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Questão de Português — Sintaxe — FCC 2022

PortuguêsSintaxe
Código
fc066767
Banca
FCC
Órgão
TRT - 4ª REGIÃO (RS)
Ano
2022
Cargo
Técnico Judiciário - Área Administrativa

Atenção: Para responder à questão, considere o trecho da crônica “O VIP sem querer”, de Carlos Drummond de Andrade.


Imagem da questão

Em Seria indelicado insistir na recusa. (11º parágrafo), a expressão sublinhada exerce a mesma função sintática do termo sublinhado em
  1. AOu você, João, deseja alguma coisa?” (14º parágrafo)
  2. BPor obséquio, me acompanhe até a sala VIP.” (6º parágrafo)
  3. CPosso esperar perfeitamente aqui mesmo.” (7º parágrafo)
  4. DVivemos numa república, João.” (23º parágrafo)
  5. EVocê acha isso republicano?” (23º parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “Ou você, João, deseja alguma coisa?” (14º parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática: objeto indireto e seus distratores

Gabarito: letra A. Em "Seria indelicado insistir na recusa", a expressão "na recusa" exerce a função de objeto indireto — complemento do verbo transitivo indireto "insistir" (quem insiste, insiste em algo). A alternativa que apresenta termo com a mesma função sintática é a A: em "Ou você, João, deseja alguma coisa?", "alguma coisa" é objeto direto do verbo transitivo direto "desejar" (quem deseja, deseja algo). As demais alternativas trazem termos com outras funções: adjunto adverbial, vocativo, predicativo do sujeito e adjunto adverbial de lugar.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique a função sintática de um termo sublinhado e encontre, entre as alternativas, outra ocorrência com a mesma função. Isso é uma questão de análise sintática — não de interpretação de texto. Você precisa reconhecer a função de cada termo na oração, com base na transitividade do verbo e na estrutura do período.

O termo em análise

Na frase "Seria indelicado insistir na recusa", o verbo é "insistir", que é transitivo indireto: exige complemento com preposição. Quem insiste, insiste em algo. O termo "na recusa" (= em + a recusa) é, portanto, o objeto indireto do verbo. Observe:

"Seria indelicado insistir na recusa."

Aqui, "na recusa" completa o sentido do verbo "insistir", funcionando como seu complemento verbal. Não é adjunto adverbial (não indica circunstância de lugar, tempo, modo etc.), nem predicativo (não atribui qualidade ao sujeito). É um termo integrante da oração, pois é exigido pela regência do verbo.

A técnica que decide

Para resolver, siga dois passos:

  1. Identifique a transitividade do verbo da frase-base: "insistir" é VTI (transitivo indireto), logo seu complemento é objeto indireto.

  2. Teste cada alternativa perguntando: qual é a função do termo sublinhado em relação ao verbo da sua oração? A correta é a que apresentar objeto direto (complemento de verbo transitivo direto, sem preposição).

A pegadinha da banca está em confundir objeto direto com objeto indireto e em confundir complemento verbal com adjunto adverbial. O objeto direto é o complemento sem preposição; o adjunto adverbial é um termo acessório que indica circunstância. Veja cada alternativa:

Alternativa A — ✅ Correta

"Ou você, João, deseja alguma coisa?"

O verbo "desejar" é transitivo direto: quem deseja, deseja algo. O termo "alguma coisa" é o objeto direto — complemento verbal sem preposição. Assim como "na recusa" é complemento do verbo "insistir", "alguma coisa" é complemento do verbo "desejar". Ambos são termos integrantes da oração (objeto indireto e objeto direto, respectivamente). A alternativa está correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Por obséquio, me acompanhe até a sala VIP."

O termo sublinhado "me" é objeto direto do verbo "acompanhar" (quem acompanha, acompanha alguém). Embora seja um complemento verbal, a função é objeto direto, não objeto indireto. A banca tenta confundir com o pronome oblíquo "me", que pode ser OD ou OI dependendo do verbo. Aqui, é OD. Portanto, não corresponde à função pedida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Posso esperar perfeitamente aqui mesmo."

O termo "perfeitamente" é um adjunto adverbial de modo — indica a maneira como se espera. Não é complemento verbal, pois o verbo "esperar" já tem seu objeto (subentendido). A banca tenta confundir com objeto direto, mas "perfeitamente" é um advérbio, termo acessório. Função diferente da pedida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Vivemos numa república, João."

O termo "numa república" é adjunto adverbial de lugar — indica onde se vive. O verbo "viver" é intransitivo (neste contexto), e o termo não é exigido por ele. É um termo acessório, não um complemento verbal. A banca tenta confundir com objeto indireto, mas a função é claramente adverbial. Incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Você acha isso republicano?"

O termo "isso" é objeto direto do verbo "achar" (quem acha, acha algo). Embora seja um complemento verbal, a função é objeto direto, não objeto indireto. A banca tenta confundir com o pronome demonstrativo, mas a função sintática é clara. Incorreta.

Conclusão

A única alternativa que apresenta termo com a mesma função sintática de "na recusa" (objeto indireto) é a A, pois "alguma coisa" é objeto direto — ambos são complementos verbais. As demais trazem adjuntos adverbiais, vocativo ou objeto direto, mas não a função pedida. Gabarito: letra A.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de função sintática, sublinhe o verbo e pergunte: "quem pratica a ação, pratica sobre o quê?" Se a resposta exigir preposição, é objeto indireto; se não, é objeto direto. Termos que indicam circunstância (lugar, tempo, modo) são adjuntos adverbiais.

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