se converter em práticas materialistas.
  5. EOs equívocos ligados ao endeusamento pragmático da vida material não faz senão crescer a desilusão quanto ao nosso futuro.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Já não se revestem de uma sacralização autêntica os hábitos que nos levam a adorar os deuses profanos de nossa época.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise de concordância verbal

Gabarito: letra C. Apenas a frase C respeita plenamente as normas de concordância verbal. O verbo "revestem" concorda com o sujeito posposto "os hábitos" (plural). As demais alternativas apresentam erro de concordância entre sujeito e verbo.

Alternativa

Sujeito (núcleo)

Verbo

Correto?

A

o culto (singular)

sucederam (plural)

❌

B

O culto (singular)

consagram-se (plural)

❌

C

os hábitos (plural)

revestem (plural)

✅

D

Tudo (singular)

acabaram (plural)

❌

E

Os equívocos (plural)

faz (singular)

❌

Alternativa A — ❌ Incorreta

O sujeito é "o culto de deuses profanos" (singular), mas o verbo "sucederam" está no plural. O correto seria "sucedeu". A inversão (verbo antes do sujeito) não altera a regra de concordância.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O sujeito é "O culto de valores profanos" (singular), mas o verbo pronominal "consagram-se" está no plural. O correto seria "consagra-se".

Alternativa C — ✅ Correta

O sujeito "os hábitos" (plural) está posposto, e o verbo "revestem" (plural) concorda perfeitamente. A oração relativa "que nos levam" também está correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O sujeito é "Tudo o que se imaginava levar a uma vida de valores mais autênticos" — o núcleo é "Tudo" (singular). O verbo "acabaram" está no plural; o correto seria "acabou".

Alternativa E — ❌ Incorreta

O sujeito é "Os equívocos" (plural), mas o verbo "faz" está no singular. A expressão "não faz senão" exige concordância com o sujeito: "não fazem senão".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a localização do sujeito (anteposto ou posposto) e expressões fixas como "não... senão". Em todos os casos, a concordância deve ser com o sujeito, independentemente da ordem.

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

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